Em dezembro de 2025, ocorreu uma transformação notável no sistema de regulação financeira dos EUA. A presidente interina da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), Caroline Pham, anunciou em novembro a criação de um órgão consultivo de alto nível — o “Grupo de Trabalho de Inovação do Comitê Consultivo de Ativos Digitais”. Este grupo de 12 membros foi cuidadosamente estruturado para equilibrar os poderes, refletindo uma evolução profunda no pensamento regulatório.
Mais do que um simples comitê, trata-se de uma resposta sistemática às dificuldades enfrentadas pela regulação de criptomoedas nos EUA na última década. Quando gigantes tradicionais do setor financeiro e nativos do universo cripto se sentam à mesma mesa, todos percebem que a era de simplesmente estabelecer regras chegou ao fim.
O poder por trás de 12 identidades
Este grupo foi organizado em uma estrutura de três camadas.
Primeira camada: o discurso do setor financeiro tradicional. Líderes como Teri Duffy, CEO do CME Group, e Adina Friedman, CEO da Nasdaq, garantem que a voz do sistema financeiro centenário não seja marginalizada. Representam experiência consolidada em liquidez, gestão de riscos e infraestrutura de mercado.
Segunda camada: os praticantes do ecossistema cripto. Executivos de exchanges como Kraken, Gemini, Crypto.com trazem modelos de negócio inovadores — negociações 24/7, contratos perpétuos, liquidação descentralizada. Os dados de transações diárias, cenários de risco e soluções tecnológicas dessas plataformas são incompreensíveis para qualquer estrutura regulatória tradicional.
Terceira camada, a mais simbólica — fundadores de plataformas de mercado preditivo como Polymarket e Kalshi foram incluídos. Essas empresas operam na zona cinzenta da regulação há anos, e sua participação indica uma mudança de estratégia da CFTC — ao invés de reprimir inovadores fora da fronteira, convidá-los a participar na elaboração das regras.
Essa mistura não é por acaso, mas uma declaração estratégica: a regulação americana não mais escolhe lados, mas busca criar um arcabouço que acolha todos os participantes.
Da “construção de muros” à “construção de estradas”: uma mudança de filosofia regulatória
Na última década, a relação entre regulação financeira e indústria de criptomoedas nos EUA foi uma espécie de “jogo de gato e rato” — um lado impõe limites, o outro busca brechas. Essa iniciativa da CFTC marca uma postura completamente diferente: convidar todos os “construtores de estradas” a participarem na definição das regras de trânsito.
Essa mudança não nasce de boas intenções, mas de uma pressão real e crescente.
O mercado global de derivativos cripto cresce exponencialmente, enquanto a fragmentação regulatória nos EUA se aprofunda. A sobreposição de poderes entre SEC e CFTC é confusa, levando muitos projetos inovadores a abandonarem o mercado americano. Como consequência, os EUA perdem espaço na competição financeira cripto global — capital, talentos e liquidez migrando para jurisdições mais amigáveis.
Os dois partidos no Congresso apoiam a ampliação da autoridade da CFTC sobre o mercado de ativos digitais à vista. Nesse contexto, a criação do Comitê de Inovação pode ser vista como uma estratégia de “reservatório de capacidades” e “acúmulo de consenso” — preparando o terreno para uma nova estrutura legal.
Ao integrar os participantes mais influentes e controversos do mercado na estrutura de consulta formal, a CFTC busca três objetivos: primeiro, obter conhecimento de ponta do mercado para evitar desalinhamentos regulatórios; segundo, resolver divergências potenciais antes da formulação de regras, aumentando a eficiência na implementação futura; terceiro, demonstrar a abertura e inovação dos EUA na competição regulatória internacional.
Momentos delicados na transferência de poder
A decisão foi tomada em um momento sensível. Caroline Pham é reconhecida como defensora da inovação regulatória, frequentemente enfatizando que os reguladores devem entender ativamente a tecnologia, e não apenas reagir passivamente. Este comitê pode ser visto como uma condensação de sua visão de gestão.
Porém, o mandato de Pham está chegando ao fim. O novo presidente, Mike Selig, já foi aprovado pelo Comitê de Agricultura do Senado e aguarda votação plena. Selig participou de trabalhos relacionados a criptomoedas na SEC e é considerado um realista.
Antes de deixar o cargo, a rápida criação deste comitê é interpretada amplamente como o “legado político” de Pham — ela estabeleceu um mecanismo institucional de diálogo de alto nível, difícil de ser ignorado ou abolido por sucessores, pois seus membros são grandes nomes do setor.
Isso deixa uma dúvida: o novo presidente continuará essa direção ou mudará a agenda, talvez até ignorando o comitê? A transferência de poder na regulação é um pano de fundo político crucial para avaliar se o comitê poderá gerar resultados concretos.
Seis desafios fundamentais
O trabalho do comitê não será uma discussão superficial, mas enfrentará seis questões profundas e complexas, que desafiam o sistema regulatório atual:
Tokenização de ativos: Como regular tokens na blockchain lastreados em ativos reais (títulos, imóveis etc.)? Como criar canais legais para ativos tradicionais avaliados em trilhões de dólares?
Classificação de ativos digitais: Quando a SEC insiste na classificação como “valores mobiliários”, como a CFTC pode definir “commodity” dentro de sua jurisdição? Essa é uma questão-chave para delimitar o poder regulatório.
Infraestrutura de negociação 24/7: O mercado tradicional depende do conceito de “dias de negociação”, enquanto o mercado cripto funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Como monitorar riscos, gerenciar operações de backend e alocar recursos humanos nesse cenário? Isso exige uma mudança estrutural na infraestrutura do setor.
Contratos perpétuos: Derivativos sem vencimento, comuns no universo cripto, usam taxas de financiamento ao invés de datas de expiração, com uma estrutura de risco diferente dos futuros tradicionais, demandando novas ferramentas regulatórias.
Legalidade dos mercados preditivos: Uma questão inovadora. É possível legalizar mercados de previsão de eventos políticos ou esportivos sob a forma de derivativos financeiros? Essa interseção entre finanças, direito e política social é um território inexplorado.
Padrões de liquidação e custódia na cadeia: Desde a liquidação até a gestão de risco de contraparte, todos os “canos” precisam de uma redefinição de padrões de segurança. Essa é a base para a estabilidade do mercado.
Propor esses seis desafios significa que a CFTC não está apenas criando regras dispersas, mas promovendo uma reformulação sistêmica do arcabouço regulatório.
Do compromisso à realidade: o longo caminho
A criação do comitê é apenas o começo. Do diálogo ao consenso, até um quadro regulatório com força de lei, o percurso é longo e cheio de incertezas.
Quando será realizada a primeira reunião? Os debates serão públicos e transparentes? Esses detalhes ainda não foram divulgados. O maior mistério está na forma de resultado: será um white paper sem força vinculativa, uma proposta legislativa enviada ao Congresso ou a própria CFTC iniciando regras piloto?
O mercado tem expectativas complexas. Por um lado, é um sinal positivo de mudança de postura regulatória, abrindo canais de comunicação direta com o setor. Por outro, há divergências profundas — bolsas tradicionais buscam competição justa, plataformas cripto querem reconhecimento regulatório, mercados preditivos desejam status legal. O comitê conseguirá encontrar um ponto de equilíbrio aceitável por todos ou se tornará um “clube de conversas vazias”? Essa questão já surgiu na sua criação.
Um sinal para a nova era regulatória
A emergência do Grupo de Trabalho de Inovação já reescreveu a narrativa da regulação de criptomoedas nos EUA. Não se trata mais de uma simples oposição entre reguladores e inovadores, mas de uma fase mais complexa e construtiva: no vazio regulatório, as instituições e os participantes do mercado estão construindo juntos a primeira cerca de proteção segura.
O sucesso dessa experiência influenciará diretamente a competitividade do mercado financeiro americano. Mas, mais importante, pode se tornar um modelo global de regulação financeira na era digital — onde reguladores e inovadores deixam de ser adversários e passam a ser co-construtores.
A mudança de rumo do sistema regulatório dos EUA marca a transição das criptomoedas de uma “zona proibida” para um “campo que exige compreensão”. Do ponto de vista de elaboração de regras, já foi lançada a base de um novo manual de trânsito — o que resta é a paciência e a sabedoria das partes para escreverem juntos esse manual.
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A viragem histórica da CFTC: de confronto a diálogo, uma nova era na regulamentação de criptomoedas nos EUA
Uma mudança silenciosa na redistribuição do poder
Em dezembro de 2025, ocorreu uma transformação notável no sistema de regulação financeira dos EUA. A presidente interina da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), Caroline Pham, anunciou em novembro a criação de um órgão consultivo de alto nível — o “Grupo de Trabalho de Inovação do Comitê Consultivo de Ativos Digitais”. Este grupo de 12 membros foi cuidadosamente estruturado para equilibrar os poderes, refletindo uma evolução profunda no pensamento regulatório.
Mais do que um simples comitê, trata-se de uma resposta sistemática às dificuldades enfrentadas pela regulação de criptomoedas nos EUA na última década. Quando gigantes tradicionais do setor financeiro e nativos do universo cripto se sentam à mesma mesa, todos percebem que a era de simplesmente estabelecer regras chegou ao fim.
O poder por trás de 12 identidades
Este grupo foi organizado em uma estrutura de três camadas.
Primeira camada: o discurso do setor financeiro tradicional. Líderes como Teri Duffy, CEO do CME Group, e Adina Friedman, CEO da Nasdaq, garantem que a voz do sistema financeiro centenário não seja marginalizada. Representam experiência consolidada em liquidez, gestão de riscos e infraestrutura de mercado.
Segunda camada: os praticantes do ecossistema cripto. Executivos de exchanges como Kraken, Gemini, Crypto.com trazem modelos de negócio inovadores — negociações 24/7, contratos perpétuos, liquidação descentralizada. Os dados de transações diárias, cenários de risco e soluções tecnológicas dessas plataformas são incompreensíveis para qualquer estrutura regulatória tradicional.
Terceira camada, a mais simbólica — fundadores de plataformas de mercado preditivo como Polymarket e Kalshi foram incluídos. Essas empresas operam na zona cinzenta da regulação há anos, e sua participação indica uma mudança de estratégia da CFTC — ao invés de reprimir inovadores fora da fronteira, convidá-los a participar na elaboração das regras.
Essa mistura não é por acaso, mas uma declaração estratégica: a regulação americana não mais escolhe lados, mas busca criar um arcabouço que acolha todos os participantes.
Da “construção de muros” à “construção de estradas”: uma mudança de filosofia regulatória
Na última década, a relação entre regulação financeira e indústria de criptomoedas nos EUA foi uma espécie de “jogo de gato e rato” — um lado impõe limites, o outro busca brechas. Essa iniciativa da CFTC marca uma postura completamente diferente: convidar todos os “construtores de estradas” a participarem na definição das regras de trânsito.
Essa mudança não nasce de boas intenções, mas de uma pressão real e crescente.
O mercado global de derivativos cripto cresce exponencialmente, enquanto a fragmentação regulatória nos EUA se aprofunda. A sobreposição de poderes entre SEC e CFTC é confusa, levando muitos projetos inovadores a abandonarem o mercado americano. Como consequência, os EUA perdem espaço na competição financeira cripto global — capital, talentos e liquidez migrando para jurisdições mais amigáveis.
Os dois partidos no Congresso apoiam a ampliação da autoridade da CFTC sobre o mercado de ativos digitais à vista. Nesse contexto, a criação do Comitê de Inovação pode ser vista como uma estratégia de “reservatório de capacidades” e “acúmulo de consenso” — preparando o terreno para uma nova estrutura legal.
Ao integrar os participantes mais influentes e controversos do mercado na estrutura de consulta formal, a CFTC busca três objetivos: primeiro, obter conhecimento de ponta do mercado para evitar desalinhamentos regulatórios; segundo, resolver divergências potenciais antes da formulação de regras, aumentando a eficiência na implementação futura; terceiro, demonstrar a abertura e inovação dos EUA na competição regulatória internacional.
Momentos delicados na transferência de poder
A decisão foi tomada em um momento sensível. Caroline Pham é reconhecida como defensora da inovação regulatória, frequentemente enfatizando que os reguladores devem entender ativamente a tecnologia, e não apenas reagir passivamente. Este comitê pode ser visto como uma condensação de sua visão de gestão.
Porém, o mandato de Pham está chegando ao fim. O novo presidente, Mike Selig, já foi aprovado pelo Comitê de Agricultura do Senado e aguarda votação plena. Selig participou de trabalhos relacionados a criptomoedas na SEC e é considerado um realista.
Antes de deixar o cargo, a rápida criação deste comitê é interpretada amplamente como o “legado político” de Pham — ela estabeleceu um mecanismo institucional de diálogo de alto nível, difícil de ser ignorado ou abolido por sucessores, pois seus membros são grandes nomes do setor.
Isso deixa uma dúvida: o novo presidente continuará essa direção ou mudará a agenda, talvez até ignorando o comitê? A transferência de poder na regulação é um pano de fundo político crucial para avaliar se o comitê poderá gerar resultados concretos.
Seis desafios fundamentais
O trabalho do comitê não será uma discussão superficial, mas enfrentará seis questões profundas e complexas, que desafiam o sistema regulatório atual:
Tokenização de ativos: Como regular tokens na blockchain lastreados em ativos reais (títulos, imóveis etc.)? Como criar canais legais para ativos tradicionais avaliados em trilhões de dólares?
Classificação de ativos digitais: Quando a SEC insiste na classificação como “valores mobiliários”, como a CFTC pode definir “commodity” dentro de sua jurisdição? Essa é uma questão-chave para delimitar o poder regulatório.
Infraestrutura de negociação 24/7: O mercado tradicional depende do conceito de “dias de negociação”, enquanto o mercado cripto funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Como monitorar riscos, gerenciar operações de backend e alocar recursos humanos nesse cenário? Isso exige uma mudança estrutural na infraestrutura do setor.
Contratos perpétuos: Derivativos sem vencimento, comuns no universo cripto, usam taxas de financiamento ao invés de datas de expiração, com uma estrutura de risco diferente dos futuros tradicionais, demandando novas ferramentas regulatórias.
Legalidade dos mercados preditivos: Uma questão inovadora. É possível legalizar mercados de previsão de eventos políticos ou esportivos sob a forma de derivativos financeiros? Essa interseção entre finanças, direito e política social é um território inexplorado.
Padrões de liquidação e custódia na cadeia: Desde a liquidação até a gestão de risco de contraparte, todos os “canos” precisam de uma redefinição de padrões de segurança. Essa é a base para a estabilidade do mercado.
Propor esses seis desafios significa que a CFTC não está apenas criando regras dispersas, mas promovendo uma reformulação sistêmica do arcabouço regulatório.
Do compromisso à realidade: o longo caminho
A criação do comitê é apenas o começo. Do diálogo ao consenso, até um quadro regulatório com força de lei, o percurso é longo e cheio de incertezas.
Quando será realizada a primeira reunião? Os debates serão públicos e transparentes? Esses detalhes ainda não foram divulgados. O maior mistério está na forma de resultado: será um white paper sem força vinculativa, uma proposta legislativa enviada ao Congresso ou a própria CFTC iniciando regras piloto?
O mercado tem expectativas complexas. Por um lado, é um sinal positivo de mudança de postura regulatória, abrindo canais de comunicação direta com o setor. Por outro, há divergências profundas — bolsas tradicionais buscam competição justa, plataformas cripto querem reconhecimento regulatório, mercados preditivos desejam status legal. O comitê conseguirá encontrar um ponto de equilíbrio aceitável por todos ou se tornará um “clube de conversas vazias”? Essa questão já surgiu na sua criação.
Um sinal para a nova era regulatória
A emergência do Grupo de Trabalho de Inovação já reescreveu a narrativa da regulação de criptomoedas nos EUA. Não se trata mais de uma simples oposição entre reguladores e inovadores, mas de uma fase mais complexa e construtiva: no vazio regulatório, as instituições e os participantes do mercado estão construindo juntos a primeira cerca de proteção segura.
O sucesso dessa experiência influenciará diretamente a competitividade do mercado financeiro americano. Mas, mais importante, pode se tornar um modelo global de regulação financeira na era digital — onde reguladores e inovadores deixam de ser adversários e passam a ser co-construtores.
A mudança de rumo do sistema regulatório dos EUA marca a transição das criptomoedas de uma “zona proibida” para um “campo que exige compreensão”. Do ponto de vista de elaboração de regras, já foi lançada a base de um novo manual de trânsito — o que resta é a paciência e a sabedoria das partes para escreverem juntos esse manual.