Knaken Collapse Tests: supervisão do cripto neerlandês sob o MiCA

  • O Tribunal Distrital de Roterdão decidiu que a Knaken já não conseguia cumprir as suas obrigações para com os clientes.
  • Os procuradores neerlandeses intervieram no interesse público depois de a plataforma ter bloqueado o acesso dos utilizadores.
  • A falência surge num contexto em que os requisitos de licenciamento do MiCA estão a remodelar o mercado europeu de cripto.
  • Uma investigação criminal paralela está a analisar possíveis irregularidades financeiras.

Tribunal Apura Falta de Ativos de Vários Milhões de Euros **O Tribunal Distrital de Roterdão declarou a Knaken Cryptohandel B.V. e a sua fundação afiliada de pagamentos, Stichting Knaken Payments, falidas em 16 de julho, concluindo que a empresa enfrentava um défice substancial entre as responsabilidades para com os clientes e os ativos disponíveis. Segundo a decisão, cerca de €7 milhões ($8 milhões) em fundos dos clientes e ativos digitais não podem ser contabilizados. O tribunal afirmou que os utilizadores não foram informados do défice antes de a plataforma suspender os seus serviços. A falência coloca o controlo dos restantes ativos da Knaken, registos e administração financeira sob a alçada de um administrador fiduciário independente nomeado pelo tribunal, que será responsável por verificar os créditos dos credores e supervisionar o processo de liquidação. Procurador Público Tomou a Medida Inusual de Solicitar Falência Ao contrário da maioria dos casos de insolvência, o pedido de falência foi apresentado pelo Gabinete do Ministério Público neerlandês (Openbaar Ministerie) e não por credores ou pela própria empresa. Os procuradores defenderam que era necessária uma intervenção pública após a Knaken encerrar a sua plataforma de negociação, site e aplicações móveis, deixando os clientes sem acesso às informações da conta necessárias para salvaguardar os seus interesses legais. O tribunal também criticou a empresa por desencorajar os utilizadores de avançarem com ações legais enquanto o acesso às contas dos clientes permanecia indisponível. O procurador indicou vários fatores por trás da intervenção:

  • Cerca de 30.000 clientes perderam o acesso à plataforma.
  • Os utilizadores não conseguiram verificar os saldos das contas nem o histórico de transações.
  • Os clientes não tinham informação suficiente para iniciarem eles próprios processos de insolvência.
  • O tribunal considerou que era necessário um administrador fiduciário independente para garantir uma resolução ordenada.

MiCA Revelou Problemas Mais Profundos A Knaken cessou as operações no início de junho depois de não ter obtido autorização ao abrigo do quadro de Crypto-Assets (MiCA) da União Europeia. Com as novas regras, os prestadores de serviços de cripto que operam nos Países Baixos têm de obter aprovação da Autoridade Neerlandesa para os Mercados Financeiros (AFM). Sem licença, a Knaken interrompeu a negociação, uma medida que acabou por evidenciar a diferença entre as obrigações para com os clientes e os ativos disponíveis. A empresa argumentou que os ativos já congelados pelas autoridades, juntamente com os seus acordos de custódia, lhe permitiriam gerir as devoluções de forma independente. O tribunal rejeitou essa proposta, concluindo que apenas um administrador fiduciário de falência independente poderia salvaguardar os interesses dos credores. Investigação Criminal Continua Os processos de falência estão a decorrer em paralelo com uma investigação criminal liderada pelo Serviço de Informação Fiscal e Investigação neerlandês (FIOD). Os investigadores fizeram buscas nas instalações da empresa e apreenderam dispositivos digitais, registos empresariais e ativos corporativos remanescentes no âmbito de uma averiguação sobre possíveis fraudes, apropriação indébita ou branqueamento de capitais. Não tinham sido anunciadas detenções até meados de julho. Para os clientes, a prioridade imediata é o processo de reclamações. O administrador fiduciário nomeado pelo tribunal estabelecerá o procedimento para apresentação de reclamações, mas o défice confirmado de €7 milhões em ativos significa que as recuperações provavelmente dependerão do valor dos ativos restantes e do desfecho da investigação em curso, tornando incerta uma indemnização total.

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