
Stock-to-flow é uma razão que se obtém ao dividir o estoque atual (quantidade total disponível) de um ativo pelo fluxo anual (produção nova em um ano). Essa métrica é amplamente utilizada para medir a escassez de um ativo e a velocidade de sua emissão. Quanto maior a razão, mais lenta é a emissão e maior é a escassez relativa.
Por exemplo, as reservas de ouro representam o “estoque”, enquanto o ouro extraído a cada ano equivale ao “fluxo”. Com o Bitcoin, a lógica é similar: as moedas já emitidas on-chain compõem o estoque, enquanto as novas moedas mineradas no ano por meio das block rewards são o fluxo. Apesar de o stock-to-flow não definir o preço diretamente, ele oferece um contexto relevante para compreender a dinâmica de oferta no longo prazo.
A fórmula do stock-to-flow é: stock-to-flow = estoque ÷ fluxo anual. “Estoque” significa o suprimento circulante total, enquanto “fluxo anual” é a quantidade de novas unidades produzidas ao longo de um ano.
Para criptoativos, o fluxo anual geralmente depende das regras de emissão do protocolo, como block rewards ou parâmetros de inflação. A taxa de inflação pode ser interpretada como “fluxo anual ÷ estoque”—o inverso do stock-to-flow (desde que a medição seja consistente).
Passo 1: Defina padrões de medição. Utilize “suprimento circulante” como estoque e “emissão anual projetada” como fluxo anual, garantindo consistência nas unidades.
Passo 2: Colete dados. Consulte whitepapers dos projetos, block explorers ou fontes confiáveis para analisar o cronograma de emissão. No caso do Bitcoin, por exemplo, as block rewards passam por halving em intervalos fixos, permitindo estimar a emissão anual (baseando-se no protocolo do Bitcoin e no histórico de blocos).
Passo 3: Calcule e atualize. Com o tempo, o estoque se altera e, após cada halving, o fluxo também muda—por isso, é necessário atualizar os dados regularmente. Se o ativo tiver mecanismo de queima, o fluxo anual deve ser calculado como emissão líquida (“novas moedas emitidas menos as queimadas”); se a emissão líquida for negativa, o stock-to-flow perde valor intuitivo.
Nas páginas de informações dos ativos da Gate, normalmente estão disponíveis campos como “suprimento circulante” e “suprimento máximo”. Combinando esses dados às regras oficiais de emissão, você pode estimar o fluxo anual e calcular o stock-to-flow.
Cada halving do Bitcoin reduz o “fluxo” pela metade, praticamente dobrando a razão stock-to-flow no curto prazo e gerando uma tendência ascendente em degraus.
Pelo protocolo do Bitcoin, a cada aproximadamente 210.000 blocos, a block reward é dividida por dois. O halving mais recente ocorreu em abril de 2024, reduzindo as block rewards de 6,25 para 3,125 BTC (ver protocolo do Bitcoin, altura do bloco ~840.000, data: abril de 2024). O halving não altera imediatamente o estoque existente, mas reduz de forma significativa a emissão anual futura, elevando o stock-to-flow. Por isso, o mercado costuma enxergar o halving como um divisor de águas do lado da oferta, embora a reação dos preços dependa da demanda e do cenário macroeconômico.
O stock-to-flow é utilizado principalmente para comparar escassez e velocidade de emissão, além de acompanhar mudanças estruturais na dinâmica de oferta. Para ativos com limite fixo ou cronograma de emissão previsível, ele ajuda a construir uma visão de longo prazo sobre a oferta.
Na análise de ciclos, o stock-to-flow aumenta após eventos como o halving, sinalizando “redução da nova oferta marginal”. Isso é relevante para a receita dos mineradores, pressão de venda no mercado secundário e comportamento dos holders de longo prazo. Como referência de risco, a métrica lembra o investidor de que, mesmo com demanda estável, uma oferta mais restrita pode alterar o equilíbrio; porém, se a demanda enfraquecer, a oferta restrita pode não sustentar preços.
Importante: o stock-to-flow não é um modelo de precificação nem sinal de trade. Ele responde apenas à questão “a escassez mudou?”—não aborda demanda, liquidez ou impactos de políticas.
As razões stock-to-flow variam bastante entre classes de ativos. Metais preciosos costumam ter razões elevadas devido à produção restrita; metais industriais apresentam razões mais baixas por conta do consumo e extração mais intensos.
Dados históricos mostram que o stock-to-flow do ouro se mantém alto ao longo do tempo, seguido pela prata; o Bitcoin apresenta aumentos em degraus após cada halving, migrando de valores mais baixos para faixas superiores (tendência, não valores exatos). Tokens inflacionários com grande emissão anual têm razões stock-to-flow baixas; se um ativo inclui queima e passa por deflação líquida, o “fluxo anual” pode se aproximar de zero ou ficar negativo—nesses casos, o stock-to-flow perde sentido e métricas como “taxa de oferta líquida” tornam-se mais adequadas.
Assim, para comparações entre ativos, é essencial padronizar métricas: considerar se será usado “fluxo líquido” (novas moedas menos queimadas), contabilizar tokens bloqueados ou não adquiridos e garantir que os dados sejam de períodos comparáveis.
Na prática, o stock-to-flow funciona melhor como referência de cenário e timing—não como gatilho único de compra ou venda.
Passo 1: Identifique as regras de oferta. Veja se o ativo tem limite fixo, halving, metas de inflação, mecanismo de queima ou cronograma de desbloqueio. No Bitcoin, monitore os halvings; em outros tokens, revise as curvas de desbloqueio da tokenomics.
Passo 2: Estime os intervalos. Calcule o provável fluxo anual para os próximos 12 meses, estabelecendo faixas possíveis para o stock-to-flow, e atualize antes de eventos como halving ou grandes upgrades.
Passo 3: Combine com fatores de demanda e risco. Na Gate, acompanhe informações como “suprimento circulante” e “suprimento máximo”, além de atividade on-chain, entrada de capital, taxas de juros e liquidez. Use gestão de posições e stop-loss para cenários em que a oferta se restringe, mas a demanda enfraquece.
Para ferramentas: adicione eventos de halving ou desbloqueio à sua watchlist e aos alertas; combine com planos de investimento DCA ou aportes programados para alinhar eventos de oferta ao uso do capital.
O principal ponto de controvérsia é que o stock-to-flow considera apenas a oferta, enquanto o preço é definido tanto pela oferta quanto pela demanda. Historicamente, tentativas de ajustar o preço diretamente pelo stock-to-flow apresentaram desvios expressivos em determinados períodos—mostrando que modelos de fator único raramente explicam o preço de forma consistente.
As limitações incluem:
Portanto, o stock-to-flow deve ser visto como uma “nota de rodapé do lado da oferta”, não como preditor de preço.
Comparando com NVT: NVT (Network Value to Transactions) equivale a “market cap/volume de liquidação on-chain”, refletindo intensidade de uso e demanda; o stock-to-flow foca na dinâmica de oferta. Os dois são complementares—um mede oferta, outro demanda.
Comparando com MVRV: MVRV mede “market cap/realized value” para avaliar o saldo de lucro/prejuízo dos holders—refletindo o preço de entrada e potencial pressão de venda; o stock-to-flow ignora o custo de holding e observa apenas a emissão.
Comparando com metas de inflação ou taxas de oferta líquida: A taxa de inflação (“fluxo anual/estoque”) mostra quanto é adicionado anualmente; o stock-to-flow (seu inverso) destaca o ritmo lento de emissão. Em cenários deflacionários ou de fluxo quase nulo, a “taxa de oferta líquida” traz mais estabilidade.
Stock-to-flow é uma razão simples que esclarece a escassez de um ativo e o ritmo de produção do ponto de vista da oferta. Tem maior relevância para ativos como Bitcoin, com regras claras e emissão previsível—estando ligado a eventos como halving—mas não prevê preços diretamente. Para usar bem: combine o stock-to-flow com análise de demanda, liquidez, ambiente regulatório e atividade on-chain; atualize as métricas em grandes eventos de oferta. Confiar em um único indicador gera risco de viés—mantenha sempre margem de segurança e gestão de risco nas decisões de investimento.
“Estoque” é o suprimento total existente de um ativo; “fluxo” é a quantidade produzida em um período (geralmente um ano). O stock-to-flow equivale ao suprimento total dividido pelo novo suprimento anual—quanto maior a razão, maior a escassez de novas moedas. Essa métrica ajuda o investidor a avaliar o quão raro é um ativo; uma razão elevada normalmente indica potencial de valorização.
Uma razão stock-to-flow elevada significa que a emissão anual é pequena em relação ao estoque—dificultando que a demanda seja atendida pela nova produção, o que pode impulsionar o preço. É o caso do ouro: a mineração limitada mantém sua raridade e valor. Já uma razão baixa significa que muitas moedas novas entram no mercado a cada ano—geralmente levando ao excesso de oferta e pressão baixista.
Não. O stock-to-flow é mais eficiente para ativos em que a mineração é a principal fonte de novas moedas (como o Bitcoin). Para projetos com grandes quantias pré-mineradas, liberações de equipe ou inflação complexa, é menos útil. Além disso, ignora demanda de mercado e evolução tecnológica; deve ser combinado a outras análises—não usado isoladamente.
Há alguma correlação histórica entre stock-to-flow e preços de ativos—principalmente nos ciclos de halving do Bitcoin. Porém, a métrica é defasada; não prevê movimentos de curto prazo e pode falhar em mercados irracionais. O investidor deve usá-la como ferramenta de apoio—sentimento de mercado e fatores macroeconômicos são igualmente relevantes.
O stock-to-flow é útil para planejamento de portfólio de médio e longo prazo—considere aumentar posições em momentos de razão historicamente baixa e realizar lucros quando a razão estiver alta. Evite usar essa métrica sozinha para trades de curto prazo; combine com indicadores técnicos como candles e volume. As ferramentas de pesquisa da Gate trazem dados relevantes—adapte sua estratégia ao seu perfil de risco para melhores resultados.


