Na era Web3, os três maiores bancos do Japão declaram uma "grande transformação" no sistema financeiro — preparação para a era das stablecoins, tecnologia quântica e IA

Em 2026, o sistema financeiro japonês está prestes a passar por uma transformação sem precedentes. Os três megabancos (SMBC, Mitsubishi UFJ, Mizuho Bank), liderados pelo Sumitomo Mitsui Banking Corporation, apresentam conjuntamente um projeto de stablecoin, enquanto a transição para regulamentações sob a Lei de Serviços Financeiros permitirá a liberação dos negócios de criptoativos das subsidiárias bancárias. Isto não é apenas uma adoção tecnológica, mas uma movimentação que abala fundamentalmente o papel dos bancos e sua estrutura de receitas.

O grupo CDIO do Sumitomo Mitsui Financial Group, Isowa Kiyuo, revela sua visão sobre esta era de turbulência. Blockchain, computadores quânticos, agentes de IA — as tendências tecnológicas complexas e o futuro das finanças são analisados com profundidade.

Ameaça de perder o direito de emissão de moeda — O contexto do projeto conjunto de stablecoins dos 3 megabancos

Desde 2020, os três megabancos vêm investigando casos internacionais e realizando experimentos práticos. A virada ocorreu com a elaboração da legislação doméstica em 2024 e a aprovação da lei GENIUS nos EUA em 2025. A Agência de Serviços Financeiros também demonstrou preocupação com os movimentos nos EUA, assumindo uma postura de liderança.

No cerne dessa questão está uma consciência de crise simples, porém urgente. A capitalização de mercado das stablecoins denominadas em dólar atingiu 40 trilhões de ienes, tornando-se essencial nas negociações de Bitcoin. Investidores institucionais, incluindo fundos soberanos, usam stablecoins para adquirir Bitcoin, criando um cenário global de uso intensivo.

Com a disseminação do Bitcoin no Japão, a ausência de uma stablecoin nacional significa que a circulação de stablecoins denominadas em dólar continuará a prevalecer. Ou seja, o Japão pode perder parte de seu direito de emissão de moeda. Sem essa percepção de crise, o projeto conjunto dos 3 megabancos não faria sentido.

Circulação de fundos 24/7 através de pagamentos on-chain

Qual é o objetivo do projeto conjunto dos 3 megabancos? Através de experimentos na Mitsubishi Corporation, estão sendo considerados casos de uso como sistemas de gestão de caixa (CMS). A ideia é centralizar fundos de empresas globais, libertando-se das limitações de horários de funcionamento (cut-off times), permitindo operações eficientes 24 horas por dia, 365 dias por ano. Isso elevará drasticamente a eficiência de capital das empresas japonesas.

Ao mesmo tempo, está surgindo uma conexão entre o sistema financeiro tradicional e as finanças descentralizadas (DeFi). Se for possível uma integração fluida com redes como Zengin Net e Banco do Japão Net, o momento de escala será atingido rapidamente.

A diferenciação em relação ao JPYC também é clara. Enquanto o JPYC impõe um limite de 100 milhões de ienes e enfrenta obstáculos na conexão com o Banco do Japão Net, o projeto dos 3 megabancos destaca-se por sua integração com infraestruturas existentes. Contudo, o projeto não visa pagamentos de pequenas quantias, e há uma visão de coexistência com o JPYC. Como exemplos, o sucesso do sistema de remessas “Kotorara” operado por grandes bancos nacionais, separado do sistema Zengin, indica que múltiplas stablecoins podem coexistir.

Negócios de criptoativos sob a Lei de Serviços Financeiros — Dilemas e possibilidades

Com a transição regulatória para a Lei de Serviços Financeiros, os bancos podem iniciar negócios com criptoativos em suas subsidiárias. Contudo, o desenvolvimento concreto dessas atividades ainda está em estágio inicial. Estão sendo considerados produtos como ETFs de criptoativos, custódia e intermediação, mas há muitos desafios, incluindo proteção ao usuário, volatilidade e infraestrutura de sistemas.

A cultura de autoadministração de criptoativos no Web3, com gestão de chaves privadas pelos usuários, entra em conflito com as práticas financeiras tradicionais japonesas. A questão é se os clientes terão que gerenciar suas chaves ou se as instituições financeiras oferecerão carteiras custodiais. Não basta seguir o exemplo do exterior; é preciso repensar o que será oferecido aos clientes japoneses.

Tokenização e on-chain: as três grandes mudanças na finança

Além de discussões sobre stablecoins e depósitos tokenizados, a tokenização e on-chain de ativos afetarão todo o sistema financeiro. Mudanças dramáticas são previstas em pagamentos, gestão de ativos e negociações de mercado e valores mobiliários.

Pagamentos transfronteiriços se tornarão de baixo custo, instantâneos e de alta frequência, com DvP (entrega contra pagamento) operando 24/7. A escala dessas operações será inimaginável com os sistemas atuais. Nesse contexto, surge a necessidade de computação quântica.

Isowa aponta: “As finanças serão o principal caso de uso da computação quântica”. Para que a on-chainização e o aumento exponencial de poder de cálculo se concretizem, os sistemas de pagamento precisarão evoluir para um novo patamar. Já estão explorando possibilidades de implementação em casos de uso financeiro, após visitas a startups de computação quântica.

A tokenização de RWA (ativos reais) ampliará o escopo de investimentos. A eficiência e velocidade do mercado interbancário também serão aprimoradas, mudando fundamentalmente as operações de transferência de fundos e valores mobiliários entre bancos.

Era dos agentes de IA: o trabalho bancário será “pensar continuamente”

Para imaginar o futuro das finanças, Isowa reforça a palavra-chave “programabilidade”. Essa característica, que tem sido um benefício do blockchain, torna-se ainda mais concreta com a chegada da IA generativa e da tecnologia quântica.

Um mundo onde agentes de IA substituem humanos na gestão e negociação de ativos está se aproximando. Dispositivos como smartphones evoluirão para permitir comandos em linguagem natural, facilitando a interação com IA. Os serviços financeiros seguirão o mesmo caminho. Para que os bancos sejam escolhidos, é essencial que seus serviços sejam “prontos para IA”.

Porém, se todos usarem IA, as diferenças desaparecerão. Assim, o poder humano continuará sendo a fonte da competitividade bancária. Isowa destaca a “negação de capacidade” — a habilidade de continuar pensando sem buscar conclusões precipitadas em meio à incerteza — como a essência do trabalho bancário do futuro.

“Não é possível prever 3 ou 5 anos à frente com IA. É importante continuar pensando enquanto as condições mudam, considerando as incertezas.”

Prazo para atualização de infraestrutura — aprendendo com Edison

Grandes mudanças não acontecem por uma única inovação tecnológica. Desde a invenção da lâmpada, há 100 anos, a eletricidade só passou a ser usada em diversas aplicações após o desenvolvimento de infraestrutura, como usinas de energia e linhas de transmissão.

Se considerarmos blockchain como a invenção da eletricidade, a infraestrutura que a sustenta está lentamente se ajustando. Contudo, o ritmo de evolução é muito mais acelerado. Em 5 a 10 anos, o sistema financeiro migrará para um novo mundo.

Diversas inovações tecnológicas, desde blockchains de camada 1 como Avalanche até tecnologias quânticas e redes de fibra óptica, avançam paralelamente. Essa sinergia moldará a nova face das finanças.

O que os bancos apostarão em 2026

Há 10 anos, escritórios bancários eram repletos de formulários e carimbos. Hoje, essa cena desapareceu. Surgiram lojas integradas com Starbucks e plataformas ágeis para pequenas e médias empresas, como a “Trunk”.

O que esperar daqui a 10 anos? Isowa não dá uma resposta definitiva. Mas acredita que o futuro dos bancos está na contínua reflexão, mesmo em meio às incertezas. Stablecoins, finanças descentralizadas, tecnologia quântica, agentes de IA — a combinação dessas inovações criará casos de uso inimagináveis hoje. Reconhecer e implementar essas oportunidades rapidamente será a verdadeira competência das instituições financeiras japonesas após 2026.

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