Já alguma vez pensaste numa coisa destas —



Se um dia, abrires as notícias e vires aquele homem de camisola 7 a dizer calmamente «vou-me embora», não sentirias um aperto no peito, um vazio?

Se o Cristiano Ronaldo se virar realmente para trás, o que ele leva não são apenas as memórias de várias gerações.

O que ele arranca é o último filtro de herói do futebol moderno.

Primeiro, vou dizer-te alguns números, e vais perceber a nossa inquietação.

Cristiano Ronaldo marcou mais de 900 golos em jogos oficiais na carreira,

mais do que a soma dos golos em atividade dos três juntos: Messi, Mbappé e Haaland.

Melhor marcador da história das seleções

Melhor marcador da história da Liga dos Campeões

Melhor marcador da história do Real Madrid

5 Bolas de Ouro

5 Ligas dos Campeões

4 Chuteiras de Ouro europeias

Estes números podem parecer-te banais.

Mas pensa por outro ângulo —

A amplitude do seu pico de carreira, desde a primeira Bola de Ouro em 2008 até à quinta em 2017, foi de 10 anos completos.

E os seus golos nas ligas principais, dos 21 aos 36 anos, durante 15 épocas consecutivas, sempre marcou mais de 30 golos no total entre clube e seleção em cada época.

O que é que isso significa?

No futebol, há uma regra de ferro reconhecida: depois dos 32 anos, a eficácia de um avançado cai 30% a cada dois anos.

E o Cristiano Ronaldo?

Aos 32 anos, carregou o Real Madrid sozinho para a final na eliminatória da Liga dos Campeões;

Aos 35, ganhou a Chuteira de Ouro na Serie A;

Aos 37, fez um hat-trick na Premier League.

Ele teimosamente transformou esta curva, que deveria ser decrescente, numa linha horizontal.

Isto não é «manter a forma», é um desafio público às leis da biologia.

Porque é que estamos tão inquietos? Dito de forma clara, fomos mimados por ele.

No mundo normal do futebol:

Aos 35, chama-se veterano;

Aos 38, chama-se fóssil;

Aos 40, chama-se relíquia viva.

E este homem?

Da imaturidade em Lisboa, ao brilho no Manchester United, ao altar do Real Madrid, e finalmente ao ocaso na Arábia Saudita —

Ele forçou a palavra «pico» a durar 20 anos.

Com estes 20 anos, deu-nos uma ilusão enorme:

Enquanto ele continuar a correr, nós continuamos jovens;

Enquanto ele não disser adeus, essa era apaixonada ainda não terminou.

O que é ainda mais preocupante é que esta época já não produz homens tão duros assim.

Olha para o mercado de transferências atual —

Um miúdo de 20 anos, com meia época boa, pode ver o seu valor disparar para 100 milhões.

E depois? Assina contrato, compra um Lamborghini, contrata um agente de topo, publica duas fotos de treino, e está feito.

Se não estiver em forma, publica no Instagram «em ajuste mental».

O futebol tornou-se um trabalho, uma tarefa de bater o ponto.

E o Cristiano Ronaldo?

O médico da Juventus revelou uma vez um detalhe:

Quando o Cristiano Ronaldo chegou, os resultados dos exames médicos deixaram todos estupefactos.

A sua percentagem de gordura corporal manteve-se sempre entre 7% e 8%, enquanto um jogador profissional normal tem 10% a 12%;

A sua massa muscular era 5% superior à dos colegas 10 anos mais novos.

Isto não é talento.

É o capital conquistado com trezentas a quatrocentas flexões diárias, milhares de abdominais, banhos de gelo inalteráveis e gestão do sono.

O dinheiro pode moldar inúmeras novas estrelas, pode criar inúmeros génios.

Mas desculpa, não pode criar um segundo Cristiano Ronaldo.

Em 2018, na Liga dos Campeões contra a Juventus, aquele pontapé de bicicleta

Os adeptos visitantes levantaram-se e aplaudiram em conjunto.

Quantas vezes viste um adversário fazer com que os adeptos rivais se levantassem de livre vontade para o aplaudir?

Não foi porque ele marcou um golo bonito —

Foi porque todos viram:

Aquele homem de 33 anos saltou a uma altura de 2,38 metros e ficou no ar durante 1 segundo inteiro.

Naquele segundo, o tempo teve que lhe dar passagem.

O que mais mete medo é: será que as novas gerações estão realmente preparadas?

Mbappé é rápido? É.

Haaland é feroz? É.

Mas já alguma vez sentiste, por um instante, que lhes falta alguma coisa?

Os jogadores de hoje são cada vez mais como carros desportivos de fabrico preciso —

Dados bonitos, desempenho excelente, mas falta-lhes a alma.

Por isso, esta despedida está destinada a ser uma dor de parto para toda a indústria.

Quando esse dia realmente chegar,

Nesta encruzilhada de caminhos que se separam,

O mundo do futebol terá que aprender a seguir sozinho na noite sem totem.
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