Ray Dalio, lenda da gestão de fundos de cobertura e criador da Bridgewater Associates, recentemente lançou um aviso que está a fazer eco no mundo das finanças. O problema não é novo, mas a sua escala assusta — os Estados Unidos carregam o peso de 38 biliões de dólares em dívida nacional. Dalio não poupou palavras: as futuras gerações, incluindo os seus próprios netos e aqueles que ainda vão nascer, serão obrigadas a pagar essa dívida numa moeda que já perdeu uma parte significativa do seu valor.
Mais grave ainda, a política fiscal do país não pode ser alterada sem ações drásticas. Dalio, baseando-se num estudo aprofundado da história financeira, explicou que os países numa situação assim nunca resolvem o problema através de cortes reais nos gastos. Em vez disso, recorrem ao caminho fácil — imprimem dinheiro, enfraquecem a sua moeda e reduzem artificialmente as taxas de juro.
Esquema comprovado de países em crise
Dalio comparou a situação atual com a transformação do início dos anos 70. Destacou especialmente 1971, quando o presidente Nixon rompeu a ligação entre o dólar e o ouro. Naquela época, possuir ouro era uma garantia de valor — hoje, os investidores procuram a mesma segurança.
Analisou também a magnitude do colapso das moedas ao longo do tempo. Desde 1750, “80% do dinheiro mundial desapareceu", observou Dalio. As restantes moedas perderam uma parte significativa do seu poder de compra. O ouro, por outro lado, permanece excecional — é a única forma de riqueza que não depende de promessas de terceiros.
Os bancos centrais estão cada vez mais a voltar-se para o ouro. As sanções à Rússia mostraram quão frágil é a confiança nas moedas fiduciárias. Os países estão agora a reforçar as suas reservas de ouro como proteção contra o caos geopolítico.
Nova arquitetura global e as suas consequências
O mundo está a mudar para uma “auto-suficiência de guerra", como descreve Dalio. Os países querem menos depender de importações e financiamento externo. Isto explica porque Dalio vê nas ações dos EUA em relação à Venezuela ou à Groenlândia algo mais do que jogadas geopolíticas ocasionais — é uma mudança de sistema.
O impasse em Washington agrava o problema. Os políticos acreditam que o mercado de obrigações permanecerá estável. Os investidores acreditam que o Congresso tomará medidas antes de uma catástrofe. Entretanto, Dalio alerta: as crises da dívida desenvolvem-se lentamente, até que de repente — como disse Hemingway, “quebram-se os bancos”.
O que podem propor os impostos e tarifas?
Dalio expressou ceticismo em relação às propostas legislativas atuais. As tarifas resolverão o problema? Historicamente, foram uma das principais fontes de receita do governo dos EUA. Podem apoiar a indústria doméstica. No entanto, “qualquer forma de imposto tem os seus custos", destacou. Nenhum imposto, seja tarifa ou outro tipo de tributação, resolverá o problema fundamental — a dívida será paga através da desvalorização da moeda.
Como se proteger? Conselhos práticos de Dalio
Para os investidores comuns, Dalio sugeriu estratégias concretas. Não pense na riqueza nominal — pense no valor ajustado pela inflação.
Duas classes de ativos que funcionam:
Títulos indexados à inflação, especialmente os (Treasury Inflation-Protected Securities), são — na opinião de Dalio — “o investimento mais seguro atualmente". Garantem retornos acima da inflação.
O ouro deve representar entre 10% e 15% de cada carteira. Dalio repetia: “É o único ativo que não é uma obrigação de outra pessoa". Possui-o diretamente, sem intermediários.
Para além de ativos específicos, Dalio recomendou uma estratégia testada pelo tempo — diversificação. Procure “15 fontes sólidas e não correlacionadas de rendimento". Isto pode reduzir o risco da carteira em cerca de 80%, sem perder os lucros esperados.
Também alertou para a especulação a curto prazo. É uma “jogada de soma zero", onde a maioria perde.
Vale a pena entrar em pânico?
Apesar das nuvens negras no horizonte monetário, Dalio não caiu num pessimismo total. Abrandou a sua análise ao afirmar que as nações irão sobreviver — “vamos sair do outro lado". Tudo depende de como a sociedade irá lidar com tempos difíceis e se conseguiremos unir-nos.
O ciclo financeiro atual é grave. Mas Dalio acredita na capacidade de o superar. O futuro será difícil — mas possível.
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Alarme Dalio sobre os 38 mil milhões de dólares de dívida: as futuras gerações pagarão o preço da queda do dólar
Quando a dívida se torna uma bomba-relógio
Ray Dalio, lenda da gestão de fundos de cobertura e criador da Bridgewater Associates, recentemente lançou um aviso que está a fazer eco no mundo das finanças. O problema não é novo, mas a sua escala assusta — os Estados Unidos carregam o peso de 38 biliões de dólares em dívida nacional. Dalio não poupou palavras: as futuras gerações, incluindo os seus próprios netos e aqueles que ainda vão nascer, serão obrigadas a pagar essa dívida numa moeda que já perdeu uma parte significativa do seu valor.
Mais grave ainda, a política fiscal do país não pode ser alterada sem ações drásticas. Dalio, baseando-se num estudo aprofundado da história financeira, explicou que os países numa situação assim nunca resolvem o problema através de cortes reais nos gastos. Em vez disso, recorrem ao caminho fácil — imprimem dinheiro, enfraquecem a sua moeda e reduzem artificialmente as taxas de juro.
Esquema comprovado de países em crise
Dalio comparou a situação atual com a transformação do início dos anos 70. Destacou especialmente 1971, quando o presidente Nixon rompeu a ligação entre o dólar e o ouro. Naquela época, possuir ouro era uma garantia de valor — hoje, os investidores procuram a mesma segurança.
Analisou também a magnitude do colapso das moedas ao longo do tempo. Desde 1750, “80% do dinheiro mundial desapareceu", observou Dalio. As restantes moedas perderam uma parte significativa do seu poder de compra. O ouro, por outro lado, permanece excecional — é a única forma de riqueza que não depende de promessas de terceiros.
Os bancos centrais estão cada vez mais a voltar-se para o ouro. As sanções à Rússia mostraram quão frágil é a confiança nas moedas fiduciárias. Os países estão agora a reforçar as suas reservas de ouro como proteção contra o caos geopolítico.
Nova arquitetura global e as suas consequências
O mundo está a mudar para uma “auto-suficiência de guerra", como descreve Dalio. Os países querem menos depender de importações e financiamento externo. Isto explica porque Dalio vê nas ações dos EUA em relação à Venezuela ou à Groenlândia algo mais do que jogadas geopolíticas ocasionais — é uma mudança de sistema.
O impasse em Washington agrava o problema. Os políticos acreditam que o mercado de obrigações permanecerá estável. Os investidores acreditam que o Congresso tomará medidas antes de uma catástrofe. Entretanto, Dalio alerta: as crises da dívida desenvolvem-se lentamente, até que de repente — como disse Hemingway, “quebram-se os bancos”.
O que podem propor os impostos e tarifas?
Dalio expressou ceticismo em relação às propostas legislativas atuais. As tarifas resolverão o problema? Historicamente, foram uma das principais fontes de receita do governo dos EUA. Podem apoiar a indústria doméstica. No entanto, “qualquer forma de imposto tem os seus custos", destacou. Nenhum imposto, seja tarifa ou outro tipo de tributação, resolverá o problema fundamental — a dívida será paga através da desvalorização da moeda.
Como se proteger? Conselhos práticos de Dalio
Para os investidores comuns, Dalio sugeriu estratégias concretas. Não pense na riqueza nominal — pense no valor ajustado pela inflação.
Duas classes de ativos que funcionam:
Títulos indexados à inflação, especialmente os (Treasury Inflation-Protected Securities), são — na opinião de Dalio — “o investimento mais seguro atualmente". Garantem retornos acima da inflação.
O ouro deve representar entre 10% e 15% de cada carteira. Dalio repetia: “É o único ativo que não é uma obrigação de outra pessoa". Possui-o diretamente, sem intermediários.
Para além de ativos específicos, Dalio recomendou uma estratégia testada pelo tempo — diversificação. Procure “15 fontes sólidas e não correlacionadas de rendimento". Isto pode reduzir o risco da carteira em cerca de 80%, sem perder os lucros esperados.
Também alertou para a especulação a curto prazo. É uma “jogada de soma zero", onde a maioria perde.
Vale a pena entrar em pânico?
Apesar das nuvens negras no horizonte monetário, Dalio não caiu num pessimismo total. Abrandou a sua análise ao afirmar que as nações irão sobreviver — “vamos sair do outro lado". Tudo depende de como a sociedade irá lidar com tempos difíceis e se conseguiremos unir-nos.
O ciclo financeiro atual é grave. Mas Dalio acredita na capacidade de o superar. O futuro será difícil — mas possível.