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Aumento global na oferta de café afeta os mercados de Robusta e Arábica
Sinais de Venda de Preços Mudam o Sentimento do Mercado
Futuros de café contraíram-se acentuadamente nas últimas negociações, à medida que os participantes do mercado reavaliam os fundamentos de oferta. Os contratos de arábica de março (KCH26) caíram 3,41%, enquanto os de robusta de março (RMH26) diminuíram 1,02%, marcando uma reversão da força anterior impulsionada por preocupações climáticas no Brasil.
A venda reflete uma confluência de fatores baixistas: as previsões de chuva em todo o centro do Brasil aliviaram as preocupações de oferta relacionadas à seca, um dólar americano mais forte pressionou as commodities de forma geral, e as expectativas de uma produção global recorde de café reduziram o ímpeto de alta dos preços.
Pressões de Expansão de Oferta Afetam Ambas as Variedades de Café
A produção de robusta do Vietname está acelerando a um ritmo que está remodelando a dinâmica do mercado global. As exportações de café do país aumentaram 17,5% ano a ano em 2025, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. As previsões de produção apresentam uma imagem ainda mais dramática: a colheita de robusta de 2025/26 do Vietname deve subir 6,2%, atingindo 30,8 milhões de toneladas métricas (equivalente a 29,4 milhões de sacos), aproximando-se de um pico de quatro anos.
A oferta de arábica do Brasil também parece pronta para expandir, apesar da volatilidade climática recente. A Conab, agência federal de previsão de safra do Brasil, elevou sua estimativa de colheita de 2025 em 2,4% em dezembro, agora visando 56,54 milhões de sacos contra 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. Essa revisão ascendente ocorreu mesmo com Minas Gerais, a principal região de arábica do país, tendo níveis de umidade abaixo do normal — recebendo apenas 47,9 mm de chuva durante a semana até 2 de janeiro, representando apenas 67% da média histórica.
Dinâmica de Inventário e Superávit Estrutural
Os estoques de robusta na ICE caíram para mínimos de um ano em dezembro, antes de se recuperarem para máximos de cinco semanas. Os estoques de arábica exibiram volatilidade semelhante, caindo para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, e recuperando para 461.829 sacos até meados da semana. Essas oscilações destacam a sensibilidade do mercado aos sinais de oferta.
Compradores nos EUA reduziram significativamente as compras de café brasileiro, limitados por regimes tarifários anteriores. Embora as tarifas de importação tenham sido reduzidas, as reservas de café nos EUA permanecem restritas. De agosto a outubro — período em que as tarifas estavam em vigor — as importações americanas de café brasileiro caíram 52% em relação ao ano anterior, para 983.970 sacos, criando um déficit estrutural que ainda não se normalizou completamente.
Perspectiva de Produção Recorde Pressiona os Preços de Longo Prazo
A produção global de café deve atingir níveis sem precedentes em 2025/26. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta uma produção mundial de 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de 2% ao ano. A produção de arábica deve cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — uma mudança de composição que favorece variedades de robusta de menor preço.
A colheita do Brasil, apesar das revisões otimistas da Conab, deve diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos, segundo estimativas do FAS, sugerindo que o ciclo de crescimento do país pode estar moderando-se. Em contraste, a trajetória de produção do Vietname permanece fortemente ascendente.
A Organização Internacional do Café observou em novembro que as exportações globais de café do ano de marketing de outubro a setembro caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, embora isso reflita a atual escassez que as previsões de oferta sugerem que será bastante revertida.
O Que Esperar para os Preços do Café
Os estoques finais para 2025/26 estão projetados para contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, indicando algum suporte estrutural. No entanto, as expectativas de colheitas robustas em regiões produtoras principais — especialmente a aceleração do Vietname — sugerem que a equação oferta-demanda está se inclinando decisivamente para o lado baixista. O clima no Brasil e no Vietname continua sendo uma variável importante a monitorar, mas o consenso aponta para uma disponibilidade abundante que restringirá a recuperação dos preços no curto prazo.