Ações da KEEL disparam quase 270% em um ano: como ativos de energia de 2,2 GW apostam na nova era de data centers de IA?

No dia 23 de julho de 2026, horário de Pequim, Keel Infrastructure Corp (NASDAQ: KEEL) fechou em US$ 4,69, com alta de 0,86% no dia; nos últimos cinco pregões, acumulou alta de 11,93%. A empresa norte-americana de infraestrutura digital e energia, com sede em Nova York, já teve alta de mais de 80% no acumulado do ano. Se o horizonte for estendido para um ano, o ganho fica ainda mais impressionante — chegando a 269,29%, muito acima da média de retorno do setor e do desempenho do S&P 500 no mesmo período.

O avanço acelerado das ações reflete a precificação do mercado sobre a mudança de estratégia da KEEL. A empresa, anteriormente conhecida como Bitfarms, está se transformando, de forma integral, de uma mineradora de Bitcoin altamente volátil para uma desenvolvedora de infraestrutura de data centers para IA e computação de alto desempenho. Porém, entre a narrativa e a avaliação, os dados financeiros mostram um quadro ainda mais complexo.

Lógica de alta: interseção estrutural entre ativos de energia e demanda por IA

Valor raro de um duto de energia de 2,2 GW

O ativo mais central da Keel é uma carteira de desenvolvimento de energia que atravessa a América do Norte, somando cerca de 2,2 GW. Essas capacidades elétricas estão distribuídas em mercados de alta demanda de eletricidade nos EUA, nos estados da Pensilvânia e de Washington, e na província canadense de Quebec, além de já terem conexões estabelecidas à rede elétrica — um detalhe com importância crucial na disputa atual por data centers de IA.

Na corrida por poder computacional de IA, a dificuldade de obter GPUs está sendo superada pelo gargalo de fornecimento de energia. Novos pedidos de conexão à rede em algumas regiões dos EUA têm espera de até cinco a sete anos. O Gartner prevê que a demanda global de eletricidade de data centers em 2026 crescerá de 104 GW em 2025 para 132 GW, uma alta anual de cerca de 27%. A Jefferies, por sua vez, estima que, com base em volumes de remessa de chips aceleradores, a demanda global de eletricidade de data centers de IA em 2026 possa chegar a cerca de 30 GW, com a América do Norte perto de 19 GW.

Diante dessa restrição rígida de oferta, os cerca de 575 MW de capacidade de energia que a Keel já tem aprovados (cobrindo quatro sites) se tornam sua principal barreira competitiva diferenciadora. Construir, do zero, uma infraestrutura elétrica de escala equivalente e concluir aprovações de rede exigiria muito mais tempo e custos de capital do que o valor de mercado atual da Keel.

Onda de capex de empresas em hiperescala

A demanda final por data centers de IA está se expandindo em escala sem precedentes. Gigantes da tecnologia como Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle preveem que, em 2026, o capex total de data centers alcance entre US$ 66,00 bilhões e US$ 72,50 bilhões, com cerca de 75% indo para infraestrutura de IA. A estimativa da Jefferies é ainda mais agressiva — o capex das empresas de hiperescala em 2026 deve chegar a US$ 77,00 bilhões.

Esse volume de gastos significa que a necessidade rígida de capacidade elétrica e de espaço físico em data centers continuará aumentando. A Bernstein aponta que, no ciclo atual, já existem mais de US$ 100,00 bilhões em compromissos de investimento voltados à construção de infraestrutura real. Como detentora de infraestrutura com acesso pronto à energia e terras desenvolváveis, a Keel, em teoria, está posicionada para se beneficiar da parte de cima dessa avalanche de capital.

O mercado está pagando prêmio por ativos de infraestrutura de IA

A recomendação consensual dos analistas para a KEEL é “compra forte”. Com base em pesquisa com 10 analistas pela S&P Global, a meta média de preço para 12 meses da KEEL é de US$ 6,22, sugerindo potencial de alta de cerca de 32,62% em relação ao preço atual. Os dados da Koyfin mostram meta média para 12 meses de US$ 6,40. Em 22 de julho, a BTIG iniciou a cobertura da KEEL com rating “compra” e meta de US$ 8,00, implicando potencial de alta de aproximadamente 72%. A Citizens JMP, em 24 de junho, definiu uma meta ainda mais otimista de US$ 10,00.

A ação real de investidores institucionais também dá suporte a essa leitura. Após construir posição inicialmente com cerca de 7 milhões de ações no quarto trimestre de 2025, o fundo Situational Awareness LP, de Leopold Aschenbrenner, aumentará a participação no primeiro trimestre de 2026 para perto de 20 milhões de ações, crescimento de cerca de 188%. Em 31 de março de 2026, a Jane Street Group detinha aproximadamente 20,82 milhões de ações, ou 3,45% das ações em circulação. A participação agregada de investidores institucionais é de cerca de 49,97%.

Fatores de risco: atritos financeiros na fase de transição e incerteza de execução

A conversão de ativos em receita ainda não foi concluída

O problema mais central que a Keel enfrenta é este: o duto de energia de 2,2 GW — o ativo central valorizado pelo mercado — ainda não foi convertido em contratos de clientes de longo prazo com caráter vinculante.

Os dados financeiros do primeiro trimestre de 2026 revelam as dores da transição. A receita foi de US$ 37,00 milhões, queda de 23% ano contra ano. Despesas gerais e administrativas atingiram US$ 27,00 milhões, representando 73% da receita do trimestre. A margem bruta foi de -20,8%, e a margem operacional foi de -97,5%. O prejuízo líquido aumentou de US$ 55,00 milhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 145,40 milhões. O EBITDA ajustado caiu de um saldo positivo de US$ 7,00 milhões no mesmo período do ano anterior para -US$ 17,00 milhões.

A administração da empresa deixou claro que a prioridade de 2026 é executar e não gerar receita — especificamente, assinar um contrato de locação em cada um dos três sites centrais: Panther Creek, Sharon e Moses Lake. Porém, a receita desses contratos deve começar apenas em 2027. Até lá, a empresa seguirá na fase de “pré-receita”.

Pressão dupla sobre a estrutura de capital

Em 8 de maio de 2026, a liquidez total da Keel era de aproximadamente US$ 533,00 milhões, incluindo cerca de US$ 336,00 milhões em caixa sem restrição e cerca de US$ 197,00 milhões em Bitcoin não caucionado. Embora essa reserva de caixa pareça confortável, ela precisa ser analisada dentro de uma estrutura de dívida maior.

A empresa detém cerca de US$ 648,00 milhões de dívida total; a dívida sobre o patrimônio é de cerca de 138%. O fluxo de caixa livre nos últimos doze meses foi de -US$ 407,00 milhões. Em junho de 2026, a empresa concluiu uma captação de US$ 458,00 milhões em notas preferenciais conversíveis — o que por um lado mostra que o mercado reconhece a narrativa de sua transição, mas por outro indica que o capital necessário para a transição ainda não pôde ser gerado pelo próprio negócio.

Um detalhe relevante: em 30 de junho de 2026, as ações vendidos a descoberto (short interest) da KEEL somavam cerca de 94,95 milhões de ações, equivalendo a 16% das ações em circulação e 15,73% das ações emitidas. Esse nível relativamente alto de short aponta que as divergências sobre se a transição da KEEL terá sucesso seguem grandes.

Cenário competitivo cada vez mais lotado

A Keel não é a única a mirar oportunidades em infraestrutura de data centers de IA. No segmento de hospedagem e serviços, provedores de nuvem emergentes como CoreWeave estão expandindo rapidamente — a CoreWeave concluiu, em março de 2026, uma extração de empréstimos recorrentes (delayed draw) de US$ 8,50 bilhões, obtendo rating de investimento ao usar GPUs e contratos com clientes como ativos subjacentes. No universo de REITs de data centers, a Digital Realty e a Equinix têm histórico operacional maduro, carteiras de clientes diversificadas e fluxo de caixa livre positivo.

Os próprios provedores de nuvem em hiperescala também aceleram a construção de data centers próprios. A Bernstein estima que a taxa de vacância do setor, no total, atingirá um piso de cerca de 4,9% em 2026 e depois subirá para acima de 10,5% em 2028 — o que indica que há uma corrida do lado da oferta para alcançar a demanda.

Em termos de valuation, o price-to-sales (PS) da KEEL é de cerca de 14x (com base em receita recorrente). Já operadores maduros de data centers como a Digital Realty negociam em torno de 8x a 10x. Esse prêmio, em essência, precifica um evento que ainda não aconteceu: “sucesso na transição”.

Pontos de observação-chave

Se a tese de investimento da KEEL vai se concretizar depende de alguns marcos verificáveis:

Primeiro, se a empresa conseguirá fechar assinaturas de contratos de locação em Panther Creek, Sharon e Moses Lake ao longo de 2026. Esse é um passo fundamental para transformar ativos de energia em fluxo de caixa de contratos de longo prazo.

Segundo, o avanço do projeto de data center em Sherbrooke, Quebec. O projeto já obteve aprovação da prefeitura desta mês; o próximo passo é receber aprovação do Ministério de Economia, Inovação e Energia de Quebec.

Terceiro, o lançamento dos resultados do segundo trimestre em 10 de agosto de 2026. O mercado observará de perto a evolução da receita, a velocidade do consumo de caixa e atualizações sobre o progresso da transição.

Conclusão

A Keel Infrastructure representa uma categoria única de oportunidade de investimento: ela possui ativos de energia extremamente raros na corrida de data centers de IA, mas seus dados financeiros ainda permanecem presos ao modelo legada de mineradoras de Bitcoin. O duto de energia de 2,2 GW é real, assim como o crescimento da demanda final por data centers de IA — porém, ainda não foi estabelecida uma conexão comercial suficientemente forte entre os dois para sustentar a avaliação atual.

Para investidores que acompanham o setor de infraestrutura de IA, a KEEL oferece um ativo de observação que exige acompanhamento contínuo da execução. O espaço de alta depende da assinatura de contratos e da conversão em receita; o risco de queda vem da velocidade de consumo de capital e da evolução do cenário competitivo. No restante de 2026, o progresso dos contratos será um sinal mais valioso do que a volatilidade das ações.

FAQ

1. Como estão os fundamentos das ações da KEEL atualmente?

Em 23 de julho de 2026, horário de Pequim, a ação da KEEL fechou a US$ 4,69, com valuation de cerca de US$ 2,832 bilhões. A receita no primeiro trimestre de 2026 foi de US$ 37,00 milhões, queda de 23% ano contra ano, e prejuízo líquido de US$ 145,40 milhões. A empresa tem cerca de US$ 533,00 milhões em liquidez, mas a dívida total é de cerca de US$ 648,00 milhões, com dívida sobre patrimônio de 138%.

2. A KEEL está se transformando de mineradora de Bitcoin em data center de IA — qual é a lógica dessa transição?

A Keel está mudando o foco do negócio de mineração de Bitcoin, que é mais volátil, para infraestrutura de data centers de IA e computação de alto desempenho. O ativo central são cerca de 2,2 GW de duto de energia já conectado à rede. No contexto de uma explosão de demanda por poder computacional de IA, em que acesso à energia vira gargalo crítico, o mercado considera que o valor desses ativos elétricos é muito maior do que o valor deles quando usados em um minerador de Bitcoin.

3. Qual é a expectativa dos analistas para a ação da KEEL?

Com base em uma pesquisa com 10 analistas pela S&P Global, a KEEL recebeu um rating de consenso “compra forte”, com meta média de US$ 6,22 para 12 meses. A BTIG iniciou a cobertura em 22 de julho, com rating “compra” e meta de US$ 8,00. No entanto, a faixa de metas dos analistas é ampla: o menor valor é US$ 3,00 e o maior é US$ 10,00.

4. Quais são os principais riscos enfrentados pela KEEL?

O risco central é que os ativos de energia ainda não foram convertidos em receita real — a empresa ainda não assinou grandes contratos de clientes de longo prazo, e a receita deve começar apenas em 2027. Além disso, a empresa está em uma fase de alto consumo de capital; o fluxo de caixa livre dos últimos doze meses foi de -US$ 407,00 milhões. Somam-se a isso concorrentes como Digital Realty, Equinix e CoreWeave, bem como a tendência de que provedores de nuvem construam seus próprios data centers, o que cria pressão competitiva contínua.

5. A KEEL vale a pena para entrar na lista de observação de investimentos em infraestrutura de IA?

A KEEL oferece uma lógica de investimento exclusiva de “ativos de energia + demanda por IA”, mas a avaliação atual já precifica parte da expectativa de sucesso da transição. Para investidores interessados nesse ativo, os marcos de validação mais relevantes em vez do preço no curto prazo são: o andamento das assinaturas de contratos ao longo de 2026, o relatório do segundo trimestre e a dinâmica de aprovações do projeto.

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