Os veículos autônomos de reconhecimento, os “pilotos” de IA e os sistemas inteligentes de combate que os EUA estão desenvolvendo hoje já tinham sido colocados, ainda em 1983, em um plano de dez anos.


Na época, quem definiu o plano foi a DARPA — a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, vinculada ao Departamento de Defesa dos EUA — que financia especialmente tecnologias de alto risco e difíceis de concretizar no curto prazo.
Nesses 110 páginas do programa “Computação Estratégica”, a DARPA planeja criar três conjuntos de sistemas:
Um veículo de reconhecimento capaz de atravessar, de forma autônoma, terrenos complexos;
Um copiloto de IA treinado por pilotos, que reconhece ameaças, planeja missões e fornece recomendações táticas;
Um sistema de gestão de operações navais capaz de avaliar a intenção do inimigo e simular o desenrolar da batalha.
As tecnologias que dão suporte a tudo isso incluem visão computacional, reconhecimento de voz, linguagem natural, sistemas especialistas, computação paralela e microeletrônica.
Esses termos, traduzidos para a linguagem de hoje, seriam basicamente multimodalidade, agentes, direção autônoma e chips de IA. No geral, o documento realmente parece ter sido escrito no ano passado.
Só que a capacidade computacional de 1983 não acompanhava essa rota.
O plano exigia que o veículo sem motorista atingisse 10 km/h de velocidade em rodovias até 1985 e que aumentasse para 80 km/h até 1990. Na prática, em 1985, ele percorreu autonomamente apenas 1 km, com velocidade média de apenas 3 km/h.
O prazo de dez anos não foi cumprido, mas as tecnologias previstas foram, aos poucos, virando realidade ao longo dos 40 anos seguintes.
Na época, os EUA se defendiam da “quinta geração de computadores” do Japão que chegaria antes. Hoje, a lista de competidores mudou para modelos, chips e robôs da China.
Os planos de IA que não foram concluídos durante a Guerra Fria estão sendo, agora, avaliados um a um nessa nova rodada de competição tecnológica.
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