

O Bitcoin pode funcionar como dinheiro digital, um ativo transferível e uma reserva de valor, mas seu preço volátil e a inexistência de um passivo correspondente o tornam fundamentalmente diferente da moeda fiduciária convencional ou da moeda emitida por bancos centrais. Por isso, o FMI avalia as políticas nacionais para o Bitcoin pelos efeitos que produzem na economia como um todo, e não por sua capitalização de mercado ou pelo desempenho como investimento.
Este material serve como referência para iniciantes que acompanham a abordagem do FMI em relação ao Bitcoin, a El Salvador, às reservas nacionais, à regulamentação e aos riscos da adoção em larga escala.
O documento Elementos de políticas eficazes para criptoativos do FMI afirma que os governos devem preservar a soberania monetária, fortalecer a política monetária, adotar regras tributárias claras e evitar conceder aos criptoativos o status de moeda oficial ou de moeda de curso legal.
A preocupação é a “criptoização”: a adoção generalizada poderia limitar a capacidade de um banco central de manter a estabilidade de preços, reduzir a demanda pela moeda nacional, complicar os controles de capital e expor famílias, bancos e receitas governamentais ao risco cambial. As transações com criptoativos também podem gerar lacunas de dados, fraude, problemas de proteção ao consumidor e riscos de lavagem de dinheiro.
Por esse motivo, a estrutura conjunta do FMI e do Conselho de Estabilidade Financeira apoia a regulamentação coordenada, a supervisão e regras rigorosas de prevenção à lavagem de dinheiro para provedores de serviços de criptoativos. A estrutura também defende transparência, segurança jurídica e regras tributárias que permitam às autoridades monitorar transações internacionais e a exposição do sistema financeiro.
El Salvador concedeu ao Bitcoin o status de moeda de curso legal em setembro de 2021, ao lado do dólar americano. O projeto pretendia ampliar o acesso a serviços financeiros, reduzir os custos de remessas e incorporar mais transações à economia formal. Na prática, o FMI constatou que o uso do Bitcoin permaneceu limitado: no auge do projeto, cerca de 20% das empresas entrevistadas o aceitavam, e apenas 4,9% das vendas eram pagas em Bitcoin.
Em fevereiro de 2025, o FMI aprovou para El Salvador um acordo ampliado de US$ 1,4 bilhão, e não simplesmente um resgate incondicional. Reformas legais tornaram voluntária a aceitação do Bitcoin pelo setor privado, exigiram o pagamento de impostos em dólares e eliminaram características essenciais de seu status de moeda de curso legal. Os termos do programa do FMI para El Salvador também restringiram as atividades do setor público relacionadas ao Bitcoin.
Em 3 de setembro de 2026, o FMI afirmou que a documentação demonstrava que o Bitcoin acumulado desde a primeira revisão do programa provinha de doações privadas, com nenhum recurso público utilizado, e que não era esperado qualquer acúmulo adicional além das doações documentadas. A Gate News também acompanhou este desenvolvimento mais recente sobre o Bitcoin em El Salvador e o FMI.
Segundo o Manual da balança de pagamentos 7 (BPM7) do FMI, o Bitcoin é um ativo não produzido e não financeiro, pois não tem um passivo correspondente. Ele é registrado na conta de capital, e não na conta financeira, e não se qualifica como ativo oficial de reserva. A atualização dos padrões do BPM7 do FMI explica essa classificação.
Essa distinção é importante ao discutir as reservas nacionais de Bitcoin. Dizer que o Bitcoin faz parte das “reservas cambiais” de um país não estaria de acordo com a estrutura estatística do FMI. Já algumas stablecoins que possuem passivos correspondentes podem se enquadrar em categorias de instrumentos financeiros, dependendo de suas características.
O FMI argumenta que a adoção em larga escala pode desviar recursos financeiros da economia real, expor receitas e despesas governamentais à volatilidade dos preços dos criptoativos, complicar a tributação e enfraquecer a confiança nas instituições monetárias. Se as obrigações fossem denominadas em Bitcoin, enquanto as despesas permanecessem principalmente em outra moeda, as contas fiscais poderiam ficar sujeitas a riscos substanciais de preço e de câmbio.
Isso não significa que todos os países devam proibir o Bitcoin. A abordagem preferida pelo FMI é permitir a inovação, assegurando ao mesmo tempo a integridade financeira, a proteção ao consumidor, instituições monetárias confiáveis e uma regulamentação transparente.
O preço de mercado do Bitcoin é uma questão distinta da questão de política pública sobre se os governos devem mantê-lo ou adotá-lo. Um trader que acompanhe a política do FMI junto com os movimentos do mercado pode comparar esses acontecimentos com o mercado BTC/USDT na Gate.com, reconhecendo que os preços do Bitcoin podem variar significativamente e que a negociação envolve riscos.
O FMI considera o Bitcoin um criptoativo de alto risco e sem lastro que os países podem regulamentar e permitir, mas que, em geral, não devem transformar em moeda de curso legal. El Salvador continua sendo o caso nacional mais claro. As prioridades do Fundo são a estabilidade monetária, a credibilidade fiscal, a clareza tributária, os controles de prevenção à lavagem de dinheiro, a proteção ao consumidor e a divulgação transparente de informações sobre criptoativos, e não impedir por completo o funcionamento do Bitcoin.
Não. O BPM7 classifica o Bitcoin como um ativo não produzido e não financeiro, pois ele não possui um passivo correspondente. Consequentemente, o Bitcoin não pode ser contabilizado como ativo oficial de reserva segundo a estrutura do FMI.
O FMI registrou 6081 BTC no valor aproximado de US$ 600 milhões em 24 de fevereiro de 2025. Rastreadores públicos mais recentes estimam um total próximo de 7770 BTC em setembro de 2026, embora os valores variem conforme o preço do Bitcoin e a composição exata dos ativos sob controle do setor público exija transparência entre as carteiras.
Não. O EFF de US$ 1,4 bilhão apoia um programa mais amplo de reformas econômicas que abrange finanças públicas, reservas, governança e resiliência financeira. A redução dos riscos relacionados ao Bitcoin é um dos componentes do programa, e não uma evidência de que o Bitcoin, por si só, tenha causado as dificuldades econômicas de El Salvador. Em setembro de 2026, o FMI afirmou que a atividade econômica havia superado as expectativas.
Não. O FMI recomenda uma regulamentação abrangente, e não uma proibição universal do Bitcoin. Sua estrutura de políticas enfatiza segurança jurídica, supervisão prudencial, tratamento tributário, controles de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo e proteção da soberania monetária.
Sim. Uma ordem executiva de 6 de março de 2025 estabeleceu uma reserva estratégica de Bitcoin dos Estados Unidos, utilizando Bitcoins de propriedade do governo obtidos principalmente por meio do confisco de ativos. A ordem da Casa Branca confirma a reserva, mas não estabelece, por si só, a estimativa frequentemente citada de exatamente 200.000 BTC. Portanto, esse número não deve ser apresentado como um saldo oficial fixo.











