O minério de ferro recuperou dos mínimos de setembro de 2024, mas 2025 revelou-se um saco de gatos, com a incerteza tarifária e a confiança oscilante dos investidores a dificultarem o momentum. A commodity mantém-se atrelada à procura global de aço, que por sua vez depende da vitalidade da construção e da manufatura. Nos últimos anos, a produção de baterias para veículos elétricos emergiu como outro motor de procura significativo, embora a escala permaneça modesta em comparação com a construção.
O Lado da Procura: Para Onde Vai Realmente o Aço?
O domínio da China na produção global de aço é inegável—o país produz mais aço do que o resto do mundo junto. No entanto, as reservas domésticas de minério de ferro ficam aquém das necessidades de consumo, tornando-se o maior importador de metais base do mundo. Esta dependência confere à saúde económica chinesa uma influência desproporcional nos mercados globais de minério de ferro. A crise no setor imobiliário, que começou em 2021, desencadeada por colapsos de construtoras como a Country Garden e a Evergrande, continua a pesar na procura de aço para construção. Apesar de o governo chinês ter implementado várias iniciativas de estímulo, a recuperação do mercado imobiliário permanece elusiva.
A construção normalmente representa cerca de 50 por cento do consumo final de aço. Para além da China, a procura de aço está cada vez mais distribuída por Sudeste Asiático, Leste Asiático, Médio Oriente, América Latina e África—mercados que compensaram parcialmente a fraqueza do consumo interno chinês através de exportações.
No entanto, está em curso uma mudança estrutural. A China está a transitar progressivamente de altos-fornos para fornos de arco elétrico (EAFs), que dependem de sucata de aço em vez de minério de ferro bruto. Atualmente, os EAFs representam cerca de 12 por cento da produção de aço na China, com projeções a sugerir que este valor possa subir para 18 por cento até ao início dos anos 2030. Esta mudança é parcialmente impulsionada pelos objetivos de redução de emissões estabelecidos para 2030 e parcialmente pelo Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) da UE, que impõe taxas sobre importações de alto carbono, como o aço—uma política que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2026.
A implicação para a procura de minério de ferro é preocupante: regiões que expandem a produção de aço, como a Índia (o maior estado produtor de minério de ferro na Índia sendo um contribuinte chave), Rússia, Brasil e Irão, são geralmente autossuficientes em minério e não dependem de importações. Entretanto, a produção europeia de aço enfrenta obstáculos estruturais à medida que os produtores se deslocam para métodos de menor carbono.
Como se Desempenhou o Minério de Ferro em 2025
O ano começou a US$99,44 por tonelada métrica (MT) a 6 de janeiro, subindo para US$107,26 até meados de fevereiro. Uma forte retracção em março levou os preços para perto de US$100, seguida de uma recuperação para US$104,25 no início de abril. Uma venda mais ampla de metais básicos fez os preços despencarem para US$99,05 a 9 de abril. Enquanto outras commodities recuperaram, o minério de ferro continuou a deteriorar-se, atingindo uma baixa de US$93,41 a 1 de julho. A segunda metade trouxe estabilidade relativa, com os preços a oscilar na faixa de US$100–US$107 . No final do ano, o minério de ferro tinha subido para US$107,88 a 4 de dezembro, antes de estabilizar em US$106,13.
O principal responsável pela fraqueza na primeira metade foi a crise persistente no desenvolvimento imobiliário chinês, combinada com receios desencadeados pelos anúncios tarifários do presidente dos EUA, Trump, em abril. As tarifas de “Dia da Libertação” impuseram uma taxa base de 10 por cento e ameaçaram medidas retaliatórias adicionais, provocando brevemente receios de recessão e vendas de commodities. Os mercados recuperaram à medida que os formuladores de políticas recuaram das propostas mais agressivas.
O Choque de Oferta: Simandou Entra em Jogo
Um desenvolvimento crucial ocorreu em dezembro de 2024, quando a enorme mina de Simandou, na Guiné, enviou o seu primeiro minério para fundições chinesas. Esta mina será transformadora. A produção irá aumentar ao longo dos próximos 30 meses, atingindo entre 15 e 20 milhões de MT por ano em 2026 e entre 40 e 50 milhões de MT até 2027. Criticamente, o minério de Simandou tem uma qualidade de 65 por cento de teor de ferro, significativamente superior a muitas fontes concorrentes.
A estrutura de propriedade da mina tem importância geopolítica. Os blocos um e dois são detidos por um consórcio sino-singapurense, enquanto os blocos três e quatro envolvem a Rio Tinto, a Chinalco e o governo da Guiné. Esta distribuição permite à China diversificar-se de fornecedores tradicionais australianos—um objetivo estratégico que o país tem perseguido sem sucesso há 15 anos. A entrada de nova oferta perturba as cadeias de abastecimento existentes e desloca o momentum para os compradores em vez dos vendedores.
Obstáculos Tarifários e Políticos
As tarifas de aço dos EUA provavelmente não terão um impacto direto dramático no minério de ferro, uma vez que a procura de aço americana excede a produção doméstica, mas as importações chinesas continuam marginais. Os EUA dependem principalmente de fornos de arco elétrico alimentados por sucata, não por minério bruto. O Canadá e o Brasil enfrentam tarifas de 25 e 50 por cento, respetivamente, mas ambos mantêm isenções para pelotas de minério de ferro. No entanto, a renegociação do CUSMA em 2026 poderá alterar este cálculo, introduzindo incerteza.
O mecanismo CBAM da Europa terá efeitos mais duradouros. Ao favorecer métodos de produção de menor carbono, acelera a mudança global para fornos de arco elétrico e reduz a procura de minério de ferro bruto.
Perspetivas para 2026: Crescimento Suave Encontra Oferta Crescente
Embora se projete que a economia chinesa cresça 4,8 por cento em 2026, o crescimento da procura de aço permanecerá limitado pela fraqueza contínua do setor imobiliário. A oferta está preparada para aumentar, com todos os principais mineradores a incrementar a produção, sendo a ramp-up de Simandou a contribuição mais significativa. Esta combinação—procura fraca aliada ao aumento da capacidade—aponta para uma pressão contínua sobre os preços.
As previsões de consenso situam-se na faixa de US$94–US$105 . Os observadores do mercado esperam que os preços permaneçam na faixa de US$100–US$105 durante o primeiro semestre de 2026, impulsionados pela procura sazonal. No entanto, à medida que Simandou aumenta a produção na segunda metade, espera-se que os preços caiam abaixo de US$100 por MT, com peso na estimativa de consenso de US$94 para o ano.
A convergência de obstáculos na procura, crescimento da oferta e mudanças estruturais nos métodos de produção de aço sugere que o minério de ferro terá dificuldades em encontrar suporte de preço sustentado em 2026, a menos que haja uma surpresa significativa no crescimento global ou uma perturbação geopolítica nas cadeias de abastecimento.
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O que vem a seguir para os preços do minério de ferro: Dinâmicas-chave que estão a remodelar o mercado em 2026
O minério de ferro recuperou dos mínimos de setembro de 2024, mas 2025 revelou-se um saco de gatos, com a incerteza tarifária e a confiança oscilante dos investidores a dificultarem o momentum. A commodity mantém-se atrelada à procura global de aço, que por sua vez depende da vitalidade da construção e da manufatura. Nos últimos anos, a produção de baterias para veículos elétricos emergiu como outro motor de procura significativo, embora a escala permaneça modesta em comparação com a construção.
O Lado da Procura: Para Onde Vai Realmente o Aço?
O domínio da China na produção global de aço é inegável—o país produz mais aço do que o resto do mundo junto. No entanto, as reservas domésticas de minério de ferro ficam aquém das necessidades de consumo, tornando-se o maior importador de metais base do mundo. Esta dependência confere à saúde económica chinesa uma influência desproporcional nos mercados globais de minério de ferro. A crise no setor imobiliário, que começou em 2021, desencadeada por colapsos de construtoras como a Country Garden e a Evergrande, continua a pesar na procura de aço para construção. Apesar de o governo chinês ter implementado várias iniciativas de estímulo, a recuperação do mercado imobiliário permanece elusiva.
A construção normalmente representa cerca de 50 por cento do consumo final de aço. Para além da China, a procura de aço está cada vez mais distribuída por Sudeste Asiático, Leste Asiático, Médio Oriente, América Latina e África—mercados que compensaram parcialmente a fraqueza do consumo interno chinês através de exportações.
No entanto, está em curso uma mudança estrutural. A China está a transitar progressivamente de altos-fornos para fornos de arco elétrico (EAFs), que dependem de sucata de aço em vez de minério de ferro bruto. Atualmente, os EAFs representam cerca de 12 por cento da produção de aço na China, com projeções a sugerir que este valor possa subir para 18 por cento até ao início dos anos 2030. Esta mudança é parcialmente impulsionada pelos objetivos de redução de emissões estabelecidos para 2030 e parcialmente pelo Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) da UE, que impõe taxas sobre importações de alto carbono, como o aço—uma política que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2026.
A implicação para a procura de minério de ferro é preocupante: regiões que expandem a produção de aço, como a Índia (o maior estado produtor de minério de ferro na Índia sendo um contribuinte chave), Rússia, Brasil e Irão, são geralmente autossuficientes em minério e não dependem de importações. Entretanto, a produção europeia de aço enfrenta obstáculos estruturais à medida que os produtores se deslocam para métodos de menor carbono.
Como se Desempenhou o Minério de Ferro em 2025
O ano começou a US$99,44 por tonelada métrica (MT) a 6 de janeiro, subindo para US$107,26 até meados de fevereiro. Uma forte retracção em março levou os preços para perto de US$100, seguida de uma recuperação para US$104,25 no início de abril. Uma venda mais ampla de metais básicos fez os preços despencarem para US$99,05 a 9 de abril. Enquanto outras commodities recuperaram, o minério de ferro continuou a deteriorar-se, atingindo uma baixa de US$93,41 a 1 de julho. A segunda metade trouxe estabilidade relativa, com os preços a oscilar na faixa de US$100–US$107 . No final do ano, o minério de ferro tinha subido para US$107,88 a 4 de dezembro, antes de estabilizar em US$106,13.
O principal responsável pela fraqueza na primeira metade foi a crise persistente no desenvolvimento imobiliário chinês, combinada com receios desencadeados pelos anúncios tarifários do presidente dos EUA, Trump, em abril. As tarifas de “Dia da Libertação” impuseram uma taxa base de 10 por cento e ameaçaram medidas retaliatórias adicionais, provocando brevemente receios de recessão e vendas de commodities. Os mercados recuperaram à medida que os formuladores de políticas recuaram das propostas mais agressivas.
O Choque de Oferta: Simandou Entra em Jogo
Um desenvolvimento crucial ocorreu em dezembro de 2024, quando a enorme mina de Simandou, na Guiné, enviou o seu primeiro minério para fundições chinesas. Esta mina será transformadora. A produção irá aumentar ao longo dos próximos 30 meses, atingindo entre 15 e 20 milhões de MT por ano em 2026 e entre 40 e 50 milhões de MT até 2027. Criticamente, o minério de Simandou tem uma qualidade de 65 por cento de teor de ferro, significativamente superior a muitas fontes concorrentes.
A estrutura de propriedade da mina tem importância geopolítica. Os blocos um e dois são detidos por um consórcio sino-singapurense, enquanto os blocos três e quatro envolvem a Rio Tinto, a Chinalco e o governo da Guiné. Esta distribuição permite à China diversificar-se de fornecedores tradicionais australianos—um objetivo estratégico que o país tem perseguido sem sucesso há 15 anos. A entrada de nova oferta perturba as cadeias de abastecimento existentes e desloca o momentum para os compradores em vez dos vendedores.
Obstáculos Tarifários e Políticos
As tarifas de aço dos EUA provavelmente não terão um impacto direto dramático no minério de ferro, uma vez que a procura de aço americana excede a produção doméstica, mas as importações chinesas continuam marginais. Os EUA dependem principalmente de fornos de arco elétrico alimentados por sucata, não por minério bruto. O Canadá e o Brasil enfrentam tarifas de 25 e 50 por cento, respetivamente, mas ambos mantêm isenções para pelotas de minério de ferro. No entanto, a renegociação do CUSMA em 2026 poderá alterar este cálculo, introduzindo incerteza.
O mecanismo CBAM da Europa terá efeitos mais duradouros. Ao favorecer métodos de produção de menor carbono, acelera a mudança global para fornos de arco elétrico e reduz a procura de minério de ferro bruto.
Perspetivas para 2026: Crescimento Suave Encontra Oferta Crescente
Embora se projete que a economia chinesa cresça 4,8 por cento em 2026, o crescimento da procura de aço permanecerá limitado pela fraqueza contínua do setor imobiliário. A oferta está preparada para aumentar, com todos os principais mineradores a incrementar a produção, sendo a ramp-up de Simandou a contribuição mais significativa. Esta combinação—procura fraca aliada ao aumento da capacidade—aponta para uma pressão contínua sobre os preços.
As previsões de consenso situam-se na faixa de US$94–US$105 . Os observadores do mercado esperam que os preços permaneçam na faixa de US$100–US$105 durante o primeiro semestre de 2026, impulsionados pela procura sazonal. No entanto, à medida que Simandou aumenta a produção na segunda metade, espera-se que os preços caiam abaixo de US$100 por MT, com peso na estimativa de consenso de US$94 para o ano.
A convergência de obstáculos na procura, crescimento da oferta e mudanças estruturais nos métodos de produção de aço sugere que o minério de ferro terá dificuldades em encontrar suporte de preço sustentado em 2026, a menos que haja uma surpresa significativa no crescimento global ou uma perturbação geopolítica nas cadeias de abastecimento.