O ritual de "massagem mental" dos traders do mundo das criptomoedas: por que o gráfico de velas se tornou um mapa astral

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Astrologia, tarô, e a previsão pelos oito caracteres (八字) eram antes considerados elementos marginais, mas hoje tornaram-se uma necessidade psicológica comum. No mundo das criptomoedas, essa necessidade foi levada ao extremo — há quem mapeie diretamente o mapa astral no gráfico de velas (K-line), usando as altas e baixas das velas para prever os altos e baixos da vida.

Em meados de dezembro, uma aplicação chamada “K-line da Vida” gerou discussões de nível fenômeno na comunidade de criptomoedas. Os usuários só precisam inserir suas informações de nascimento, e a IA gera um gráfico de velas de 1 a 100 anos, baseado nos oito caracteres, delineando a “tendência do mercado” de toda a vida. Qual foi o resultado? Em três dias, mais de 300 mil chamadas, e o tweet de lançamento teve mais de 3,3 milhões de visualizações. Ainda mais mágico: essa ferramenta, claramente marcada como “apenas para entretenimento”, gerou um token homônimo em menos de 24 horas após o lançamento.

Isso não é uma moda passageira, mas uma liberação coletiva de ansiedade na comunidade de criptomoedas. O que está por trás disso é o desejo profundo de todo o grupo de traders por incerteza — eles não precisam da previsão em si, mas de uma espécie de massagem psicológica.

O segredo de Wall Street virou assunto aberto na comunidade de criptomoedas

No Wall Street, os traders já sabem que a astrologia não é segredo.

O lendário analista W.D. Gann usava astrologia para prever o mercado, e Soros, em “A alquimia financeira”, admitiu que julgava o risco de mercado pelo grau de dor nas costas — quanto mais forte a dor, mais forte o sinal de reversão do mercado.

Mas essas histórias permaneciam no âmbito das “lendas” na finança tradicional. Ninguém se atrevia a admitir publicamente que usava a metafísica para orientar suas negociações, pois isso seria visto como falta de profissionalismo pelos colegas. Claro, ninguém falava abertamente.

Porém, no mundo das criptomoedas, essa proibição foi quebrada.

Neste setor, que já é cheio de mistério, astrologia, mapas astrais e tarô tornaram-se tópicos de discussão diária. Há quem use o “mapa astral de nascimento” do BTC (criado em 3 de janeiro de 2009, com o bloco gênese) e os ciclos planetários para prever o mercado; há quem decida abrir ou não uma posição com base na previsão do dia; no Twitter, surgem muitos influenciadores de criptomoedas que usam análises astrológicas.

A posição da metafísica entre os traders mudou — de um segredo subterrâneo de Wall Street para uma ciência popular nas redes sociais. Os usuários discutem seriamente ou até de brincadeira sobre suas “tendências de vida”, mas ninguém pensa que está sendo supersticioso. Eles apenas usam uma forma mais divertida e ritualística de expressar sua ressonância com a incerteza.

Por que a astrologia é especialmente popular no mercado de criptomoedas

1. Um veículo perfeito para liberar ansiedade

O mercado de criptomoedas nasceu para gerar ansiedade.

Negocia 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem mecanismos de interrupção, com altas e baixas repentinas a qualquer momento. Um tweet de um influenciador pode evaporar bilhões de valor de mercado de uma moeda em instantes, e um fundador de projeto pode desaparecer de um dia para o outro. Os traders estão sempre enfrentando “riscos desconhecidos”, e o mais assustador não é o risco em si, mas o “desconhecido” que não pode ser quantificado.

O economista Frank Knight já apontou isso em 1921: risco é uma probabilidade quantificável, incerteza é o desconhecido que não pode ser quantificado.

Somos biologicamente programados para sentir medo da incerteza. Quando o risco não pode ser quantificado, o cérebro instintivamente cria uma “falsa certeza” para aliviar a ansiedade. A metafísica é o veículo perfeito para essa falsa certeza.

Quando não se encontra direção, abrir o “calendário de negociações de hoje” pelo menos fornece uma orientação clara. Os astrólogos de criptomoedas afirmam ter previsto com sucesso o pico do mercado de alta de 2017, o mercado de baixa de 2022 e o pico do BTC em 2024, vinculando datas específicas a eventos celestiais, oferecendo aos traders confusos um “sinal de espera” — mesmo que esse sinal venha do espaço.

“Mercúrio retrógrado não deve abrir posições, lua cheia causará queda, o mapa astral mostra que o BTC terá alta no próximo ano” — essas previsões não requerem análises técnicas complexas, nem leitura de white papers obscuros, apenas a crença no “destino”. Um estudo da Universidade de Michigan de 2006 descobriu que os mercados de ações de 48 países tiveram retorno 6,6% menor durante a lua cheia do que na lua nova — não porque a lua realmente influencie o mercado, mas porque a superstição coletiva influencia o comportamento dos traders. Quando muitas pessoas acreditam que “lua cheia causará queda”, elas vendem antecipadamente, e a queda realmente acontece.

Nesse ambiente de ansiedade amplificada por várias vezes na comunidade de criptomoedas, a análise metafísica até parece mais confiável do que a análise fundamental. Os traders precisam de metafísica, não porque ela seja precisa, mas porque oferece uma explicação — mesmo que falsa — que é mais fácil de aceitar do que a incerteza sem fim. Essa é a essência da massagem psicológica: não resolver o problema de verdade, mas aliviar a mente.

2. Um ciclo de reforço de viés cognitivo

A razão pela qual a metafísica “parece sempre eficaz” está na auto-reforço do viés cognitivo humano.

Viés de confirmação é o mecanismo mais típico: quem acredita que “lua cheia causará queda” lembra-se de todos os casos de queda após lua cheia, ignorando os dias de alta ou lateralidade após lua cheia. A “K-line da Vida” mostra que usuários que previram o mercado de alta deste ano atribuem cada pequena alta à “cumprimento do mapa astral”, e interpretam as quedas como “correções de curto prazo que não afetam a tendência geral”.

E o ambiente de redes sociais na comunidade de criptomoedas amplifica esse viés várias vezes.

“Segui a orientação do tarô e comprei ETH, ganhei 20% em três dias!” — esses tweets são amplamente compartilhados, curtidos e propagados. Mas os traders que perderam dinheiro por seguir o tarô não postam, nem aparecem. O fluxo de informações na comunidade está cheio de casos de metafísica que se concretizaram, enquanto os fracassos são completamente filtrados.

Mais importante, a ambiguidade da metafísica faz com que ela nunca possa ser falsificada. Mestres dizem que não se deve negociar durante Mercúrio retrógrado, e se perderem dinheiro, foi porque não ouviram o conselho; se ganharem, foi por causa do mapa astral especial. O tarô mostra grandes oscilações próximas, e tanto altas quanto baixas são consideradas previsões corretas. Essa característica de “qualquer explicação serve” garante que a metafísica permaneça invencível na comunidade de criptomoedas.

Quando o BTC despenca, os traders precisam de uma razão. Análise técnica diz “quebrou o suporte”, análise macro diz “aumento de juros no Japão”, essas explicações são muito complexas e incertas. A metafísica oferece uma resposta simples: “Saturno retrógrado, o ciclo de baixa no mercado de criptomoedas.” Essa explicação não exige compreensão de mercado, políticas ou dados, basta acreditar na influência dos corpos celestes. Assim, ela se espalha rapidamente e vira consenso.

Os traders não são supersticiosos, mas usam a forma mais econômica do cérebro para processar informações: lembrar do que é útil, ignorar o que não é, substituir análises complexas por explicações simples. A metafísica não é popular por sua precisão, mas porque sempre parece precisa.

3. Atributo social: ressonância sem barreiras

A terceira razão do sucesso da metafísica na comunidade de criptomoedas é que ela se tornou uma moeda social.

Discutir análise técnica pode gerar divergências, mas discutir metafísica não tem certo ou errado, apenas ressonância. “A sua K-line da vida é precisa?” é um tema amplamente debatido, não porque todos realmente acreditem, mas porque é um tópico acessível a qualquer um, sem necessidade de conhecimento especializado.

Antes, a comunidade de criptomoedas sempre quis uma função de verificação de sorte, e, com o aumento de pedidos, a plataforma criou uma seção de “Sorte do dia”. Não necessariamente para tomar decisões, mas para ter um tema comum, uma espécie de ritual diário de massagem psicológica.

Quando você diz no grupo “Hoje é Mercúrio retrógrado, não vou abrir posições”, ninguém questiona “isso não é científico”, ao contrário, alguém responde “Eu também, vamos passar essa fase juntos”. A essência dessa interação é confirmar que a ansiedade de cada um é razoável.

Uma pesquisa da Pew Research em 2025 mostrou que 28% dos adultos nos EUA consultam astrologia, tarô ou previsão pelo menos uma vez por ano. A metafísica há muito deixou de ser uma cultura marginal, tornando-se uma necessidade psicológica comum. A comunidade de criptomoedas apenas transformou essa necessidade de “uso privado” para “exibição pública”.

O que realmente queremos prever não é a vida

O sucesso explosivo do “K-line da Vida” revela, na linguagem das criptomoedas, o que todo trader tem em mente, mas não admite: Nosso senso de controle sobre o mercado pode ser tão frágil quanto o controle sobre o destino.

Quando você vê que seu “K-line da Vida” indica que este ano será um mercado de baixa, você não vai realmente liquidar tudo. Mas, ao perder dinheiro, você se culpa um pouco menos, e ao perder uma oportunidade, se consola mais: “Não é problema meu, é o ciclo do meu mapa astral que está errado.”

Neste mercado 24/7, sem parar, cheio de incertezas, o que os traders realmente querem prever não é o próprio caminho da vida, mas uma sustentação psicológica que os mantenha na mesa de negociação.

Astrologia, mapas astrais, tarô — o valor dessas ferramentas não está na sua precisão real, mas na cerimônia, na ressonância, na massagem psicológica que proporcionam. Quando todas as análises fundamentais falham, e tudo parece sem resposta, a metafísica dá aos traders uma razão para continuar.

Não é superstição, é uma jangada que eles encontram na imensidão da incerteza.

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