A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) divulgaram, em 17 de março de 2026, uma orientação conjunta de 68 páginas que fornece uma interpretação afirmando que a maioria das criptomoedas não são valores mobiliários e estabelecendo uma taxonomia de tokens para ativos digitais, incluindo stablecoins, commodities digitais e ferramentas digitais.
A interpretação, apresentada na Cúpula de Blockchain de Washington D.C., esclarece como as leis federais de valores mobiliários se aplicam à mineração de protocolos, staking, airdrops e às circunstâncias em que um ativo cripto não-valor mobiliário pode se tornar sujeito à análise de contrato de investimento.
O presidente da SEC, Paul Atkins, afirmou que a orientação cumpre o papel fundamental da agência: “É isso que as agências reguladoras devem fazer: traçar linhas claras em termos claros.” O presidente da CFTC, Michael S. Selig, acrescentou que “com a interpretação de hoje, a espera acabou” para os desenvolvedores americanos que buscam clareza sobre o status dos ativos sob as leis federais de valores mobiliários e commodities.
A orientação conjunta estabelece uma estrutura que categoriza tipos específicos de ativos digitais como não-valor mobiliário:
Commodities digitais: Ativos “intrinsecamente ligados e que derivam seu valor do funcionamento programático de um sistema cripto funcional, bem como das dinâmicas de oferta e procura”
Stablecoins de pagamento: Ativos atrelados ao dólar e apoiados por reservas
Ferramentas digitais: Tokens de utilidade que oferecem acesso às funcionalidades da plataforma
Colecionáveis digitais: Ativos que representam direitos sobre cartas de troca, eventos atuais e itens similares
A interpretação especifica que valores mobiliários digitais — valores mobiliários tradicionais tokenizados — permanecem sujeitos às regras e regulamentos da SEC.
A SEC historicamente baseou-se no Teste Howey, derivado de um caso da Suprema Corte dos EUA de 1946, para determinar se um ativo qualifica-se como contrato de investimento e, portanto, como valor mobiliário. A nova orientação fornece uma aplicação detalhada desse framework aos ativos cripto, abordando a longa incerteza do setor sobre quais ativos digitais estão sujeitos à regulamentação de valores mobiliários.
A interpretação explica como um ativo cripto não-valor mobiliário pode tornar-se sujeito a um contrato de investimento: “Um ativo cripto não-valor mobiliário torna-se sujeito a um contrato de investimento quando um emissor o oferece induzindo um investimento de dinheiro em uma empresa comum, com declarações ou promessas de realizar esforços gerenciais essenciais, das quais um comprador razoavelmente esperaria obter lucros.”
Significativamente, a orientação explica que um ativo cripto não-valor mobiliário pode deixar de ser um contrato de investimento sob as leis de valores mobiliários quando um emissor cumpre ou falha em suas declarações ou promessas. Essa dimensão temporal fornece uma estrutura para ativos que transitam dentro e fora do status de valor mobiliário, com base no papel e nos compromissos contínuos do emissor.
A orientação esclarece como as leis federais de valores mobiliários se aplicam às principais atividades do setor cripto:
Mineração de protocolo: Tratamento baseado na natureza das recompensas e no papel do minerador
Staking de protocolo: Análise focada em se os acordos de staking criam contratos de investimento
Airdrops: Condições sob as quais distribuições de tokens podem constituir ofertas de valores mobiliários
Wrapping de tokens: Tratamento de versões embrulhadas de ativos cripto não-valor mobiliário
A orientação representa uma mudança fundamental em relação à abordagem do ex-presidente da SEC, Gary Gensler, que promoveu várias ações de fiscalização contra empresas de cripto e afirmou que a maioria das criptomoedas eram valores mobiliários. Atkins rejeitou explicitamente essa postura na Cúpula de Blockchain de D.C., afirmando: “Não somos mais a ‘comissão de valores mobiliários e tudo mais’.”
A CFTC participou da interpretação, fornecendo orientação de que administrará a Lei de Câmbio de Commodities de acordo com a interpretação da SEC. Essa abordagem coordenada sinaliza o fim das disputas regulatórias e estabelece limites jurisdicionais mais claros entre as duas agências.
Atkins anunciou que a SEC em breve emitirá uma proposta de regra que estabelecerá um programa de safe harbor para startups lançarem empresas de cripto, contratos de investimento e tokens de valor mobiliário sem necessariamente precisarem se registrar na agência. A proposta de safe harbor poderá durar até quatro anos, permitindo que as empresas acessem capital enquanto desenvolvem suas redes antes de enfrentarem requisitos completos de registro.
A safe harbor visa “fornecer aos inovadores de cripto caminhos sob medida para captar recursos nos EUA, ao mesmo tempo em que oferece proteções adequadas aos investidores”, segundo Atkins. Essa abordagem busca equilibrar a facilitação da inovação com a missão central da SEC de proteger os investidores.
Ambos os chefes de agência posicionaram a orientação como complementar aos esforços legislativos em andamento. Atkins afirmou que a interpretação “serve como uma ponte importante para empreendedores e investidores enquanto o Congresso trabalha para avançar uma legislação bipartidária sobre a estrutura do mercado”, que ele está pronto para implementar com o presidente Selig em um futuro próximo.
Ao emitir uma orientação conjunta, a SEC e a CFTC sinalizaram que não esperarão o Congresso finalizar a legislação sobre a estrutura do mercado antes de fornecer clareza regulatória. A interpretação representa uma ação a nível de agência dentro dos marcos legais existentes.
A interpretação será publicada no site da CFTC e no Federal Register, fornecendo aviso oficial aos participantes do mercado. A orientação entra em vigor imediatamente após a publicação, embora a proposta de safe harbor siga procedimentos regulatórios separados.
A interpretação de 68 páginas estabelece que a maioria das criptomoedas não são valores mobiliários e fornece uma taxonomia de tokens categorizando stablecoins de pagamento, commodities digitais, ferramentas digitais e colecionáveis digitais como não-valor mobiliário. Explica como as leis federais de valores mobiliários se aplicam à mineração, staking, airdrops e wrapping de tokens, além de abordar quando um ativo cripto não-valor mobiliário pode tornar-se ou deixar de ser um contrato de investimento.
Sob o ex-presidente Gary Gensler, a SEC adotou uma postura mais cautelosa, promovendo ações de fiscalização contra várias empresas de cripto e afirmando que a maioria das criptomoedas eram valores mobiliários. O presidente Paul Atkins rejeitou explicitamente essa postura, afirmando “Não somos mais a ‘comissão de valores mobiliários e tudo mais’.” A orientação representa uma mudança rumo a linhas regulatórias mais claras e coordenação conjunta com a CFTC.
A SEC planeja propor uma regra que crie um programa de safe harbor permitindo que startups de cripto lancem empresas, contratos de investimento e tokens de valor mobiliário sem precisar se registrar imediatamente na agência. A safe harbor poderia durar até quatro anos, possibilitando acesso a capital enquanto oferece proteções aos investidores. Essa iniciativa busca equilibrar a facilitação da inovação com a conformidade regulatória enquanto as empresas desenvolvem suas redes.