À medida que avançamos para 2026, o mercado de minério de ferro enfrenta um ponto de viragem crítico. Após recuperar das mínimas de setembro de 2024, os preços permaneceram voláteis ao longo de 2025, presos entre pressões crescentes de oferta e fundamentos de procura enfraquecidos. Com nova capacidade de produção entrando em funcionamento e a produção global de aço por país apresentando tendências divergentes, os participantes do mercado devem preparar-se para pressões descendentes nos preços na segunda metade de 2026.
O Panorama Mundial da Produção de Aço e a Procura por Minério de Ferro
Compreender a trajetória do minério de ferro exige analisar a produção de aço por país. A China domina a produção global de aço, mas enfrenta cada vez mais obstáculos estruturais. Enquanto outras nações expandem capacidade — particularmente Índia, Brasil e partes da Rússia — permanecem autossuficientes em minério de ferro ou produzem aço através de métodos que consomem menos minério bruto.
A produção de aço na Europa estabilizou, com uma mudança para fornos de arco elétrico à medida que a descarbonização se torna obrigatória. Os EUA, apesar de uma procura maior de aço em relação à produção doméstica, importam pouco aço chinês, reduzindo os impactos tarifários nos mercados de minério de ferro. Este descompasso geográfico entre procura e fontes tradicionais de oferta cria repercussões significativas nos preços.
2025: Um Ano de Sinais Mistas
O minério de ferro abriu 2025 a US$99,44 por MT, subindo para US$107,26 em meados de fevereiro. Uma reversão acentuada em março empurrou os preços abaixo de US$100, seguida de volatilidade em abril, com preços oscilando de US$104,25 para US$99,05 em poucos dias. O metal atingiu seu fundo anual de US$93,41 no início de julho — um momento decisivo que refletiu preocupações acumuladas do mercado.
A segunda metade de 2025 trouxe algum alívio. Agosto viu os preços ultrapassarem US$100, atingindo um pico de US$106,08 em setembro. As negociações de final de ano permaneceram congestionadas, com o mercado marcando US$107,88 como o máximo anual antes de se estabilizar perto de US$106.
Duas forças principais moldaram essa volatilidade: a crise prolongada do setor imobiliário na China e a incerteza na política comercial dos EUA. Quando o Presidente Trump anunciou sua estrutura tarifária em abril, as ações e commodities despencaram, com o minério de ferro seguindo a tendência. A recuperação veio à medida que os mercados digeriam que as implementações tarifárias mais amplas enfrentavam obstáculos, mas a incerteza persistiu ao longo do ano.
Obstáculos Estruturais: O Fator Imobiliário na China
O colapso do setor imobiliário na China desde 2021 continua sendo o elefante na sala. Com grandes incorporadoras como Country Garden e Evergrande em falência, os estímulos governamentais não conseguiram restaurar o vigor do setor. A construção representa cerca de 50 por cento do consumo de aço, tornando a fraqueza do setor imobiliário chinês um fator direto de redução na procura de minério de ferro.
No entanto, a produção de aço na China foi parcialmente amortecida por exportações robustas para Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e América Latina. A procura de aço impulsionada por exportações compensou alguma fraqueza doméstica. Se esse suporte de exportação poderá se sustentar é questionável — muitos mercados já estão bem abastecidos.
2026: O Desequilíbrio entre Oferta e Procura Aumenta
Especialistas prevêem que, apesar de um crescimento modesto de 4,8 por cento do PIB, o setor imobiliário da China continuará a contrair ao longo de 2026. O consumo de aço na construção permanecerá deprimido. Para complicar, a China está ativamente mudando para fornos de arco elétrico, que usam sucata de aço em vez de minério de ferro como principal matéria-prima. Atualmente representando 12 por cento da produção de aço chinesa, os fornos de arco elétrico devem atingir 18 por cento na próxima década — uma pressão estrutural sobre a procura de minério de ferro.
Ao mesmo tempo, a oferta global de minério de ferro está a expandir-se. Todos os principais produtores planejam aumentar a produção em 2026, mas o fator decisivo é a mina de Simandou, na Guiné. Enviando seu primeiro carregamento em dezembro de 2025, a produção de Simandou será ampliada ao longo de 30 meses, atingindo 15-20 milhões de MT em 2026 e 40-50 milhões de MT em 2027. Com 65 por cento de teor de ferro e propriedade de um consórcio chinês em blocos-chave, a mina irá remodelar a dinâmica de oferta regional e fornecer à China fontes alternativas além dos fornecedores tradicionais australianos.
Efeitos Tarifários e Dinâmicas Específicas do Mercado
No que diz respeito às tarifas, as medidas mais amplas dos EUA representam risco mínimo de curto prazo para o minério de ferro. Embora as tarifas dos EUA sobre aço canadense e brasileiro estejam fixadas em 25 e 50 por cento, respectivamente, os pelotas de minério de ferro gozam de isenções. A incerteza reside na potencial renegociação do CUSMA — isenções gerais podem ser removidas, embora o aço canadense possa garantir isenções específicas.
O mecanismo de penalização CBAM da Europa, agora em vigor desde 1 de janeiro de 2026, cria uma pressão de longo prazo sobre importações de alto carbono, como o aço. Os produtores chineses respondem mudando para fornos de arco elétrico, o que reduz ainda mais a procura de minério de ferro — um ciclo auto-reforçador desfavorável aos preços.
Expectativas de Preços para 2026
As previsões de consenso apontam para valores mais baixos. Embora os preços possam permanecer sustentados no primeiro semestre de 2026 devido à procura sazonal, os analistas esperam que o limite de US$$100 por MT seja quebrado para baixo na segunda metade, à medida que a produção de Simandou acelera. As expectativas medianas variam de US$$94 a US$98, com algumas projeções próximas de US$95. Uma faixa razoável para 2026 parece ser entre US$100-105 por MT no primeiro semestre, caindo abaixo de US$$100 na segunda metade.
O mercado de minério de ferro entra em 2026 numa posição estruturalmente mais fraca — as dificuldades de procura decorrentes do colapso imobiliário na China e a mudança para métodos de produção baseados em sucata colidem com a crescente oferta nova. Para quem acompanha o setor, a fraqueza de preços e a concentração crescente de participação de mercado entre poucos produtores maiores provavelmente dominarão a narrativa.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Perspectivas do Mercado de Minério de Ferro 2026: Navegando por Mudanças na Oferta e Pressões de Demanda
À medida que avançamos para 2026, o mercado de minério de ferro enfrenta um ponto de viragem crítico. Após recuperar das mínimas de setembro de 2024, os preços permaneceram voláteis ao longo de 2025, presos entre pressões crescentes de oferta e fundamentos de procura enfraquecidos. Com nova capacidade de produção entrando em funcionamento e a produção global de aço por país apresentando tendências divergentes, os participantes do mercado devem preparar-se para pressões descendentes nos preços na segunda metade de 2026.
O Panorama Mundial da Produção de Aço e a Procura por Minério de Ferro
Compreender a trajetória do minério de ferro exige analisar a produção de aço por país. A China domina a produção global de aço, mas enfrenta cada vez mais obstáculos estruturais. Enquanto outras nações expandem capacidade — particularmente Índia, Brasil e partes da Rússia — permanecem autossuficientes em minério de ferro ou produzem aço através de métodos que consomem menos minério bruto.
A produção de aço na Europa estabilizou, com uma mudança para fornos de arco elétrico à medida que a descarbonização se torna obrigatória. Os EUA, apesar de uma procura maior de aço em relação à produção doméstica, importam pouco aço chinês, reduzindo os impactos tarifários nos mercados de minério de ferro. Este descompasso geográfico entre procura e fontes tradicionais de oferta cria repercussões significativas nos preços.
2025: Um Ano de Sinais Mistas
O minério de ferro abriu 2025 a US$99,44 por MT, subindo para US$107,26 em meados de fevereiro. Uma reversão acentuada em março empurrou os preços abaixo de US$100, seguida de volatilidade em abril, com preços oscilando de US$104,25 para US$99,05 em poucos dias. O metal atingiu seu fundo anual de US$93,41 no início de julho — um momento decisivo que refletiu preocupações acumuladas do mercado.
A segunda metade de 2025 trouxe algum alívio. Agosto viu os preços ultrapassarem US$100, atingindo um pico de US$106,08 em setembro. As negociações de final de ano permaneceram congestionadas, com o mercado marcando US$107,88 como o máximo anual antes de se estabilizar perto de US$106.
Duas forças principais moldaram essa volatilidade: a crise prolongada do setor imobiliário na China e a incerteza na política comercial dos EUA. Quando o Presidente Trump anunciou sua estrutura tarifária em abril, as ações e commodities despencaram, com o minério de ferro seguindo a tendência. A recuperação veio à medida que os mercados digeriam que as implementações tarifárias mais amplas enfrentavam obstáculos, mas a incerteza persistiu ao longo do ano.
Obstáculos Estruturais: O Fator Imobiliário na China
O colapso do setor imobiliário na China desde 2021 continua sendo o elefante na sala. Com grandes incorporadoras como Country Garden e Evergrande em falência, os estímulos governamentais não conseguiram restaurar o vigor do setor. A construção representa cerca de 50 por cento do consumo de aço, tornando a fraqueza do setor imobiliário chinês um fator direto de redução na procura de minério de ferro.
No entanto, a produção de aço na China foi parcialmente amortecida por exportações robustas para Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e América Latina. A procura de aço impulsionada por exportações compensou alguma fraqueza doméstica. Se esse suporte de exportação poderá se sustentar é questionável — muitos mercados já estão bem abastecidos.
2026: O Desequilíbrio entre Oferta e Procura Aumenta
Especialistas prevêem que, apesar de um crescimento modesto de 4,8 por cento do PIB, o setor imobiliário da China continuará a contrair ao longo de 2026. O consumo de aço na construção permanecerá deprimido. Para complicar, a China está ativamente mudando para fornos de arco elétrico, que usam sucata de aço em vez de minério de ferro como principal matéria-prima. Atualmente representando 12 por cento da produção de aço chinesa, os fornos de arco elétrico devem atingir 18 por cento na próxima década — uma pressão estrutural sobre a procura de minério de ferro.
Ao mesmo tempo, a oferta global de minério de ferro está a expandir-se. Todos os principais produtores planejam aumentar a produção em 2026, mas o fator decisivo é a mina de Simandou, na Guiné. Enviando seu primeiro carregamento em dezembro de 2025, a produção de Simandou será ampliada ao longo de 30 meses, atingindo 15-20 milhões de MT em 2026 e 40-50 milhões de MT em 2027. Com 65 por cento de teor de ferro e propriedade de um consórcio chinês em blocos-chave, a mina irá remodelar a dinâmica de oferta regional e fornecer à China fontes alternativas além dos fornecedores tradicionais australianos.
Efeitos Tarifários e Dinâmicas Específicas do Mercado
No que diz respeito às tarifas, as medidas mais amplas dos EUA representam risco mínimo de curto prazo para o minério de ferro. Embora as tarifas dos EUA sobre aço canadense e brasileiro estejam fixadas em 25 e 50 por cento, respectivamente, os pelotas de minério de ferro gozam de isenções. A incerteza reside na potencial renegociação do CUSMA — isenções gerais podem ser removidas, embora o aço canadense possa garantir isenções específicas.
O mecanismo de penalização CBAM da Europa, agora em vigor desde 1 de janeiro de 2026, cria uma pressão de longo prazo sobre importações de alto carbono, como o aço. Os produtores chineses respondem mudando para fornos de arco elétrico, o que reduz ainda mais a procura de minério de ferro — um ciclo auto-reforçador desfavorável aos preços.
Expectativas de Preços para 2026
As previsões de consenso apontam para valores mais baixos. Embora os preços possam permanecer sustentados no primeiro semestre de 2026 devido à procura sazonal, os analistas esperam que o limite de US$$100 por MT seja quebrado para baixo na segunda metade, à medida que a produção de Simandou acelera. As expectativas medianas variam de US$$94 a US$98, com algumas projeções próximas de US$95. Uma faixa razoável para 2026 parece ser entre US$100-105 por MT no primeiro semestre, caindo abaixo de US$$100 na segunda metade.
O mercado de minério de ferro entra em 2026 numa posição estruturalmente mais fraca — as dificuldades de procura decorrentes do colapso imobiliário na China e a mudança para métodos de produção baseados em sucata colidem com a crescente oferta nova. Para quem acompanha o setor, a fraqueza de preços e a concentração crescente de participação de mercado entre poucos produtores maiores provavelmente dominarão a narrativa.