Economias dependentes do petróleo enfrentam uma pressão crescente quando os preços das commodities abrandam, e o Iraque fornece um exemplo clássico dessa vulnerabilidade. De acordo com a última avaliação da Fitch, a posição fiscal do país está a deteriorar-se significativamente, com o défice previsto atingir 9,7 por cento do PIB em 2025 — um aumento dramático face aos 2,7 por cento registados em 2024.
O Problema do Preço do Petróleo e o Colapso das Receitas
A deterioração deve-se principalmente a um fator: a queda abrupta das receitas do petróleo face a preços mais fracos do crude. Como o petróleo gera aproximadamente 90 por cento da receita do governo e compõe 40 por cento do PIB total, as flutuações de preço traduzem-se diretamente em crises fiscais. Para aumentar a pressão sobre as receitas, espera-se que as despesas do governo aumentem substancialmente à medida que os responsáveis políticos aumentam os gastos antes das eleições parlamentares, um padrão cíclico comum em períodos politicamente sensíveis.
Financiamento da Lacuna: Banco Central e Reservas de Caixa
O Iraque enfrenta um desafio de financiamento significativo à medida que os défices se ampliam. O relatório da Fitch indica que a maior parte do novo endividamento do governo será canalizada através do Banco Central do Iraque via compras indiretas de títulos. O governo também pode recorrer às suas substanciais reservas de caixa — que estavam em 17 por cento do PIB no final de 2024 — embora esses buffers sejam recursos finitos. Sem uma mudança estrutural nas fontes de receita, a dependência contínua do financiamento do Banco Central arrisca pressões inflacionárias.
Perspetiva de Médio Prazo: Défices a Persistir
O desequilíbrio fiscal não se espera que seja temporário. Assumindo que o Brent crude mantenha uma média de $65 por barril, a Fitch prevê que o défice irá atingir uma média de 8,8 por cento do PIB durante 2026-2027. Mais preocupante, a relação dívida/PIB está projetada para subir para 54,1 por cento até ao final de 2025 e atingir 62,5 por cento em 2027 — uma trajetória que sublinha a insustentabilidade dos caminhos fiscais atuais.
Produção de Petróleo: Recuperação à Vista
No entanto, há um ponto potencialmente positivo. A produção de petróleo contraiu 6 por cento em 2024, caindo para 3,8 milhões de barris por dia, principalmente devido à disciplina de produção da Opec+ destinada a reequilibrar a produção excessiva anterior. A Fitch antecipa uma recuperação, com a produção a crescer cerca de 6 por cento ao ano, atingindo uma média de 4,3 milhões de barris por dia durante o período de 2025-2027, à medida que os cortes voluntários da Opec+ se reduzem e as exportações regionais curdas aumentam.
Apostas de Investimento na Expansão
O Iraque garantiu parcerias estratégicas para impulsionar a capacidade de produção. Grandes empresas internacionais de petróleo — incluindo Chevron e ExxonMobil dos Estados Unidos, BP do Reino Unido, e TotalEnergies de França (que assinou um acordo multi-energia de $27 biliões em 2023) — estão a mobilizar capital para desbloquear reservas adicionais. Estes compromissos de longo prazo sugerem confiança internacional no potencial de produção do Iraque, embora os riscos de execução permaneçam.
O Paradoxo das Classificações
Apesar das crescentes pressões fiscais, dos desafios de governação e da dependência singular do Iraque nas exportações de petróleo, a Fitch manteve a sua classificação de risco de incumprimento de emissor de moeda estrangeira a longo prazo em “B-” — uma decisão que reflete uma avaliação ponderada da capacidade do país de honrar obrigações externas ao longo do tempo. Ainda assim, as vulnerabilidades estruturais permanecem evidentes: a economia do Iraque carece de diversificação, os riscos políticos persistem e as rigidezes fiscais limitam os mecanismos de ajustamento.
O desafio fundamental é claro: a estabilidade fiscal do Iraque depende quase inteiramente da dinâmica dos preços do petróleo e dos volumes de produção. Sem uma diversificação económica significativa ou disciplina nos gastos, o crescimento do PIB por si só pode ter dificuldades em absorver os níveis crescentes de dívida.
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Desequilíbrio económico do Iraque: Como a dependência do petróleo ameaça a estabilidade fiscal em 2025
Economias dependentes do petróleo enfrentam uma pressão crescente quando os preços das commodities abrandam, e o Iraque fornece um exemplo clássico dessa vulnerabilidade. De acordo com a última avaliação da Fitch, a posição fiscal do país está a deteriorar-se significativamente, com o défice previsto atingir 9,7 por cento do PIB em 2025 — um aumento dramático face aos 2,7 por cento registados em 2024.
O Problema do Preço do Petróleo e o Colapso das Receitas
A deterioração deve-se principalmente a um fator: a queda abrupta das receitas do petróleo face a preços mais fracos do crude. Como o petróleo gera aproximadamente 90 por cento da receita do governo e compõe 40 por cento do PIB total, as flutuações de preço traduzem-se diretamente em crises fiscais. Para aumentar a pressão sobre as receitas, espera-se que as despesas do governo aumentem substancialmente à medida que os responsáveis políticos aumentam os gastos antes das eleições parlamentares, um padrão cíclico comum em períodos politicamente sensíveis.
Financiamento da Lacuna: Banco Central e Reservas de Caixa
O Iraque enfrenta um desafio de financiamento significativo à medida que os défices se ampliam. O relatório da Fitch indica que a maior parte do novo endividamento do governo será canalizada através do Banco Central do Iraque via compras indiretas de títulos. O governo também pode recorrer às suas substanciais reservas de caixa — que estavam em 17 por cento do PIB no final de 2024 — embora esses buffers sejam recursos finitos. Sem uma mudança estrutural nas fontes de receita, a dependência contínua do financiamento do Banco Central arrisca pressões inflacionárias.
Perspetiva de Médio Prazo: Défices a Persistir
O desequilíbrio fiscal não se espera que seja temporário. Assumindo que o Brent crude mantenha uma média de $65 por barril, a Fitch prevê que o défice irá atingir uma média de 8,8 por cento do PIB durante 2026-2027. Mais preocupante, a relação dívida/PIB está projetada para subir para 54,1 por cento até ao final de 2025 e atingir 62,5 por cento em 2027 — uma trajetória que sublinha a insustentabilidade dos caminhos fiscais atuais.
Produção de Petróleo: Recuperação à Vista
No entanto, há um ponto potencialmente positivo. A produção de petróleo contraiu 6 por cento em 2024, caindo para 3,8 milhões de barris por dia, principalmente devido à disciplina de produção da Opec+ destinada a reequilibrar a produção excessiva anterior. A Fitch antecipa uma recuperação, com a produção a crescer cerca de 6 por cento ao ano, atingindo uma média de 4,3 milhões de barris por dia durante o período de 2025-2027, à medida que os cortes voluntários da Opec+ se reduzem e as exportações regionais curdas aumentam.
Apostas de Investimento na Expansão
O Iraque garantiu parcerias estratégicas para impulsionar a capacidade de produção. Grandes empresas internacionais de petróleo — incluindo Chevron e ExxonMobil dos Estados Unidos, BP do Reino Unido, e TotalEnergies de França (que assinou um acordo multi-energia de $27 biliões em 2023) — estão a mobilizar capital para desbloquear reservas adicionais. Estes compromissos de longo prazo sugerem confiança internacional no potencial de produção do Iraque, embora os riscos de execução permaneçam.
O Paradoxo das Classificações
Apesar das crescentes pressões fiscais, dos desafios de governação e da dependência singular do Iraque nas exportações de petróleo, a Fitch manteve a sua classificação de risco de incumprimento de emissor de moeda estrangeira a longo prazo em “B-” — uma decisão que reflete uma avaliação ponderada da capacidade do país de honrar obrigações externas ao longo do tempo. Ainda assim, as vulnerabilidades estruturais permanecem evidentes: a economia do Iraque carece de diversificação, os riscos políticos persistem e as rigidezes fiscais limitam os mecanismos de ajustamento.
O desafio fundamental é claro: a estabilidade fiscal do Iraque depende quase inteiramente da dinâmica dos preços do petróleo e dos volumes de produção. Sem uma diversificação económica significativa ou disciplina nos gastos, o crescimento do PIB por si só pode ter dificuldades em absorver os níveis crescentes de dívida.