A ambiciosa aquisição no setor de entregas de última milha transformou-se, em poucos meses, de uma “integração estratégica” para uma “crise financeira”. A Federation Asset Management (Federation AM), uma empresa de investimento de Sydney, congelou em dezembro de 2025 o resgate do seu Federation Alternatives Investment Fund II (com um valor de 100 milhões de dólares), desencadeando uma crise de confiança na FAST Group, este emergente gigante da logística. Aproximadamente 64% do capital deste fundo foi investido nesta operação fracassada, revelando os riscos sistémicos ocultos por trás da onda de integração de logística de comércio eletrónico.
Como a aquisição entrou em colapso
Em agosto de 2025, três empresas de logística anunciaram uma fusão — a startup australiana Sendle, a FirstMile do centro dos EUA, e a ACI Logistix, uma empresa de logística da Califórnia com 60 anos de história. O novo grupo posiciona-se como uma plataforma de entregas de última milha nos mercados dos EUA, Austrália, Canadá, Índia e Filipinas, alegando integrar as vantagens tecnológicas da Sendle, a rede terrestre da FirstMile e a infraestrutura automatizada da ACI.
A escala da integração parecia promissora — após a fusão, o número de funcionários variava entre 300 e 900, com receitas anuais estimadas entre 130 e 200 milhões de dólares. Mas tudo isso baseava-se numa hipótese fatal: que os dados financeiros fornecidos por todas as partes fossem verdadeiros.
A verdade revela-se: o buraco negro na due diligence
Até meados de dezembro de 2025, os problemas vieram à tona. A Federation AM descobriu que os relatórios financeiros da ACI Logistix continham “deficiências significativas” — uma expressão moderada no jargão do mercado. Na prática, a due diligence pré-fusão tinha graves falhas, e as informações divulgadas pelas partes apresentavam desvios substanciais.
Para lidar com a emergência, a Federation AM injetou 12 milhões de dólares em fundos operacionais na FAST Group, seguido de ajustes radicais na gestão — substituição do CFO e contratação de um especialista em reestruturação. Contudo, essas medidas não impediram a deterioração da situação. A FAST Group entrou em dificuldades de financiamento, buscando ajuda externa — tentando levantar 60 milhões de dólares em dívida junto de fundos de hedge e especialistas em dívidas difíceis.
A postura dos potenciais credores explica bem o problema. Essas instituições não aceitavam a dívida pelo valor nominal, exigindo um desconto de 50% — ou seja, cada dólar de dívida valia apenas 50 cêntimos. Em outras palavras, o mercado já precificava o risco de falência da FAST Group.
Uma reação em cadeia está em curso
O fogo espalha-se para outros stakeholders. Segundo relatos, a FAST Group deve 20 milhões de dólares à DoorDash, dívida originada de contas a pagar na parceria de entregas de última milha. A ameaça de falência está próxima — uma declaração de falência nos EUA pode ocorrer a qualquer momento.
O impacto na Federation AM vai além do financeiro. O fundo não estabeleceu limites para uma única operação de investimento, concentrando cerca de 64% do capital num único projeto da FAST Group — uma violação dos princípios básicos de gestão de risco de portfólio. A agência de classificação Zenith Investment Partners rebaixou o fundo de “recomendado” para uma observação, prejudicando sua reputação.
Aviso do setor e riscos estruturais
Este caso expõe problemas profundos na onda de aquisições no setor de logística de comércio eletrónico. Frente a gigantes como Amazon Logistics, UPS e FedEx, empresas de logística de médio porte buscam crescimento rápido por meio de fusões e aquisições — uma estratégia logicamente válida, mas frequentemente mal executada. A incerteza económica, as oscilações na cadeia de abastecimento e a intensificação da concorrência aumentam os riscos de integração, enquanto uma due diligence apressada pode esconder fraquezas financeiras e operacionais críticas.
Para a Federation AM, trata-se de um golpe na reputação, mas não de uma crise de sobrevivência — a gestão de ativos da empresa soma 23 bilhões de dólares. Contudo, para investidores, operadores logísticos e participantes do setor, a queda da FAST Group serve como um aviso claro: no setor de entregas de última milha, o tamanho não é uma barreira, mas sim a due diligence e a gestão de riscos.
Até início de janeiro de 2026, a crise da FAST Group ainda não foi resolvida, e procedimentos judiciais podem estar próximos.
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FAST Group e o fracasso na aquisição: Como os fundos de private equity perderam toda a reputação na última milha de entregas
A ambiciosa aquisição no setor de entregas de última milha transformou-se, em poucos meses, de uma “integração estratégica” para uma “crise financeira”. A Federation Asset Management (Federation AM), uma empresa de investimento de Sydney, congelou em dezembro de 2025 o resgate do seu Federation Alternatives Investment Fund II (com um valor de 100 milhões de dólares), desencadeando uma crise de confiança na FAST Group, este emergente gigante da logística. Aproximadamente 64% do capital deste fundo foi investido nesta operação fracassada, revelando os riscos sistémicos ocultos por trás da onda de integração de logística de comércio eletrónico.
Como a aquisição entrou em colapso
Em agosto de 2025, três empresas de logística anunciaram uma fusão — a startup australiana Sendle, a FirstMile do centro dos EUA, e a ACI Logistix, uma empresa de logística da Califórnia com 60 anos de história. O novo grupo posiciona-se como uma plataforma de entregas de última milha nos mercados dos EUA, Austrália, Canadá, Índia e Filipinas, alegando integrar as vantagens tecnológicas da Sendle, a rede terrestre da FirstMile e a infraestrutura automatizada da ACI.
A escala da integração parecia promissora — após a fusão, o número de funcionários variava entre 300 e 900, com receitas anuais estimadas entre 130 e 200 milhões de dólares. Mas tudo isso baseava-se numa hipótese fatal: que os dados financeiros fornecidos por todas as partes fossem verdadeiros.
A verdade revela-se: o buraco negro na due diligence
Até meados de dezembro de 2025, os problemas vieram à tona. A Federation AM descobriu que os relatórios financeiros da ACI Logistix continham “deficiências significativas” — uma expressão moderada no jargão do mercado. Na prática, a due diligence pré-fusão tinha graves falhas, e as informações divulgadas pelas partes apresentavam desvios substanciais.
Para lidar com a emergência, a Federation AM injetou 12 milhões de dólares em fundos operacionais na FAST Group, seguido de ajustes radicais na gestão — substituição do CFO e contratação de um especialista em reestruturação. Contudo, essas medidas não impediram a deterioração da situação. A FAST Group entrou em dificuldades de financiamento, buscando ajuda externa — tentando levantar 60 milhões de dólares em dívida junto de fundos de hedge e especialistas em dívidas difíceis.
A postura dos potenciais credores explica bem o problema. Essas instituições não aceitavam a dívida pelo valor nominal, exigindo um desconto de 50% — ou seja, cada dólar de dívida valia apenas 50 cêntimos. Em outras palavras, o mercado já precificava o risco de falência da FAST Group.
Uma reação em cadeia está em curso
O fogo espalha-se para outros stakeholders. Segundo relatos, a FAST Group deve 20 milhões de dólares à DoorDash, dívida originada de contas a pagar na parceria de entregas de última milha. A ameaça de falência está próxima — uma declaração de falência nos EUA pode ocorrer a qualquer momento.
O impacto na Federation AM vai além do financeiro. O fundo não estabeleceu limites para uma única operação de investimento, concentrando cerca de 64% do capital num único projeto da FAST Group — uma violação dos princípios básicos de gestão de risco de portfólio. A agência de classificação Zenith Investment Partners rebaixou o fundo de “recomendado” para uma observação, prejudicando sua reputação.
Aviso do setor e riscos estruturais
Este caso expõe problemas profundos na onda de aquisições no setor de logística de comércio eletrónico. Frente a gigantes como Amazon Logistics, UPS e FedEx, empresas de logística de médio porte buscam crescimento rápido por meio de fusões e aquisições — uma estratégia logicamente válida, mas frequentemente mal executada. A incerteza económica, as oscilações na cadeia de abastecimento e a intensificação da concorrência aumentam os riscos de integração, enquanto uma due diligence apressada pode esconder fraquezas financeiras e operacionais críticas.
Para a Federation AM, trata-se de um golpe na reputação, mas não de uma crise de sobrevivência — a gestão de ativos da empresa soma 23 bilhões de dólares. Contudo, para investidores, operadores logísticos e participantes do setor, a queda da FAST Group serve como um aviso claro: no setor de entregas de última milha, o tamanho não é uma barreira, mas sim a due diligence e a gestão de riscos.
Até início de janeiro de 2026, a crise da FAST Group ainda não foi resolvida, e procedimentos judiciais podem estar próximos.