#夏日创作营 SpaceX corta pela cintura em 115, mas o Starship acabou virando! Agora dá para comprar no fundo?
Uma cena um pouco dramática: o Starship da SpaceX acabou de concluir, no dia 25 de julho, o 13º teste de voo. Os propulsores fizeram um pouso no Golfo do México, e a nave de nível superior foi recuperada de forma controlada no Oceano Índico. Musk disse: “Starship intacto, flutuando no mar e transmitindo dados de telemetria”.
Apenas dois dias antes, as ações da SpaceX tinham registrado o menor fechamento desde que foram listadas. De um lado, o foguete virou; do outro, a ação também caiu pela metade. Essa confusão toda, na prática, é a melhor porta de entrada para entender o momento atual da empresa.
Primeiro, veja o livro em tempo real (SPCX, Nasdaq)
Preço de emissão: US$ 135 (6/12) → pico: US$ 225,64 (6/16) → fechamento em 24/7: US$ 115,07
Recuo de cerca de 49% em relação ao pico; já caiu abaixo do preço de emissão; mínimo intradiário em 23/7: US$ 110,85
Valor de mercado atual: cerca de US$ 1,5 trilhão; frente ao topo, evaporou mais de US$ 1 trilhão
Nesta semana, SpaceX caiu cerca de 7%; a fortuna pessoal de Musk evaporou cerca de US$ 130 bilhões em uma semana
1. Por que caiu tão forte
Não foi o foguete explodindo. O Starship do dia 16 de julho falhou porque os motores não acenderam e o sistema abortou automaticamente, mas a lógica real da queda está em outro lugar.
Quatro motivos se sobrepõem:
1, Reprecificação da narrativa de IA
No começo da abertura ao mercado, a avaliação do mercado foi baseada como “infraestrutura de computação para IA”. O múltiplo preço/vendas chegou a 90-110 vezes (a Tesla ficava por volta de 15x). Um analista do Morgan Stanley, Adam Jonas, deu uma leitura bem direta: a rodada de vendas já pressionou a ação para um nível em que o mercado quase não dá valuation para os negócios de IA. Ou seja, antes era “prêmio da história”; agora o enredo esvazia, e o prêmio vai embora.
2. Short aumentando, não recuando
Segundo a Ortex, em 24 de julho, os investidores que fazem short na SpaceX tinham lucro flutuante de US$ 15,5 bilhões; 56% das ações em circulação (cerca de 360 milhões de ações) estão emprestadas para short. Musk, em um post de 17 de julho, alertou que a probabilidade de “sobrevivência” de quem está longamente comprado no short seria extremamente baixa, mas os shorters não pararam e, ao contrário, continuaram adicionando posição.
3. A liberação é uma espada pendurada
Em 6 de agosto, ações restritas de 911,5 milhões de ações detidas por insiders serão liberadas; isso corresponde a um valor de mercado máximo de cerca de US$ 116 bilhões. Até o início de dezembro, as ações em circulação devem expandir de 639 milhões de ações atuais para 5,33 bilhões de ações. A oferta dispara de uma vez por várias vezes, e é isso que dá aos shorters a confiança para apostar mais.
4. Consolidação da xAI abriu as perdas
Em fevereiro deste ano, a SpaceX consolidou a xAI por aproximadamente US$ 250 bilhões (incluindo Grok e a plataforma X). Após a consolidação, as receitas do 1T de 2026 foram de US$ 4,69 bilhões (ano contra ano +15%), mas o prejuízo líquido foi de US$ 4,276 bilhões. Já o capex chegou a US$ 10,1 bilhões, ou 2,15 vezes a receita. No balanço, pela primeira vez “os negócios que lucram” e “os negócios que queimam caixa” são mostrados lado a lado, deixando tudo claro.
2. O valor futuro compensa? Veja as três colunas
Separando alta e queda, os negócios da SpaceX se resumem em três partes. De forma objetiva, a qualidade delas é bem diferente:
Coluna 1: Starlink (único gerador de caixa)
No 1T, a receita de Starlink foi de US$ 3,26 bilhões, representando 69,4% do grupo. Em 2025, deve gerar US$ 11,4 bilhões de receita e US$ 4,4 bilhões de lucro operacional. É o único segmento no mundo que consegue gerar valor positivo de forma sustentável. Assinantes: 10,3 milhões. Mas há um ponto fraco nos detalhes: o ARPU (receita média por usuário) caiu de US$ 99 em 2023 para US$ 66 neste 1T, puxando crescimento via redução de preços. A Amazon Kuiper, a OneWeb e os satélites da constelação chinesa GW estão acelerando para tomar espaço.
Coluna 2: Starship (o agente de ruptura de custos)
Neste 13º teste de voo, pela primeira vez foram implantados 20 satélites comerciais da versão Starlink V3 (sendo 6 com câmeras para monitorar o escudo térmico), dando mais um passo em direção ao “lançamento comercial rotineiro”. A SpaceX quer, após conseguir reutilização total, reduzir o custo de colocar algo em órbita para US$ 183 por kg até 2030. Já a Falcon 9 voou 658 vezes, com taxa de sucesso acima de 99%, reduzindo o custo de lançamento em mais de 85%. Só que “a recuperação do estágio superior com reutilização total” ainda não foi validada; os marcos de entrega de payload provavelmente serão adiados em 12-18 meses em relação ao plano original.
Coluna 3: Computação para IA (a que mais tem espaço de imaginação e também a mais queima dinheiro)
Depois da consolidação da xAI, a SpaceX também garantiu um contrato de longo prazo da Google (de outubro de 2026 até junho de 2029: US$ 92 milhões por mês por ~110 mil GPUs da Nvidia) e o travamento de capacidade da Anthropic. Se tudo se concretizar, pode adicionar US$ 26 bilhões de receita por ano. O custo é que o fluxo de caixa livre segue negativo antes de 2030; de 2026-2030, ainda será preciso levantar cerca de US$ 270 bilhões em dívida.
3. Julgamento objetivo: está caro agora?
Somando tudo, a conclusão não é “preto ou branco”:
A avaliação ainda parece cara, mas não tão absurda. Com valor de mercado de ~US$ 1,5 trilhão e receita projetada de US$ 18,7 bilhões para 2025, o PS (preço/vendas) fica em cerca de 80x, ainda muito acima de Tesla (~15x) e Nvidia (~32x).
O mais importante é a avaliação desagregada (SOTP): pesquisas estimam que, do valor de mercado atual, apenas cerca de 35% corresponde a negócios já verificados (Falcon 9 + banda larga tradicional do Starlink). Os outros 65%, cerca de US$ 1,3-1,4 trilhão, apostam integralmente em três negócios de longo prazo que ainda não foram executados.
Os touros também não estão sem razão. O Goldman Sachs, ao cobrir pela primeira vez no começo de julho, recomendou “comprar” com alvo de US$ 205, esperando que a receita chegue a US$ 474,3 bilhões em 2030 (CAGR de 91% em cinco anos). O preço-alvo médio das 29-32 instituições fica por volta de US$ 232-243, e o Morgan Stanley deu US$ 300. A aposta é que aquelas três colunas consigam se concretizar simultaneamente no futuro.
Os ursos olham para restrições da realidade: impacto na oferta por causa das liberações; colapso da avaliação caso a narrativa de IA seja refutada; fluxo de caixa livre negativo por longo prazo; e necessidades gigantescas de financiamento.
Para o investidor comum decidir se vale a pena, basta observar 3 sinais
1. Se o Starship consegue fazer deployment estável de cargas comerciais — V3 saindo de “sucesso em teste” para “lançamentos mensais” é a base para a tese de custos;
2. Se após 6 de agosto, depois da liberação, a ação consegue segurar — algumas dezenas de bilhões de ações entrando no mercado; o mercado vota com dinheiro de verdade;
3. Se pedidos de computação de IA viram dinheiro de verdade — checar receita nos balanços, não ficar só em acordos no papel.
No fim das contas, o que a SpaceX está comprando agora é a probabilidade de “três coisas no futuro acontecendo ao mesmo tempo”. Se qualquer uma falhar, a avaliação precisa ser reajustada; se as três derem certo, olhando para trás os US$ 115 de agora podem virar o “piso”. Não precisa apressar uma conclusão; é só acompanhar, um a um, os três sinais acima se concretizando. $SPCX
Uma cena um pouco dramática: o Starship da SpaceX acabou de concluir, no dia 25 de julho, o 13º teste de voo. Os propulsores fizeram um pouso no Golfo do México, e a nave de nível superior foi recuperada de forma controlada no Oceano Índico. Musk disse: “Starship intacto, flutuando no mar e transmitindo dados de telemetria”.
Apenas dois dias antes, as ações da SpaceX tinham registrado o menor fechamento desde que foram listadas. De um lado, o foguete virou; do outro, a ação também caiu pela metade. Essa confusão toda, na prática, é a melhor porta de entrada para entender o momento atual da empresa.
Primeiro, veja o livro em tempo real (SPCX, Nasdaq)
Preço de emissão: US$ 135 (6/12) → pico: US$ 225,64 (6/16) → fechamento em 24/7: US$ 115,07
Recuo de cerca de 49% em relação ao pico; já caiu abaixo do preço de emissão; mínimo intradiário em 23/7: US$ 110,85
Valor de mercado atual: cerca de US$ 1,5 trilhão; frente ao topo, evaporou mais de US$ 1 trilhão
Nesta semana, SpaceX caiu cerca de 7%; a fortuna pessoal de Musk evaporou cerca de US$ 130 bilhões em uma semana
1. Por que caiu tão forte
Não foi o foguete explodindo. O Starship do dia 16 de julho falhou porque os motores não acenderam e o sistema abortou automaticamente, mas a lógica real da queda está em outro lugar.
Quatro motivos se sobrepõem:
1, Reprecificação da narrativa de IA
No começo da abertura ao mercado, a avaliação do mercado foi baseada como “infraestrutura de computação para IA”. O múltiplo preço/vendas chegou a 90-110 vezes (a Tesla ficava por volta de 15x). Um analista do Morgan Stanley, Adam Jonas, deu uma leitura bem direta: a rodada de vendas já pressionou a ação para um nível em que o mercado quase não dá valuation para os negócios de IA. Ou seja, antes era “prêmio da história”; agora o enredo esvazia, e o prêmio vai embora.
2. Short aumentando, não recuando
Segundo a Ortex, em 24 de julho, os investidores que fazem short na SpaceX tinham lucro flutuante de US$ 15,5 bilhões; 56% das ações em circulação (cerca de 360 milhões de ações) estão emprestadas para short. Musk, em um post de 17 de julho, alertou que a probabilidade de “sobrevivência” de quem está longamente comprado no short seria extremamente baixa, mas os shorters não pararam e, ao contrário, continuaram adicionando posição.
3. A liberação é uma espada pendurada
Em 6 de agosto, ações restritas de 911,5 milhões de ações detidas por insiders serão liberadas; isso corresponde a um valor de mercado máximo de cerca de US$ 116 bilhões. Até o início de dezembro, as ações em circulação devem expandir de 639 milhões de ações atuais para 5,33 bilhões de ações. A oferta dispara de uma vez por várias vezes, e é isso que dá aos shorters a confiança para apostar mais.
4. Consolidação da xAI abriu as perdas
Em fevereiro deste ano, a SpaceX consolidou a xAI por aproximadamente US$ 250 bilhões (incluindo Grok e a plataforma X). Após a consolidação, as receitas do 1T de 2026 foram de US$ 4,69 bilhões (ano contra ano +15%), mas o prejuízo líquido foi de US$ 4,276 bilhões. Já o capex chegou a US$ 10,1 bilhões, ou 2,15 vezes a receita. No balanço, pela primeira vez “os negócios que lucram” e “os negócios que queimam caixa” são mostrados lado a lado, deixando tudo claro.
2. O valor futuro compensa? Veja as três colunas
Separando alta e queda, os negócios da SpaceX se resumem em três partes. De forma objetiva, a qualidade delas é bem diferente:
Coluna 1: Starlink (único gerador de caixa)
No 1T, a receita de Starlink foi de US$ 3,26 bilhões, representando 69,4% do grupo. Em 2025, deve gerar US$ 11,4 bilhões de receita e US$ 4,4 bilhões de lucro operacional. É o único segmento no mundo que consegue gerar valor positivo de forma sustentável. Assinantes: 10,3 milhões. Mas há um ponto fraco nos detalhes: o ARPU (receita média por usuário) caiu de US$ 99 em 2023 para US$ 66 neste 1T, puxando crescimento via redução de preços. A Amazon Kuiper, a OneWeb e os satélites da constelação chinesa GW estão acelerando para tomar espaço.
Coluna 2: Starship (o agente de ruptura de custos)
Neste 13º teste de voo, pela primeira vez foram implantados 20 satélites comerciais da versão Starlink V3 (sendo 6 com câmeras para monitorar o escudo térmico), dando mais um passo em direção ao “lançamento comercial rotineiro”. A SpaceX quer, após conseguir reutilização total, reduzir o custo de colocar algo em órbita para US$ 183 por kg até 2030. Já a Falcon 9 voou 658 vezes, com taxa de sucesso acima de 99%, reduzindo o custo de lançamento em mais de 85%. Só que “a recuperação do estágio superior com reutilização total” ainda não foi validada; os marcos de entrega de payload provavelmente serão adiados em 12-18 meses em relação ao plano original.
Coluna 3: Computação para IA (a que mais tem espaço de imaginação e também a mais queima dinheiro)
Depois da consolidação da xAI, a SpaceX também garantiu um contrato de longo prazo da Google (de outubro de 2026 até junho de 2029: US$ 92 milhões por mês por ~110 mil GPUs da Nvidia) e o travamento de capacidade da Anthropic. Se tudo se concretizar, pode adicionar US$ 26 bilhões de receita por ano. O custo é que o fluxo de caixa livre segue negativo antes de 2030; de 2026-2030, ainda será preciso levantar cerca de US$ 270 bilhões em dívida.
3. Julgamento objetivo: está caro agora?
Somando tudo, a conclusão não é “preto ou branco”:
A avaliação ainda parece cara, mas não tão absurda. Com valor de mercado de ~US$ 1,5 trilhão e receita projetada de US$ 18,7 bilhões para 2025, o PS (preço/vendas) fica em cerca de 80x, ainda muito acima de Tesla (~15x) e Nvidia (~32x).
O mais importante é a avaliação desagregada (SOTP): pesquisas estimam que, do valor de mercado atual, apenas cerca de 35% corresponde a negócios já verificados (Falcon 9 + banda larga tradicional do Starlink). Os outros 65%, cerca de US$ 1,3-1,4 trilhão, apostam integralmente em três negócios de longo prazo que ainda não foram executados.
Os touros também não estão sem razão. O Goldman Sachs, ao cobrir pela primeira vez no começo de julho, recomendou “comprar” com alvo de US$ 205, esperando que a receita chegue a US$ 474,3 bilhões em 2030 (CAGR de 91% em cinco anos). O preço-alvo médio das 29-32 instituições fica por volta de US$ 232-243, e o Morgan Stanley deu US$ 300. A aposta é que aquelas três colunas consigam se concretizar simultaneamente no futuro.
Os ursos olham para restrições da realidade: impacto na oferta por causa das liberações; colapso da avaliação caso a narrativa de IA seja refutada; fluxo de caixa livre negativo por longo prazo; e necessidades gigantescas de financiamento.
Para o investidor comum decidir se vale a pena, basta observar 3 sinais
1. Se o Starship consegue fazer deployment estável de cargas comerciais — V3 saindo de “sucesso em teste” para “lançamentos mensais” é a base para a tese de custos;
2. Se após 6 de agosto, depois da liberação, a ação consegue segurar — algumas dezenas de bilhões de ações entrando no mercado; o mercado vota com dinheiro de verdade;
3. Se pedidos de computação de IA viram dinheiro de verdade — checar receita nos balanços, não ficar só em acordos no papel.
No fim das contas, o que a SpaceX está comprando agora é a probabilidade de “três coisas no futuro acontecendo ao mesmo tempo”. Se qualquer uma falhar, a avaliação precisa ser reajustada; se as três derem certo, olhando para trás os US$ 115 de agora podem virar o “piso”. Não precisa apressar uma conclusão; é só acompanhar, um a um, os três sinais acima se concretizando. $SPCX























