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A ascensão e o legado do “Bitcoin Whitepaper”

1. Nascimento: a “rebeldia” em meio à crise financeira

Em 2008, a falência do Lehman Brothers desencadeou a crise financeira global. No mesmo ano, em 31 de outubro, uma pessoa misteriosa usando o pseudônimo “Satoshi Nakamoto” publicou, no grupo de e-mails de criptografia, o whitepaper “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto”, propondo uma moeda descentralizada que não dependa de nenhum banco central.

Em 3 de janeiro de 2009, Satoshi Nakamoto minerou o “bloco gênese” em um servidor em Helsinque, na Finlândia, obtendo as primeiras 50 moedas de Bitcoin, e deixou no bloco um título de primeira página do “The Times” daquele dia: “O chanceler está à beira de implementar a segunda rodada de resgates bancários de emergência” — algo visto como uma zombaria silenciosa ao sistema financeiro tradicional.

2. Do brinquedo de nerds à vida real

Nos primeiros anos, o Bitcoin quase não tinha valor, circulando apenas em um nicho de entusiastas. Em 22 de maio de 2010, o programador Laszlo Hanyecz comprou duas pizzas por 10.000 bitcoins, tornando-se a primeira transação física da história do Bitcoin; essa data também ficou conhecida como “Bitcoin Pizza Day”.

Em 2011, o preço do Bitcoin superou pela primeira vez US$ 1. No mesmo ano, a “Rodovia da Seda” no dark web entrou no ar, usando a suposta anonimidade do Bitcoin para realizar transações ilegais, fazendo com que o Bitcoin entrasse pela primeira vez em grande escala no olhar do público.

3. O caminho turbulento rumo à maturidade

Em 2013, durante a crise bancária em Chipre, controles de capital fizeram investidores europeus começarem a ver o Bitcoin como a “chave para escapar das finanças tradicionais”, e o preço ultrapassou pela primeira vez US$ 1.000. Em 2014, a então maior exchange de Bitcoin do mundo, Mt.Gox, foi à falência após um ataque hacker, soando como um alerta para toda a indústria.

Depois disso, o Bitcoin passou por várias rodadas de alta e queda: em 2017, disparou para perto de US$ 20.000, e em 2018 caiu de forma acentuada. Após 2020, com a entrada de investidores institucionais e impulsos da flexibilização quantitativa global, o Bitcoin voltou a decolar. Em 2021, El Salvador declarou o Bitcoin como moeda de curso legal. Em janeiro de 2024, os Estados Unidos aprovaram os primeiros ETFs spot de Bitcoin; no mesmo ano, em novembro, o Bitcoin ultrapassou US$ 90.000, e em dezembro, pela primeira vez, chegou à marca de US$ 100.000.

De uma cadeia de código no whitepaper a um ativo global com valor de mercado acima de US$ 2 trilhões, o Bitcoin levou 16 anos para transformar uma experiência lendária, concebida como ideia, em realidade.
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