A dismorfia do dinheiro é real — e está a afetar a sua carteira mais do que pensa

Já passou a vista pelo seu conta bancária às 2 da manhã e convencido de que está sem dinheiro, apesar de ter dinheiro ali parado? Bem-vindo à dismorfia financeira.

Isto não é uma versão menos conhecida da dismorfia corporal—é uma condição psicológica genuína em que a sua perceção da sua realidade financeira fica drasticamente distorcida. Pode estar numa posição financeira sólida, mas o seu cérebro grita que está a uma emergência de ficar sem casa. A grande questão? Esta armadilha mental não só atrapalha a sua cabeça; pode sabotear ativamente as suas finanças.

O que exatamente é a dismorfia financeira?

A dismorfia financeira é basicamente a sua mente a fazer truques cruéis ao seu bolso. Pessoas que lidam com ela muitas vezes acreditam que estão a passar dificuldades financeiras, quando na verdade estão a fazer bem. Esta perceção distorcida provoca stress desnecessário, comportamentos obsessivos em relação ao dinheiro e um estado constante de ansiedade financeira que simplesmente não tem base na realidade.

Aqui está o ponto—enquanto qualquer pessoa pode desenvolver dismorfia financeira, as gerações mais jovens estão a levar o maior impacto.

Porque é que os Millennials e a Geração Z são os mais vulneráveis

Segundo Ali Katz, autora, advogada e fundadora de empresas especializadas em apoio financeiro e legal, as gerações mais novas herdam mais do que apenas dinheiro—herdam o trauma dos seus pais em relação à escassez. “As gerações mais novas podem apresentar os sintomas mais graves de dismorfia financeira, pois herdaram o trauma dos seus pais em torno da escassez e da sobrevivência,” explicou Katz.

As evidências apoiam isto: 67% dos millennials não concluíram qualquer planeamento patrimonial, pensando que não têm dinheiro suficiente para justificar isso. Esta evitação vem diretamente da dismorfia financeira, onde o bloqueio mental impede as pessoas de agirem. Entretanto, o trauma financeiro geracional perpetua-se porque os pais evitam falar com os filhos sobre heranças devido aos seus próprios medos.

Os quatro sinais vermelhos de que pode ter dismorfia financeira

1. A armadilha do “Fundo do Poço” que na verdade não é mesmo fundo do poço

Um dos sintomas mais insidiosos da dismorfia financeira é sentir-se permanentemente preso no “fundo do poço”. Segundo Katz, “A dismorfia financeira pode parecer um ciclo recorrente de fundo do poço financeiro. Pode sentir-se preso sem um plano, como se a vida estivesse a acontecer com você, em vez de por você.”

A grande reviravolta: este fundo do poço percebido é na verdade uma oportunidade disfarçada. É uma chance de refletir, aprender a confiar em si mesmo financeiramente e enfrentar os medos relacionados ao dinheiro que tem evitado. O problema é que a dismorfia financeira faz acreditar o contrário.

2. O assombro financeiro do “Nunca é suficiente”

Este sintoma manifesta-se de forma diferente do que se poderia esperar. O dinheiro não ocupa os seus pensamentos 24/7, mas está constantemente à espreita, criando uma ansiedade basal. Você obsessivamente acompanha os gastos, corta cupões e otimiza cada decisão para obter o máximo retorno—mas nunca sente que “ganhou”.

“Os seus hábitos financeiros incluem gastar tudo o que tem, apertar os cêntimos, cortar cupões e dedicar uma grande quantidade de tempo e energia a coisas que podem ter um retorno mais elevado,” disse Katz. “Persegue a sensação de ter ‘suficiente’—seja lá o que isso for—mas sente que nunca consegue.”

Este sintoma muitas vezes leva a um lugar perigoso: não consegue reconhecer os seus próprios desejos e necessidades, o que volta a fazer sentir-se impotente e sem poder.

3. A esteira do “Mais, Mais, Mais”

Algumas pessoas com dismorfia financeira acumularam riqueza real, mas sentem-se perpetuamente pobres. Cada decisão é governada pela necessidade de mais dinheiro. “Cada decisão que toma é governada pelo dinheiro, e é honesto sobre isso—mas, na realidade, não se sente verdadeiramente realizado,” explicou Katz.

O resultado? Pode comprometer relacionamentos por ganho financeiro, comprometer-se excessivamente com projetos ou aproveitar inadvertidamente as pessoas. E, como a fome por mais é infinita, nunca consegue realmente relaxar.

4. Ruptura de relacionamento (Financeiro e de Outro Tipo)

A dismorfia financeira não fica só na sua conta bancária—transborda para os seus relacionamentos. Pode ter muito dinheiro, mas tem medo de ser aproveitado financeiramente. Este medo cria dinâmicas desequilibradas com os outros, deixando-o paralisado quanto a como até mesmo ter a conversa.

Como libertar-se da dismorfia financeira

Passo 1: Reconheça o problema

Jeff Rose, Planeador Financeiro Certificado e fundador da Good Financial Cents, enfatiza que o reconhecimento é fundamental. “Este medo financeiro muitas vezes vem de não entender o dinheiro, ter experiências financeiras ruins no passado ou tentar demasiado cedo ser financeiramente independente,” disse Rose. “Estas coisas podem distorcer a forma como vemos a nossa situação financeira, levando ao excesso de poupança e a cortar a nossa alegria.”

Basta nomear o problema—admitir que tem dismorfia financeira—para dar o primeiro passo real rumo à recuperação.

Passo 2: Encontre o seu ponto de equilíbrio

Superar a dismorfia financeira não é tornar-se obsessivo com a otimização. É encontrar um equilíbrio genuíno. “Significa estabelecer objetivos financeiros que façam sentido para si, fazer um orçamento para alguma diversão ou até procurar ajuda de um terapeuta financeiro para trabalhar esses sentimentos,” aconselhou Rose. “Lembre-se, o seu valor próprio não depende de quanto dinheiro tem, e merece aproveitar a vida independentemente do seu saldo.”

É aqui que muitas pessoas ficam presas. Pensam que o valor próprio e o valor líquido estão ligados. Não estão.

Passo 3: Faça uma auditoria na sua dieta de redes sociais

Scott Lieberman, fundador da Touchdown Money, aponta o verdadeiro culpado aqui: a cultura da comparação. “As redes sociais e a cultura das celebridades podem agravar a dismorfia financeira, porque estamos a ver imagens de pessoas a viver vidas glamorosas gastando dinheiro. Mas, por outro lado, não sabemos a verdade sobre como conseguiram esse dinheiro ou quanto de dívida acumularam.”

O que vê nas redes sociais é uma ficção cuidadosamente curada. Reduzir o tempo de tela, especialmente em conteúdos focados em riqueza, pode ajudar realmente a redefinir a sua perceção.

Passo 4: Reframe o papel do dinheiro

Aqui está a mudança de perspetiva definitiva: o dinheiro é uma ferramenta, não uma medida do seu valor. “Em vez de procurar validação de fontes externas—e muitas vezes falsas!—, olhe para dentro de si,” disse Lieberman. “Pergunte-se, ‘O que realmente me faz feliz?’ Depois, viva com fé, gratidão e propósito. O dinheiro é simplesmente uma ferramenta para servir o seu propósito. Não é uma medida do seu valor.”

O caminho a seguir

A dismorfia financeira é real, mas também é tratável. Trabalhar com um terapeuta de saúde mental ou um terapeuta financeiro pode acelerar o processo de cura, mas a consciência—reconhecer que a sua perceção financeira pode estar distorcida—is onde a verdadeira mudança começa. A sua relação com o dinheiro pode ser curada, e quando isso acontece, tudo o resto melhora também.

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