Aos 23 anos fui empurrado pelos tubarões do mercado até à "venda do corpo para sobreviver".



Aos 23 anos.

Nessa idade, os outros estão em estágios, em relacionamentos, a poupar para a entrada da casa.

E eu? A manter viva a minha posição.

Porra, nem sequer vendi um rim, e já vendi a dignidade toda.

Três da manhã num quarto de hotel, calças meio levantadas, uma ricaça acabava de transferir 8000U para me salvar da liquidação.

Ela tocava na minha cabeça e disse: "Rapazinho ainda tens bom aspecto, da próxima vez que explodires vem direto à minha, sem precisares de desculpas."

Sorria de forma mais triste do que chorar.

Aos 23 anos, devia ser a altura de estar cheio de vigor e ambição, mas o que mais medo tenho agora não é perder dinheiro, é o medo de da próxima vez ela achar que já sou velho e não valho a pena.

Os tubarões do mercado saem da posição alta a rir sem parar.

Eu estou em posição baixa ajoelhado a chamar-lhe "irmã" a pedir extensão de crédito.

A liquidez seca-me, ela esgota-me.

É tudo colheita, só que a forma é muito mais direta mesmo.

Agora a posição está ligeiramente verde.

Mas quando me vejo no espelho do telemóvel, não vejo um jovem, vejo um entulho que gastou a sua vida inesperadamente ao ponto de ficar careca.

Aos 23 anos aprendi a trocar o corpo por U.

Se isto continuar mais algumas vezes, medo é que tenha de mudar de profissão e ser uma ferramenta profissional de prolongação de crédito.
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