#夏日创作营 Um texto para entender o que está por trás do avanço simultâneo do ouro, do petróleo e do dólar


Nestes dias, no macro, estamos vendo um fenômeno raro: ouro, petróleo e dólar subindo ao mesmo tempo. Afinal, desde o começo de março, após o conflito EUA-Irã, durante grande parte do tempo o petróleo e o ouro basicamente ficaram como um “vai-e-vem”.
A lógica é a seguinte: guerra geopolítica começa, o Estreito de Ormuz é bloqueado, o preço do petróleo sobe, a inflação sobe e o ouro cai.
Nesses dias, o conflito EUA-Irã voltou a ficar tenso. Os Estados Unidos fizeram ataques aéreos contra o Irã por 12 dias consecutivos, e o preço do petróleo disparou instantaneamente para acima de US$ 90. Em tese, o ouro deveria cair. Mas o estranho é que, junto com a alta do petróleo, desta vez o ouro também subiu, como se acompanhasse o petróleo. Isso dá a sensação de que a função “porto seguro” do ouro voltou. Então, será que tudo realmente voltou?
Primeiro, a resposta: sim, o ouro que acompanha essa alta está agindo como porto seguro. Mas o que ele evita não é o risco da geopolítica; ele evita, na verdade, o risco de dívida. O que se reflete aqui é a preocupação global atual com uma crise de crédito dos estados soberanos. Para deixar isso claro, é preciso colocar “títulos do Tesouro dos EUA” no meio da conversa.
Recentemente, o preço dos Treasuries dos EUA vem caindo continuamente, enquanto os rendimentos dos Treasuries disparam. Vale lembrar que existe um indicador numérico aceito pelo mercado para dizer se há risco nos Treasuries. Por exemplo: quando o rendimento do Treasury de 30 anos fica acima de 5%. Ou quando o rendimento do Treasury de 10 anos chega a 4,5% ou mais. Em qualquer um desses casos, o mercado passa a entender que o preço dos Treasuries caiu demais e, se for ignorado, pode haver risco de liquidez. Em outras palavras: esses dois indicadores funcionam como sinais de alerta.
E agora, qual é a situação? As luzes de alerta quase estouraram de vez. O rendimento do Treasury de 30 anos acima de 5% já não sai desse patamar há 12 dias consecutivos. Neste ano, no total, já houve 27 dias de pregão com o rendimento do Treasury de 30 anos acima de 5%. Sabe-se que, em cerca de 20 anos desde a crise financeira de 2007, esse é o período mais longo de continuidade. No ano passado, a guerra comercial entre EUA e China e a guerra de tarifas foram extremamente intensas; os rendimentos dos Treasuries até dispararam. Mas no ano passado, toda vez que o rendimento do Treasury de 10 anos chegava ou quase chegava a 4,5%, Trump fazia o quê? Trump fazia o TACO. Mas este ano, com os rendimentos disparando assim, Trump ainda está imóvel, segue como sempre, decide quando atacar. Então, Trump não quer?
Não. O principal motivo é que, hoje, Trump não tem o controle da iniciativa da guerra. Ele até quer fazer TACO, mas não tem poder para fazer TACO. Agora, o Estreito de Ormuz é uma partida de “covardes” de ponta a ponta. Quem primeiro se rende dá margem na mesa de negociações depois.
Por isso, neste momento, ambos estão ocupados tentando ver quem é mais duro. Hoje você explode meu navio, amanhã eu explodo sua ponte. Hoje você explode minha ponte, amanhã eu destruo seu data center. Assim, Trump não consegue fazer TACO. E isso significa que os Treasuries terão que aguentar sozinhos. Só que o ponto-chave é: Treasuries realmente aguentando na marra sozinhos não dá conta. Por um lado, a emissão de títulos continua aumentando; por exemplo, o governo dos EUA segue emitindo novas dívidas. E as empresas americanas ligadas a IA também emitem dívida para conseguir financiamento. Por outro lado, a “bacia” de liquidez é limitada, e o Fed não quer cortar juros; o dinheiro vai sendo tirado aos poucos. Então, todo mundo passa a se preocupar com a sustentabilidade do mercado de títulos. A crise de crédito dos títulos vem exatamente assim.
Diante da crise de crédito dos Treasuries, a pergunta é: existe algum ativo que não fique preso ao risco de crédito soberano de nenhum país? Passando em revista, só sobra o ouro. Por isso o ouro está subindo. Assim, a alta do petróleo hoje reflete preocupação com o setor de energia, enquanto a alta do ouro reflete preocupação com a crise de crédito. Elas subirem juntas é como se vários acontecimentos macro coincidissem e gerassem uma ressonância ao mesmo tempo.
Então, alguém pode perguntar: como isso deve seguir daqui pra frente?
Muito provavelmente vai haver uma divisão.
Porque, seja dólar e Treasuries, seja petróleo e ouro, as altas e quedas deles seguem basicamente a mesma cadeia de lógica: começou a guerra, o preço do petróleo fica alto, a inflação dispara, a expectativa de alta de juros sobe, então o dólar fortalece; com isso, os rendimentos dos Treasuries sobem; com a crise de crédito dos Treasuries ficando alta demais, o ouro sobe.
Mas guerra tem muitas variáveis. E lembremos: Trump é obrigado a lutar.
Por um lado, no memorando de cessar-fogo anterior, não se definiu de fato quem controla o Estreito de Ormuz; isso vira um foco para as negociações futuras. Se atacar agora, depois haverá uma carta a mais na mesa.
Por outro lado, se os EUA não lutarem e cederem facilmente, isso prejudica os interesses estratégicos e o poder de influência dos EUA no Oriente Médio. Até os grupos mais linha-dura nos EUA diriam que Trump é fraco demais. Portanto, precisa lutar, mas não dá para lutar “com tudo”, nem a ponto de colocar em jogo o próprio patrimônio e a própria vida.
Não dá para desestabilizar os Treasuries por causa da guerra e causar uma crise financeira sistêmica nos EUA — porque aí seria um prejuízo que não vale a pena.
Então, como saber quando ele vai atacar e quando não vai? É simples: olhe o preço do petróleo. Quando fica perto de 70, ele diz “vamos atacar”. Quando chega perto de 100, ele faz TACO. Então, quando o preço do petróleo está baixo, Trump ataca à vontade. E quando o petróleo fica alto, a inflação acelera; isso afeta também as eleições de meio de mandato e, além disso, o salto nos rendimentos dos Treasuries levanta preocupações internas com risco financeiro.
Por isso, “parar o fogo e negociar” vira algo que pode acontecer a qualquer momento. E, uma vez que cesse o fogo, o preço do petróleo tende a cair.
E o ouro vai cair junto?
Resposta curta: no curto prazo, pode; mas no médio e longo prazo, talvez não.
Isso porque o novo presidente do Fed, Kevin Walsh, desde que assumiu, por meio de “aumentos de juros com a boca” já conseguiu múltiplos objetivos:
1) no curto prazo, elevar temporariamente os Treasuries e, com isso, fortalecer o dólar;
2) comprimir a bolha do mercado de ações, levando à desalavancagem dos mercados acionários globais. Mas, se continuar demonstrando uma postura tão dura, o efeito marginal pode diminuir.
Assim, na reunião do Fed no fim do mês, é provável que ocorram mudanças. Se o mercado enxergar, nas falas de Kevin Walsh na reunião, algum sinal de corte de juros, o índice do dólar provavelmente cairia, e o ouro teria mais chance de reagir. Porém, se a intenção for deixar o ouro mais “sólido”, será preciso esperar que a notícia de um corte real de juros do Fed se concretize no mundo real. $XAUUSD ‌
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playerYU
· 15h atrás
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