A bolsa de valores da Índia experimentou um colapso significativo na quinta-feira, refletindo o nervosismo dos investidores diante da ameaça de aumentos tarifários dos Estados Unidos. A queda não apenas atingiu recordes de volatilidade, como também revelou as vulnerabilidades estruturais da economia indiana frente às pressões comerciais externas.
Índices indianos registram seu pior desempenho em quatro meses
O Sensex caiu 0,93%, enquanto o Nifty 50 perdeu 1,04%, marcando a deterioração mais severa em um único pregão desde agosto de 2021. Nos últimos sete dias, os dois índices de referência acumulam perdas de 1,8% e 1,7%, respectivamente, evidenciando um movimento coordenado de saída de capital.
A gigante Reliance Industries liderou o movimento pessimista, recuando 2,2%, arrastandoConsigo os principais setores econômicos. A debilidade foi generalizada: os 16 principais setores fecharam em queda, com destaque para metais (queda de 3,4%, o pior desempenho em nove meses) e petróleo/gás (recuo de 2,8%).
Setores exportadores sofrem o maior impacto
As empresas com exposição significativa ao mercado americano foram as mais atingidas. As exportadoras de frutos do mar Apex Frozen e Avanti Feeds registraram quedas de 7,8% e 8,6%, respectivamente. No setor têxtil, a situação mostrou-se ainda mais crítica: Gokaldas Exports caiu 8,5%, enquanto Pearl Global Industries recuou 7,9%.
Estes declínios refletem a realidade de que mais da metade das receitas dessas empresas provêm do mercado norte-americano, tornando-as extremamente sensíveis a mudanças nas políticas comerciais dos EUA. A Larsen & Toubro e a BHEL também sofreram perdas consideráveis, com quedas de 3,1% e 10,5%, respectivamente.
A questão do petróleo russo e o ultimato comercial
A raiz da turbulência está na possibilidade de tarifas punitivasde até 500% sobre as importações indianas. O governo dos EUA teria indicado que estas tarifas extremas seriam impostas caso a Índia continue importando petróleo bruto da Rússia, seu segundo fornecedor em volume.
Atualmente, os EUA já aplicam tarifas de 50% sobre as exportações indianas. A Índia buscou negociar uma redução, argumentando ter diminuído suas relações comerciais com Moscou. Porém, os dados energéticos mostram que a redução foi impulsionada principalmente pela Reliance Industries após sanções americanas a produtoras russas, não por uma política estatal deliberada.
Fuga de investidores estrangeiros intensifica a pressão
A incerteza tarifária acelerou a liquidação por investidores internacionais. Desde o início do ano, capital estrangeiro de US$ 900 milhões foi retirado da bolsa indiana, contrastando dramaticamente com o recorde de vendas de US$ 19 bilhões em 2022.
Anita Gandhi, chefe da área institucional da Arihant Capital Markets, sintetizou o sentimento do mercado: “Os mercados não estão confortáveis com a incerteza em relação às tarifas”. A rupia indiana também fechou em baixa, refletindo a aversão ao risco geral. O setor de tecnologia da informação, que havia avançado 2,4% nas duas sessões anteriores, perdeu 2%, ilustrando a reversão rápida de tendências em ambientes de elevada incerteza.
A situação da Índia exemplifica como economias emergentes, mesmo as mais dinâmicas, permanecem vulneráveis às decisões políticas comerciais de potências econômicas maiores, particularmente quando questões geopolíticas como a relação com a Rússia entram em jogo.
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Tarifas americanas provocam onda de liquidação no mercado de ações indiano
A bolsa de valores da Índia experimentou um colapso significativo na quinta-feira, refletindo o nervosismo dos investidores diante da ameaça de aumentos tarifários dos Estados Unidos. A queda não apenas atingiu recordes de volatilidade, como também revelou as vulnerabilidades estruturais da economia indiana frente às pressões comerciais externas.
Índices indianos registram seu pior desempenho em quatro meses
O Sensex caiu 0,93%, enquanto o Nifty 50 perdeu 1,04%, marcando a deterioração mais severa em um único pregão desde agosto de 2021. Nos últimos sete dias, os dois índices de referência acumulam perdas de 1,8% e 1,7%, respectivamente, evidenciando um movimento coordenado de saída de capital.
A gigante Reliance Industries liderou o movimento pessimista, recuando 2,2%, arrastandoConsigo os principais setores econômicos. A debilidade foi generalizada: os 16 principais setores fecharam em queda, com destaque para metais (queda de 3,4%, o pior desempenho em nove meses) e petróleo/gás (recuo de 2,8%).
Setores exportadores sofrem o maior impacto
As empresas com exposição significativa ao mercado americano foram as mais atingidas. As exportadoras de frutos do mar Apex Frozen e Avanti Feeds registraram quedas de 7,8% e 8,6%, respectivamente. No setor têxtil, a situação mostrou-se ainda mais crítica: Gokaldas Exports caiu 8,5%, enquanto Pearl Global Industries recuou 7,9%.
Estes declínios refletem a realidade de que mais da metade das receitas dessas empresas provêm do mercado norte-americano, tornando-as extremamente sensíveis a mudanças nas políticas comerciais dos EUA. A Larsen & Toubro e a BHEL também sofreram perdas consideráveis, com quedas de 3,1% e 10,5%, respectivamente.
A questão do petróleo russo e o ultimato comercial
A raiz da turbulência está na possibilidade de tarifas punitivasde até 500% sobre as importações indianas. O governo dos EUA teria indicado que estas tarifas extremas seriam impostas caso a Índia continue importando petróleo bruto da Rússia, seu segundo fornecedor em volume.
Atualmente, os EUA já aplicam tarifas de 50% sobre as exportações indianas. A Índia buscou negociar uma redução, argumentando ter diminuído suas relações comerciais com Moscou. Porém, os dados energéticos mostram que a redução foi impulsionada principalmente pela Reliance Industries após sanções americanas a produtoras russas, não por uma política estatal deliberada.
Fuga de investidores estrangeiros intensifica a pressão
A incerteza tarifária acelerou a liquidação por investidores internacionais. Desde o início do ano, capital estrangeiro de US$ 900 milhões foi retirado da bolsa indiana, contrastando dramaticamente com o recorde de vendas de US$ 19 bilhões em 2022.
Anita Gandhi, chefe da área institucional da Arihant Capital Markets, sintetizou o sentimento do mercado: “Os mercados não estão confortáveis com a incerteza em relação às tarifas”. A rupia indiana também fechou em baixa, refletindo a aversão ao risco geral. O setor de tecnologia da informação, que havia avançado 2,4% nas duas sessões anteriores, perdeu 2%, ilustrando a reversão rápida de tendências em ambientes de elevada incerteza.
A situação da Índia exemplifica como economias emergentes, mesmo as mais dinâmicas, permanecem vulneráveis às decisões políticas comerciais de potências econômicas maiores, particularmente quando questões geopolíticas como a relação com a Rússia entram em jogo.