
Zero-knowledge machine learning é uma abordagem que envolve o “processo de inferência” de um modelo em uma prova de conhecimento zero. Assim, terceiros conseguem verificar que “seu cálculo está correto” sem acesso ao modelo ou aos dados de entrada. É como apresentar um comprovante de pagamento para provar que você pagou, sem mostrar a lista completa de itens adquiridos.
Provas de conhecimento zero são evidências matemáticas compactas, facilmente verificáveis por qualquer pessoa, sem revelar informações adicionais. Em machine learning, inferência é o processo em que um modelo recebe uma entrada e gera uma saída—por exemplo, identificar se uma imagem contém um gato. Zero-knowledge machine learning une esses conceitos, permitindo que contratos inteligentes em blockchain verifiquem se o resultado (como “é gato ou não”) está correto, sem expor a imagem de entrada ou detalhes do modelo.
Zero-knowledge machine learning resolve o dilema entre “confiabilidade” e “confidencialidade”: os resultados precisam ser confiáveis para múltiplas partes, mas os dados e o modelo devem permanecer privados. Isso é crucial em blockchains, onde os dados on-chain são transparentes, mas não apropriados para informações sensíveis.
Na prática, instituições evitam expor parâmetros proprietários ou segredos comerciais, enquanto usuários prezam pela privacidade. Reguladores exigem conformidade verificável e aplicações on-chain pedem baixo custo e alta confiança. Zero-knowledge machine learning viabiliza tanto a verificabilidade quanto a privacidade, tornando-se um elo fundamental entre IA e Web3.
A lógica central é: “comprometer primeiro, depois provar, depois verificar”.
Passo 1: Comprometer os parâmetros do modelo e as entradas por hashing—como selar itens em um envelope rotulado.
Passo 2: Realizar a inferência localmente e gerar uma prova concisa de que “com este modelo e esta entrada, se obtém este resultado”.
Passo 3: Submeter o resultado e a prova para um verificador ou contrato inteligente; o contrato apenas verifica a validade da prova, sem nunca acessar o “envelope”.
Há duas principais abordagens para sistemas de provas de conhecimento zero:
Para tornar a inferência do modelo comprovável, é preciso traduzir as operações do modelo em uma descrição computacional verificável, chamada de “circuito”. Imagine dividir cálculos complexos em pequenas etapas facilmente verificáveis. O sistema de provas então gera uma prova para esse “circuito”.
As operações on-chain seguem o modelo “inferência off-chain + verificação on-chain”. O usuário ou provedor realiza a inferência e gera as provas fora da blockchain; o contrato inteligente apenas verifica a prova, evitando cálculos on-chain onerosos.
Passo 1: Enviar compromissos. Hashes do modelo e da entrada são registrados on-chain ou mantidos offline para indicar o modelo e a entrada utilizados.
Passo 2: Gerar provas. Localmente ou no servidor, gerar uma prova de conhecimento zero mostrando que “essa inferência foi feita com o modelo e entrada comprometidos, resultando em R”.
Passo 3: Verificação on-chain. Acionar a função de validação do contrato inteligente, enviando resultado e prova. O contrato valida a prova; se aprovada, o resultado pode ser utilizado como dado confiável.
Em blockchains públicas como a Ethereum, o custo de verificação depende do sistema de provas escolhido. Em 2024, provas sucintas são verificadas a custos aceitáveis para a maioria das aplicações, geralmente por alguns dólares (variando conforme a congestão da rede e o contrato). Para reduzir custos, estratégias incluem mover a verificação para redes de Layer 2, usar provas recursivas para unir múltiplas inferências em uma só verificação e aplicar verificação em lote.
Zero-knowledge machine learning é ideal para situações em que o resultado precisa ser confiável, mas os detalhes devem permanecer confidenciais.
Zero-knowledge machine learning pode complementar, mas não substituir TEE (Trusted Execution Environment), MPC (Multi-Party Computation) ou criptografia homomórfica—cada abordagem tem seu foco.
Na prática, essas soluções são frequentemente combinadas—por exemplo, acelerando a geração de provas em TEE ou usando MPC para treinamento conjunto seguido de provas de conhecimento zero para inferência.
O início envolve três etapas principais:
Passo 1: Definir o objetivo. Escolha uma tarefa de decisão específica, como “esta transação é anormal?” ou “o preço ultrapassou o limite?”, e especifique quais partes devem ser confidenciais (parâmetros, dados, limites).
Passo 2: Seleção do modelo e construção do circuito. Prefira modelos leves (ex: pequenas árvores ou submódulos de redes convolucionais) e converta etapas de inferência em operações básicas verificáveis (“circuitização”). Modelos menores geram provas mais rápido. Fixe precisão e faixas de operadores para evitar complexidade de ponto flutuante.
Passo 3: Geração de provas e implantação do contrato. Selecione um sistema de provas e implemente o contrato de verificação; implante em Layer 2 ou Rollups para reduzir custos; reserve interfaces para batch ou recursão. Implemente logs e testes de replay para garantir consistência entre inferência off-chain e verificação on-chain.
Na engenharia, garanta consistência no pré-processamento (que deve ser comprovável), fixe aleatoriedade e seeds (para reprodutibilidade) e implemente limites de taxa e controles de acesso para evitar vazamento do modelo via consultas excessivas.
Zero-knowledge machine learning não é uma solução milagrosa; suas principais limitações envolvem desempenho e custo.
O setor caminha para três grandes avanços:
Em 2024, provas ocupam dezenas ou centenas de kilobytes, custos de verificação são controláveis e o ecossistema já viabiliza implantações para decisões baseadas em regras ou detecção de limiares—com tendência de expansão para casos mais complexos.
Zero-knowledge machine learning une “verificação confiável” e “proteção de privacidade” em blockchains: inferência offline gera provas sucintas rapidamente validadas on-chain, permitindo que contratos inteligentes usem resultados com segurança. Atualmente, tarefas de decisão objetivas, modelos leves e redes de Layer 2 são as opções mais viáveis. Combinar ZKML com TEE, MPC ou criptografia homomórfica proporciona equilíbrio entre desempenho e privacidade. Em aplicações de ativos ou risco, inclua auditoria, limitação de taxa e contingência para preservar fundos e integridade dos dados.
A diferença central está na proteção de privacidade. Machine learning tradicional exige envio de dados brutos para servidores centralizados, aumentando o risco de vazamento. Com zero-knowledge machine learning, o proprietário dos dados processa localmente e compartilha apenas o resultado e a prova de privacidade; os dados nunca deixam o dispositivo. É como receber uma entrega sem entregar as chaves de casa—o entregador só precisa confirmar sua identidade.
Há um trade-off de desempenho. Gerar e verificar provas de privacidade aumenta o processamento—geralmente 10 a 100 vezes mais lento que machine learning convencional, dependendo do modelo. Porém, esse overhead é aceitável em áreas sensíveis como saúde ou finanças. Com otimizações de hardware e algoritmos, essa diferença está diminuindo.
Sim. Zero-knowledge machine learning pode ser aplicado para detecção de risco on-chain e análise de fraudes—identificando padrões suspeitos e protegendo a privacidade do usuário. Por exemplo, na Gate, modelos ZKML podem validar o score de risco da sua conta sem expor histórico de transações ou saldo—oferecendo proteção confiável e invisível.
Provas de privacidade zero-knowledge são baseadas em fundamentos criptográficos considerados infalsificáveis com a tecnologia atual. Falsificá-las exigiria quebrar premissas criptográficas fundamentais. Mesmo assim, a segurança depende da implementação—por isso, escolha soluções auditadas e certificadas.
Não. Usar ZKML é como qualquer outro software—basta saber que sua privacidade está protegida. Toda a complexidade criptográfica fica encapsulada em interfaces amigáveis; com apps como o da Gate, o usuário só precisa seguir os passos para garantir privacidade—assim como usa a internet sem conhecer o protocolo TCP/IP.


