As defesas quânticas do Bitcoin mantêm-se mais fortes do que o pânico do mercado sugere

A comunidade cripto encontra-se dividida entre dois campos em relação ao risco quântico do Bitcoin: aqueles que o veem como uma ameaça iminente que exige ação urgente, e aqueles que argumentam que o FUD do mercado supera de longe o perigo técnico real. O debate recente com figuras da indústria como o Gabor Gurbacs, conselheiro estratégico da Tether, cristalizou uma discordância fundamental sobre os prazos, a gravidade da ameaça e se a preparação é prudente ou uma reação de pânico.

A Arquitetura que Resiste a Ataques Quânticos Hoje

A defesa do Bitcoin contra a computação quântica baseia-se numa distinção crucial: o seu mecanismo de consenso é fundamentalmente diferente da sua camada de validação de transações. A segurança do proof-of-work da rede apoia-se no SHA-256, um algoritmo baseado em hash que resiste a ataques quânticos muito melhor do que a criptografia de chave pública. Mesmo o algoritmo de Grover, a inovação quântica que oferece vantagens de velocidade sobre a computação clássica, fornece apenas melhorias quadráticas—insuficientes para quebrar a estrutura de incentivos económicos que protege a rede.

A verdadeira vulnerabilidade reside nas assinaturas ECDSA, que garantem as transações individuais. Se algum dia surgir um computador quântico suficientemente potente, o algoritmo de Shor poderia teoricamente comprometer essas chaves. Contudo, aqui é onde o design do Bitcoin demonstra visão de futuro: a reutilização de endereços é economicamente desencorajada, mantendo a maior parte das chaves públicas escondidas na cadeia até que uma transação seja realmente gasta. Essa prática reduz drasticamente a exposição.

Por que as Narrativas de “Doomsday Quântico” Alimentam Medo Desnecessário

Gurbacs tem sido vocal ao caracterizar as preocupações quânticas como exageradas, apontando três realidades concretas que minam a narrativa do apocalipse. Primeiro, o hardware quântico necessário para quebrar o ECDSA precisaria ser “incrivelmente rápido e estável”—capacidades que ainda estão longe dos protótipos atuais. Segundo, outros sistemas criptográficos desmoronariam antes do Bitcoin se tais máquinas existissem: a criptografia TLS, PGP e a infraestrutura de PKI governamental desabariam primeiro. Em 2024, nenhuma dessas brechas foi explorada, sugerindo que a computação quântica permanece mais uma ameaça teórica do que uma realidade prática.

Terceiro, a arquitetura modular do Bitcoin permite atualizações na camada de assinaturas sem comprometer a política monetária ou as regras de oferta. A recente padronização pelo NIST do FIPS-205, formalizando o SLH-DSA (Algoritmo de Assinatura Digital Hash-Stateless), demonstra que alternativas pós-quânticas estão surgindo de instituições credíveis. Isso elimina uma desculpa para a inação: padrões viáveis já existem.

O Argumento Técnico para uma Migração Gradual

Adam Back, um cypherpunk fundador, articulou uma solução elegante que ganhou tração: o Bitcoin poderia introduzir novos tipos de assinatura dentro do framework existente Taproot/Schnorr sem uma disrupção global imediata. Os usuários poderiam optar por métodos resistentes a quânticos—por exemplo, armazenando valor em um novo tipo de folha—enquanto a infraestrutura legada permanecesse funcional. Essa abordagem escalonada permite que os desenvolvedores preparem a infraestrutura e testem os padrões muito antes de qualquer ameaça real se materializar.

O cronograma é importante aqui. O NIST só formalizou o SLH-DSA em agosto de 2024, o que significa que a comunidade criptográfica ainda está no início da avaliação dessas alternativas. Os desenvolvedores precisam de anos, não meses, para auditar implementações, entender trade-offs e chegar a um consenso sobre quais esquemas adotar. Back estimou que “os métodos de assinatura schnorr & ECDSA seriam descontinuados” se computadores quânticos relevantes (CRQCs) chegarem, mas previu que isso ainda está “muito longe de 2030.”

Onde os Veteranos de Segurança Rebatem: Governança e Coordenação

Nem todos estão convencidos de que uma preparação gradual seja suficiente. Dan McArdle da Messari e Graeme Moore do Project Eleven destacaram três complicações estruturais que Gurbacs pode subestimar.

Saídas legadas P2PK representam o primeiro problema. Algumas transações antigas do Bitcoin usam formatos pay-to-pubkey que expõem chaves públicas imediatamente, sem a proteção de reutilização de endereço dos padrões modernos. Embora dispersas na rede, essas poderiam se tornar alvos se os computadores quânticos acelerarem inesperadamente.

Sniping no mempool apresenta um risco mais exótico: um adversário quântico poderoso poderia roubar fundos durante a breve janela em que uma transação se propaga pela rede, mas ainda não foi confirmada. O atacante extrairia a chave pública do remetente da transação pendente, calcularia a chave privada e redirecionaria os fundos—tudo antes da confirmação. Contudo, McArdle reconheceu que isso exigiria hardware quântico muito mais rápido do que qualquer coisa atualmente em desenvolvimento.

Aumento de assinaturas pós-quânticas representa o terceiro e mais concreto desafio. Esquemas como o SLH-DSA produzem assinaturas maiores do que o secp256k1—potencialmente exigindo um aumento no tamanho do bloco para manter a taxa de transações. Essa batalha de governança assombra o Bitcoin desde as guerras de escalabilidade de 2015-2017, e revisitá-la poderia fracturar o consenso da comunidade.

Moore enfatizou que uma migração completa para assinaturas pós-quânticas poderia levar seis meses ou mais mesmo em condições ideais, implicando que a preparação deve começar agora, e não quando as ameaças se tornarem evidentes. Ele também questionou se a comunidade do Bitcoin aceitaria algoritmos padronizados pelo NIST, dado que Satoshi Nakamoto escolheu deliberadamente curvas não padronizadas pelo NIST, como a secp256k1, por desconfiança em órgãos centralizadores de padronização.

A Questão das Moedas Não Migradas: Ética Encontra Tecnologia

Moore propôs um experimento de pensamento provocador: o que acontece às Bitcoins “perdidas” durante uma atualização quântica, incluindo as posses atribuídas a Satoshi Nakamoto? Essas moedas deveriam ser congeladas ou tornadas vulneráveis? Gurbacs rejeitou quaisquer isenções especiais, argumentando que as regras de governança deveriam aplicar-se de forma uniforme a todas as chaves não migradas. Sua posição: criptografias mais fracas falhariam primeiro, dando anos de aviso antes que o próprio Bitcoin enfrentasse pressão urgente.

Indiferença do Mercado e Cronogramas do Mundo Real

Na hora de fechar esta edição, o Bitcoin (BTC) negociava a $95.20K, sugerindo que o mercado permanece indiferente às narrativas quânticas. Nenhum dos campos discorda que a preparação é necessária—apenas o grau de urgência e o cronograma continuam em disputa. A discordância, em última análise, depende de se computadores quânticos capazes de quebrar o ECDSA surgirão em cinco anos, quinze anos ou além do horizonte atual de planejamento.

O que é claro é que a arquitetura do Bitcoin, embora madura, não está congelada. A rede pode adaptar-se através de forks suaves que introduzam novos tipos de assinatura, por meio de migração gradual dos usuários para métodos resistentes a quânticos, e através de pesquisa contínua em criptografia pós-quântica. O debate agora é se essa adaptação acontecerá de forma proativa, ou somente quando as ameaças quânticas se tornarem inegáveis.

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