Forças dos EUA intensificam campanha contra o Irã, enquanto Brent se aproxima de US$ 92 e o tráfego de petroleiros continua caindo

O petróleo Brent subiu perto de US$ 92 por barril e o WTI disparou acima de US$ 84—com alta de mais de 20% desde que as hostilidades entre os EUA e o Irã foram retomadas—ameaçando uma inflação maior e cortes mais atrasados da taxa de juros pelo Federal Reserve.

Principais destaques

  • O combate entre EUA e Irã reduziu as travessias pelo Estreito de Ormuz em quase 50%, para 127 embarcações na semana encerrada em 19 de julho.
  • O Brent disparou em direção a US$ 92 por barril, enquanto a Indian Oil Corp. suspendeu carregamentos de petróleo iraquiano devido a riscos de segurança.
  • O Goldman Sachs alertou que bloqueios prolongados à navegação poderiam fazer o Brent ultrapassar US$ 120 por barril no 4T de 2026.

Escalada militar atinge infraestrutura

O petróleo Brent disparou em direção a US$ 92 por barril na terça-feira, com combates intensos entre forças dos EUA e o Irã se estendendo pelo décimo dia. O principal indicador global do Brent chegou a tocar rapidamente uma máxima de US$ 91,63 por barril antes de cair para US$ 91,26 às 17h (horário de Brasília).

A alta se espalhou pelos mercados de energia, com o West Texas Intermediate, referência dos EUA, subindo 2,3% para US$ 84,38 por barril. O WTI já acumulou alta de mais de 20% desde a retomada das hostilidades, alimentando preocupações com a inflação e reduzindo as expectativas de um corte de juros do Federal Reserve ainda neste ano.

O salto acentuado do petróleo ocorre à medida que os confrontos envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz se intensificam, ofuscando relatos de que Washington pode apoiar um cessar-fogo proposto de 10 dias. Além de atingir instalações militares, diz-se que aviões de guerra dos EUA e destróieres navais miraram infraestrutura civil essencial, incluindo pontes e instalações de geração de energia. Em resposta, forças iranianas retaliaram contra infraestrutura de energia e civil em estados vizinhos do Golfo Pérsico.

O comércio marítimo no estreito—um gargalo vital para o abastecimento global de energia—continua gravemente interrompido após ataques diretos a petroleiros e navios de carga comerciais. Riscos de segurança em escalada já começaram a fragmentar fluxos físicos de comércio: refinarias estatais indianas, incluindo Indian Oil e Mangalore Refinery and Petrochemicals, suspenderam carregamentos de petróleo do Iraque.

Apesar das garantias do Departamento de Defesa dos EUA de que o corredor sul do Estreito de Ormuz permanece aberto, o tráfego marítimo comercial pelo gargalo despencou. Dados de inteligência marítima mostram que o corredor de escolta naval dos EUA foi praticamente abandonado, com operadores de navios redirecionando maciçamente o tráfego pela passagem norte do Irã.

No geral, as travessias semanais caíram quase 50%, passando de 248 embarcações na semana encerrada em 12 de julho para 127 na semana encerrada em 19 de julho. Com o tráfego diário de petroleiros ainda bem abaixo do patamar pré-conflito de 125 travessias por dia, analistas de mercado alertam que o risco de faltas agudas de oferta global de petróleo—e de forte volatilidade de preços—está aumentando.

O Goldman Sachs Group estima, segundo informações, que os embarques de petróleo do Golfo Pérsico desabaram para menos de 45% dos níveis pré-guerra. Embora a projeção-base do banco pressuponha uma eventual desescalada que faria o Brent atingir em média US$ 80 por barril no 4T, analistas de commodities alertaram em nota de pesquisa que restrições persistentes de navegação poderiam levar o Brent a passar de US$ 120 por barril no 4T e a atingir uma média de US$ 100 por barril ao longo do próximo ano.

O banco destacou que oleodutos alternativos por terra e rotas de desvio pelo Mar Vermelho não têm capacidade suficiente para absorver o enorme déficit de oferta, deixando amortecedores físicos do mercado esgotados e elevando os prêmios de entrega imediata do petróleo.

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