Perspetivas de Produção Sinalizam Sinais Mistos para os Preços do Café Arábica
A produção global de café deverá atingir níveis sem precedentes em 2025/26, de acordo com projeções do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA divulgadas a 18 de dezembro. A produção total está prevista em 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de 2% face ao ano anterior. No entanto, este dado principal oculta tendências divergentes entre as duas principais variedades de café. Enquanto a produção de robusta deverá aumentar 10,9% para 83,333 milhões de sacos, a produção de café arábica deverá contrair-se 4,7%, caindo para 95,515 milhões de sacos. Este desequilíbrio tem implicações significativas para o preço do café arábica hoje e para a dinâmica de negociação a curto prazo.
A trajetória de produção do Brasil é particularmente notória. Como principal fornecedor mundial de arábica, a produção projetada do Brasil diminuirá 3,1% para 63 milhões de sacos durante 2025/26. Em contraste, o Vietname — o produtor dominante de robusta — prevê-se que aumente a produção em 6,2% para 30,8 milhões de sacos, atingindo o seu maior volume em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) sugeriu em outubro que condições meteorológicas favoráveis poderiam impulsionar a colheita de 2025/26 do Vietname em mais 10% em relação à temporada anterior.
Drivers de Preço a Curto Prazo: Efeitos do Clima e da Moeda
Os movimentos recentes dos preços do café arábica refletem pressões de oferta imediatas e fatores ambientais. Os contratos de março para café arábica (KCH26) subiram 3,7%, ganhando 13,30 pontos, enquanto o café robusta de março na ICE (RMH26) aumentou 1,61%, avançando 63 pontos. Estes ganhos impulsionaram os preços do arábica ao seu nível mais alto em quatro semanas.
O catalisador subjacente provém da principal região de cultivo de arábica no Brasil, Minas Gerais, que experienciou condições semelhantes à seca. Segundo a Somar Meteorologia, a região recebeu apenas 47,9 mm de precipitação durante a semana que terminou a 2 de janeiro — representando apenas 67% da sua média histórica. Para agravar este obstáculo climático, o real brasileiro valorizou-se até um pico de um mês face ao dólar americano, tornando as exportações menos atrativas para os produtores brasileiros e oferecendo suporte adicional aos preços do café arábica hoje.
Dinâmica de Inventários e Padrões de Exportação
Os inventários globais de café têm mostrado volatilidade, criando pressões tanto de subida como de descida nos preços. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, antes de se recuperarem para 456.477 sacos até 24 de dezembro. De forma semelhante, os inventários de robusta atingiram um mínimo de um ano, de 4.012 lotes a 10 de dezembro, recuperando-se posteriormente para 4.278 lotes no final de dezembro.
O aumento das exportações do Vietname compensou parcialmente as preocupações com inventários apertados. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname reportou que as exportações de café para 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas. Por outro lado, a dinâmica de importação dos EUA mudou devido a alterações na política tarifária. Entre agosto e outubro — quando as tarifas elevadas sobre o café brasileiro permaneceram em vigor — as importações de café brasileiro pelos EUA caíram 52% em comparação com o ano anterior, totalizando 983.970 sacos. Embora as tarifas tenham sido posteriormente moderadas, os inventários de café nos EUA permanecem limitados.
Perspetivas de Oferta a Longo Prazo
A Organização Internacional do Café (ICO) informou a 7 de novembro que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro a setembro) diminuíram 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando uma possível redução nas disponibilidades mundiais. Olhando para o futuro, as stocks finais de 2025/26 estão previstas cair 5,4% para 20,148 milhões de sacos, em comparação com 21,307 milhões de sacos em 2024/25.
A agência de previsão de colheitas do Brasil, Conab, aumentou a sua estimativa para a colheita de 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos — acima da previsão de setembro de 55,20 milhões de sacos. Esta revisão ascendente sugere algum potencial de recuperação, embora a produção continue abaixo dos níveis do ano anterior. A expansão contínua do cultivo de robusta no Vietname acrescenta complexidade ao ambiente do preço do café arábica hoje, pois o aumento da oferta de robusta pode limitar a valorização geral do preço do café, apesar das restrições na oferta de arábica.
A convergência do aperto na oferta, as pressões climáticas nas principais regiões de cultivo e as flutuações cambiais evidenciam a natureza multifacetada das atuais dinâmicas de preço do café arábica.
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Preço do Café Arabica Hoje: Previsões de Oferta e Pressões Climáticas Moldam a Direção do Mercado
Perspetivas de Produção Sinalizam Sinais Mistos para os Preços do Café Arábica
A produção global de café deverá atingir níveis sem precedentes em 2025/26, de acordo com projeções do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA divulgadas a 18 de dezembro. A produção total está prevista em 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de 2% face ao ano anterior. No entanto, este dado principal oculta tendências divergentes entre as duas principais variedades de café. Enquanto a produção de robusta deverá aumentar 10,9% para 83,333 milhões de sacos, a produção de café arábica deverá contrair-se 4,7%, caindo para 95,515 milhões de sacos. Este desequilíbrio tem implicações significativas para o preço do café arábica hoje e para a dinâmica de negociação a curto prazo.
A trajetória de produção do Brasil é particularmente notória. Como principal fornecedor mundial de arábica, a produção projetada do Brasil diminuirá 3,1% para 63 milhões de sacos durante 2025/26. Em contraste, o Vietname — o produtor dominante de robusta — prevê-se que aumente a produção em 6,2% para 30,8 milhões de sacos, atingindo o seu maior volume em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) sugeriu em outubro que condições meteorológicas favoráveis poderiam impulsionar a colheita de 2025/26 do Vietname em mais 10% em relação à temporada anterior.
Drivers de Preço a Curto Prazo: Efeitos do Clima e da Moeda
Os movimentos recentes dos preços do café arábica refletem pressões de oferta imediatas e fatores ambientais. Os contratos de março para café arábica (KCH26) subiram 3,7%, ganhando 13,30 pontos, enquanto o café robusta de março na ICE (RMH26) aumentou 1,61%, avançando 63 pontos. Estes ganhos impulsionaram os preços do arábica ao seu nível mais alto em quatro semanas.
O catalisador subjacente provém da principal região de cultivo de arábica no Brasil, Minas Gerais, que experienciou condições semelhantes à seca. Segundo a Somar Meteorologia, a região recebeu apenas 47,9 mm de precipitação durante a semana que terminou a 2 de janeiro — representando apenas 67% da sua média histórica. Para agravar este obstáculo climático, o real brasileiro valorizou-se até um pico de um mês face ao dólar americano, tornando as exportações menos atrativas para os produtores brasileiros e oferecendo suporte adicional aos preços do café arábica hoje.
Dinâmica de Inventários e Padrões de Exportação
Os inventários globais de café têm mostrado volatilidade, criando pressões tanto de subida como de descida nos preços. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, antes de se recuperarem para 456.477 sacos até 24 de dezembro. De forma semelhante, os inventários de robusta atingiram um mínimo de um ano, de 4.012 lotes a 10 de dezembro, recuperando-se posteriormente para 4.278 lotes no final de dezembro.
O aumento das exportações do Vietname compensou parcialmente as preocupações com inventários apertados. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname reportou que as exportações de café para 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas. Por outro lado, a dinâmica de importação dos EUA mudou devido a alterações na política tarifária. Entre agosto e outubro — quando as tarifas elevadas sobre o café brasileiro permaneceram em vigor — as importações de café brasileiro pelos EUA caíram 52% em comparação com o ano anterior, totalizando 983.970 sacos. Embora as tarifas tenham sido posteriormente moderadas, os inventários de café nos EUA permanecem limitados.
Perspetivas de Oferta a Longo Prazo
A Organização Internacional do Café (ICO) informou a 7 de novembro que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro a setembro) diminuíram 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando uma possível redução nas disponibilidades mundiais. Olhando para o futuro, as stocks finais de 2025/26 estão previstas cair 5,4% para 20,148 milhões de sacos, em comparação com 21,307 milhões de sacos em 2024/25.
A agência de previsão de colheitas do Brasil, Conab, aumentou a sua estimativa para a colheita de 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos — acima da previsão de setembro de 55,20 milhões de sacos. Esta revisão ascendente sugere algum potencial de recuperação, embora a produção continue abaixo dos níveis do ano anterior. A expansão contínua do cultivo de robusta no Vietname acrescenta complexidade ao ambiente do preço do café arábica hoje, pois o aumento da oferta de robusta pode limitar a valorização geral do preço do café, apesar das restrições na oferta de arábica.
A convergência do aperto na oferta, as pressões climáticas nas principais regiões de cultivo e as flutuações cambiais evidenciam a natureza multifacetada das atuais dinâmicas de preço do café arábica.