Ciclo de certeza falsa: por que os traders de criptomoedas precisam de uma âncora espiritual mística

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Geração de resumo em curso

Noites sem dormir no mercado de criptomoedas, as pessoas procuram respostas. A análise técnica não oferece certezas, a análise fundamental é demasiado complexa, as políticas macroeconómicas estão demasiado distantes. Mas a metafísica é diferente — ela fornece uma estrutura de explicação concisa e poderosa, permitindo aos traders enfrentarem as oscilações de mercado que não podem controlar.

O aplicativo “K-line da Vida” lançado em 13 de dezembro confirmou isso: mais de 3,3 milhões de visualizações na primeira publicação, e mais de 300 mil chamadas à API em três dias. Inserindo a data de nascimento, a IA gera um gráfico de K-line de 1 a 100 anos, baseado no Bazi. Milhares de utilizadores começaram a comparar a sua curva de vida com as experiências reais, surpreendendo-se com o grau de correspondência.

Por trás deste fenómeno está o desejo coletivo de suporte psicológico por parte de toda a comunidade de traders.

A incerteza do mercado cria um vazio de ansiedade

O mercado de criptomoedas é, por natureza, uma incubadora de ansiedade.

Um sistema de negociação 24/7, sem mecanismos de interrupção, onde picos e quedas podem acontecer num instante. Um tweet de um influenciador pode fazer a capitalização de um token evaporar centenas de milhões de dólares, e fundadores de projetos bem embalados podem desaparecer de um dia para o outro. Os traders enfrentam constantemente o “risco desconhecido”.

O economista Frank Knight, em 1921, distinguiu dois conceitos: risco, que pode ser quantificado por probabilidades, e incerteza, que é o desconhecido que não se consegue quantificar. Os humanos têm uma tendência natural a temer a incerteza; quando não se consegue medir o risco numericamente, o cérebro cria instintivamente uma “falsa certeza” para aliviar a ansiedade.

A metafísica é exatamente esse veículo psicológico perfeito.

Quando o mercado está confuso, abrir o “Calendário de Negociação de Hoje” pode dar uma orientação clara. O analista de astrologia de criptomoedas @AstroCryptoGuru, com 510 mil seguidores, faz previsões com base na “Carta Natal” do Bitcoin (criado em 3 de janeiro de 2009, no bloco gênese): o sinal de Saturno indica um mercado em baixa, o de Júpiter indica o topo do mercado em alta. Este analista afirma ter previsto com sucesso o pico do mercado de 2017 em dezembro, o mercado em baixa de 2022 e o ponto alto do BTC em 2024.

Datas específicas e eventos astronômicos estão ligados, dando aos traders um “sinal de espera” claro — mesmo que esse sinal venha do espaço. “Mercúrio retrógrado não abre ordens”, “Lua cheia vai causar uma queda”, “o mapa astral mostra que o BTC terá um mercado em alta no próximo ano” — essas afirmações não requerem análises técnicas complexas nem leitura de whitepapers obscuros, basta acreditar na “destino”.

Um estudo de 2006 da Universidade de Michigan descobriu que os mercados de ações de 48 países tiveram retornos 6,6% inferiores durante a lua cheia em comparação com a lua nova. Mas isso não significa que a lua realmente influencia o mercado; é a superstição coletiva que afeta o comportamento dos traders — quando muitas pessoas acreditam que a lua cheia vai causar uma queda, elas vendem antecipadamente, e a queda realmente acontece.

No mercado de criptomoedas, especialmente em mercados em baixa, toda análise fundamental e argumentação de valor parecem impotentes, enquanto a análise metafísica parece mais “confiável”. Os traders precisam de metafísica, não porque ela seja extremamente precisa, mas porque oferece uma explicação — mesmo que falsa — que é mais fácil de aceitar do que enfrentar a incerteza sem fim.

Como os vieses cognitivos se reforçam a si próprios

A razão pela qual a metafísica continua popular na comunidade cripto é que ela “parece realmente útil” — não por sua precisão, mas porque os vieses cognitivos do cérebro se reforçam infinitamente.

O mecanismo mais clássico é a confirmação de viés. Quando você acredita que “lua cheia causa queda”, lembra-se de todos os casos de quedas após lua cheia, ignorando os dias de alta ou de lateralização. Quando a sua “K-line da vida” mostra que este ano entrou numa fase de alta, você atribui cada pequeno aumento à “confirmação do mapa astral”, enquanto interpreta as grandes correções como “ajustes técnicos de curto prazo que não afetam a tendência geral”.

O ambiente de redes sociais de criptomoedas amplifica esse viés várias vezes.

“Segui um conselho de Tarot e comprei ETH, ganhei 20% em três dias!” — esse tipo de tweet provavelmente será amplamente compartilhado, curtido e capturado em screenshots. Mas os traders que perdem dinheiro com base em dicas de Tarot não postarão, nem serão vistos. Assim, o fluxo de informação na comunidade fica cheio de casos de metafísica que se confirmam, enquanto os fracassos são filtrados automaticamente.

Em março deste ano, a previsão de lua de sangue do analista @ChartingGuy foi um exemplo clássico. Independentemente de o mercado subir ou descer depois, a previsão deixa espaço para explicações: “topo antecipado”, “atraso na confirmação”, “precisa de outros ângulos planetários”. Se, por acaso, o BTC realmente recuar nesse período, o tweet será citado repetidamente como uma “previsão divina”.

Quando o BTC despenca, os traders precisam urgentemente de uma razão. Análise técnica diz “quebrou o suporte”, análise macro diz “aumento de juros no Japão” — mas essas explicações são demasiado complexas e incertas. A metafísica oferece uma resposta simples: “Saturno retrógrado, o mercado entra em ciclo de baixa.” Essa explicação não exige uma compreensão profunda de mercado, políticas ou dados, basta acreditar que os movimentos celestiais influenciam o mercado. Assim, ela se espalha rapidamente e se torna consenso.

Mais importante, a metafísica é sempre não falsificável. Um mestre diz que não se deve negociar durante o período de Mercúrio retrógrado; se perder dinheiro, foi por não ter ouvido o conselho; se ganhar, foi por uma configuração especial do mapa astral, adequada para contrariar a tendência. Se o Tarô mostra grande volatilidade, qualquer movimento de alta ou baixa é considerado uma confirmação. Essa característica de “tudo vale” faz com que a metafísica seja imbatível no universo das negociações cripto.

Os traders não são realmente supersticiosos, mas o cérebro processa as informações da forma mais econômica possível — lembra-se do que é útil, ignora o que não é, substitui análises complexas por explicações simples. A metafísica não é popular por sua precisão, mas porque ela sempre parece precisa.

A metafísica como moeda social e ritual psicológico

O terceiro aspecto do sucesso da metafísica na comunidade cripto é que ela evoluiu para uma forma de moeda social.

Discutir análise técnica gera divergências, discutir metafísica não tem certo ou errado, apenas ressonância. “A sua K-line da vida é precisa?” — essa questão é amplamente debatida, não porque todos realmente a acreditem, mas porque é um tema acessível a qualquer um — sem necessidade de conhecimentos avançados ou especialização.

Um exemplo convincente é que a comunidade de leitores solicitou várias vezes às plataformas que adicionassem uma função de “verificar horóscopo”, e essa demanda foi atendida. As pessoas talvez não tomem decisões baseadas nisso, mas desejam ter um tema comum, um ritual psicológico diário.

Quando você diz no grupo de trading “Hoje é Mercúrio retrógrado, não abro posições”, ninguém questiona “isso não é científico”, ao contrário, alguém responde “Eu também, vamos passar essa fase juntos”. A essência dessa interação é a confirmação mútua: nossa ansiedade é racional, nossas preocupações não são exagero.

Uma pesquisa da Pew em 2025 revelou que 28% dos adultos nos EUA consultam astrologia, Tarot ou adivinhação pelo menos uma vez por ano. A metafísica deixou de ser uma cultura marginal e tornou-se uma necessidade psicológica comum. O universo cripto apenas transformou essa necessidade de uso privado para uma exibição pública.

Lendas de Wall Street também sugeriram dependências semelhantes. W.D. Gann, um dos mais famosos analistas de mercado do século XX, combinava esoterismo com análise técnica, usando astrologia para prever tendências. Soros, em “A Alquimia Financeira”, admitiu que avalia o risco de mercado com base na sua dor nas costas; quando o mercado vai reverter, sua dor aumenta drasticamente. Mas essas histórias na Wall Street são, há muito tempo, apenas lendas, e poucos admitem publicamente usar a metafísica para orientar negociações — no privado, podem montar arranjos de feng shui, usar amuletos de sorte, mas nunca deixar os colegas saberem, sob risco de serem considerados pouco profissionais.

A indústria de criptomoedas quebrou esse tabu. Neste campo, que já possui uma aura de mistério, a metafísica parece naturalmente compatível. Alguns usam mapas astrais para prever o próximo ciclo do BTC, outros decidem abrir posições com base na previsão do dia. Nos últimos anos, discussões sobre metafísica na cripto aumentaram, e cada vez mais pessoas entram na fila da negociação baseada em crenças ou curiosidade. No Twitter, surgiram muitos influenciadores de criptomoedas que usam análises metafísicas como marca pessoal.

O significado final da falsa certeza

A explosão do “K-line da Vida” revela uma verdade fundamental: nossa sensação de controle sobre o mercado pode ser tão frágil quanto o controle sobre o destino.

Quando você vê que seu “K-line da Vida” indica que este ano é ciclo de baixa, você não vai realmente liquidar suas posições. Mas, ao perder dinheiro, sentirá menos culpa; ao perder oportunidades, se consolará dizendo: “Não foi minha culpa, é o ciclo do meu mapa astral.”

Assim como os tabus de pedras de proteção que alertam que nem todos os momentos são adequados para agir, a metafísica também funciona como uma autorização psicológica para “saber quando parar” na negociação cripto. Nesse mercado 24/7, sem parar, cheio de incertezas, o que realmente queremos prever não é o nosso percurso de vida, mas uma sustentação psicológica que nos permita continuar na mesa de negociação.

A metafísica não é uma resposta, mas uma companhia. Em um mercado sem respostas autoritárias, ela oferece uma narrativa aceitável. Essa narrativa pode ser ilusória, mas é suficiente para ajudar dezenas de milhares de traders a passar mais uma noite sem dormir.

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