Múltiplos fatores impulsionam a subida do petróleo bruto e do gás RBOB em meio às tensões no Médio Oriente

Os contratos futuros de petróleo bruto e gasolina registaram ganhos na sexta-feira, com o crude WTI de fevereiro a avançar +0,25 pontos (+0,42%) e a gasolina RBOB de fevereiro a subir +0,0014 (+0,08%), à medida que os mercados recuperaram da forte queda de quinta-feira. A recuperação dos preços reflete uma interação complexa de riscos geopolíticos, perturbações na produção e dinâmicas de procura em mudança que continuam a sustentar os mercados de energia.

Riscos Geopolíticos Mantêm os Preços Elevados

A instabilidade contínua no Irão permanece como um fator-chave que impulsiona os preços, com o aumento dos tumultos na nação a pesar sobre os preços do crude, apesar de as expectativas de intervenção militar direta dos EUA a curto prazo terem diminuído. Como quarto maior produtor da OPEP, gerando mais de 3 milhões de barris por dia, o Irão representa um componente crítico do fornecimento global de petróleo. A situação agravou-se com milhares de manifestantes a protestar em várias cidades iranianas contra as políticas do governo, que desencadearam uma grave crise económica e depreciação da moeda. As forças de segurança reprimiram as manifestações com vítimas significativas, levando o Presidente Trump a sinalizar uma possível ação militar se o governo intensificar a violência.

O posicionamento militar reforçou o potencial de subida do crude. A Fox News informou que os EUA estão a posicionar um grupo de porta-aviões na região, com outros ativos militares a serem deslocados para o Médio Oriente nas próximas semanas. Isto sucede a avisos anteriores para que o pessoal dos EUA evacue a base aérea de Al Udeid, no Qatar — uma instalação anteriormente alvo de ataques retaliatórios iranianos após ataques dos EUA à infraestrutura nuclear iraniana. Qualquer escalada poderá perturbar a produção de crude do Irão, criando uma pressão de subida significativa nos preços.

Obstáculos na Oferta Apoiam a Estabilidade do Mercado

Para além das tensões no Médio Oriente, várias restrições na oferta estão a reforçar o piso dos preços. Ataques com drones esta semana a petroleiros posicionados perto do terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa do Mar Negro da Rússia, reduziram as cargas de crude em quase 50%, diminuindo o throughput para aproximadamente 900.000 bpd. Esta perturbação reflete o impacto contínuo dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa, que já visaram pelo menos 28 refinarias ao longo de quatro meses, limitando as capacidades de exportação da Rússia.

Dados recentes de energia dos EUA evidenciam a escassez no mercado de crude. Os dados da EIA, de 9 de janeiro, mostraram que os inventários de crude nos EUA estavam 3,4% abaixo da média sazonal de 5 anos, sinalizando uma flexibilidade de oferta limitada. A produção de crude americana diminuiu 0,4% semana a semana, para 13,753 milhões de bpd, ficando ligeiramente abaixo do recorde de novembro de 13,862 milhões de bpd. Entretanto, os dados da Baker Hughes revelaram que as plataformas de petróleo ativas nos EUA aumentaram em uma, para 410 unidades — uma recuperação modesta desde o mínimo de 406 plataformas de dezembro, atingido há 4,25 anos, embora represente uma forte diminuição face ao pico de 627 plataformas de dezembro de 2022, há 5,5 anos.

Estratégia de Produção da OPEP+ Proporciona um Equilíbrio

A OPEP+ reforçou o seu compromisso de contenção em 3 de janeiro, anunciando planos de pausar aumentos de produção durante o primeiro trimestre de 2026. Apesar de o cartel ter autorizado um aumento de +137.000 bpd em dezembro, manterá a produção estável até ao início de 2026, à medida que aumentam as preocupações com excedentes globais de petróleo. A produção da OPEP em dezembro aumentou modestamente +40.000 bpd, para 29,03 milhões de bpd, enquanto a organização trabalha com os restantes 1,2 milhões de bpd de cortes de produção iniciados no início de 2024.

A IEA alertou para um excedente global de petróleo recorde de 4,0 milhões de bpd previsto para 2026, uma preocupação que levou a OPEP+ a moderar os seus planos de expansão, apesar das pressões de procura internacional.

Procura Chinesa Contrabalança as Preocupações com Excedentes

O impulso da procura na Ásia está a oferecer suporte contrabalançador aos preços. As importações de crude da China em dezembro deverão aumentar 10% mês a mês, atingindo um recorde de 12,2 milhões de bpd, à medida que o país reconstrói as reservas estratégicas, segundo dados da Kpler. Este é o ritmo de importação mais forte de sempre e fornece uma base de procura tangível contra o crescente excedente global.

A dinâmica de armazenamento também merece atenção. A Vortexa informou na segunda-feira que o crude mantido em petroleiros parados (por mais de 7 dias) diminuiu 0,3% semana a semana, para 120,9 milhões de barris na semana encerrada a 9 de janeiro, sugerindo uma absorção constante da procura do mercado.

Divergência de Inventários e Perspetivas de Produção

O último relatório da EIA revelou um quadro misto de inventários domésticos. Enquanto os stocks de crude permanecem 3,4% abaixo das normas sazonais, os inventários de gasolina estão 3,4% acima da média de 5 anos e os de destilados estão 4,1% abaixo dos referenciais sazonais. Esta distribuição desigual reflete mudanças nas operações das refinarias e nos padrões de procura por produtos.

Na frente da produção, a EIA aumentou ligeiramente a sua estimativa de produção de crude nos EUA para 2026, para 13,59 milhões de bpd, de 13,53 milhões de bpd anteriormente, ao mesmo tempo que reduziu a previsão de consumo de energia para 95,37 quatrilhões de BTU, de 95,68 anteriormente. Estas ajustamentos indicam perspetivas de crescimento modesto, moderadas pelas expectativas de procura em arrefecimento.

A interação de tensões geopolíticas elevadas, restrições estruturais na oferta, o reabastecimento de reservas estratégicas por grandes consumidores e a disciplina de produção da OPEP+ continuam a ancorar os preços do crude dentro de uma faixa de negociação favorável, mesmo quando as preocupações de excedente a longo prazo começam a pesar nas avaliações futuras.

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