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Hoje percebi um desenvolvimento interessante. Os maiores bancos do mundo e operadores de infraestrutura de mercado emitiram um aviso sério sobre o futuro dos valores mobiliários tokenizados.
De acordo com o relatório publicado em parceria pelo DTCC, Euroclear e Clearstream com o Boston Consulting Group, há atualmente um grande problema à nossa frente: sem uma operação compatível entre blockchains e sistemas financeiros tradicionais, a tokenização nunca poderá escalar.
A essência do assunto é a seguinte - atualmente, dezenas de blockchains diferentes estão em fase de piloto ou possuem produtos ativos. Cada uma usa seus próprios padrões e lógica de contratos inteligentes. O que essa diversidade significa? Altos custos operacionais, liquidez fragmentada e um pesadelo de integração.
Os maiores bancos do mundo e essas instituições defendem que, em vez de um único livro-razão dominante, deve surgir um modelo de 'rede de redes'. Ou seja, conectar sistemas digitais e tradicionais por meio de padrões, gateways e provedores de serviços regulados. Princípio fundamental: o mesmo ativo, os mesmos direitos, o mesmo resultado.
O relatório aceita que essa coexistência durará anos. Títulos tokenizados podem ser negociados na cadeia, mas o dinheiro ainda é liquidado por sistemas tradicionais. Os custodiante ainda mantêm seus próprios livros. Essa situação híbrida traz muitos passos adicionais e atrasos.
Os autores destacam que a interoperabilidade não deve ser apenas pontes técnicas, mas também envolver reconhecimento de ativos, direitos de propriedade, eventos de ciclo de vida e aplicabilidade legal. Sem harmonia entre essas camadas, as operações entre cadeias perderão os ganhos de eficiência prometidos.
O grupo convoca reguladores e participantes do mercado a formar grupos de trabalho. É necessário um esforço coordenado sobre governança, padrões e resiliência. Caso contrário, a tokenização, operações 24/7 e liquidação rápida ficarão limitadas em seu potencial.
Essa discussão conflita com as alegações de Wall Street de que a tokenização irá redesenhar os mercados financeiros. Liquidação mais rápida, uso mais eficiente de garantias, redução de custos de back-office - esses são os verdadeiros potenciais. Mas, segundo o relatório, é mais importante unificar as regras para gerenciar as existentes do que lançar novas cadeias.