Fonte: PortaldoBitcoin
Título Original: O que é renda passiva em dólar digital? Investimento que paga até 10% ao ano
Link Original:
Com as taxas de juros dos EUA ainda elevadas, o dólar torna-se uma prioridade para proteger ativos dos investidores brasileiros, e uma nova “porta de entrada” vem ganhando atenção: as stablecoins (geralmente chamadas de dólar digital).
As stablecoins não só permitem exposição ao dólar com liquidação quase instantânea, como algumas plataformas também começaram a oferecer o chamado rendimento passivo em dólar digital, que é um retorno pago sobre o saldo em stablecoins, geralmente por meio de estratégias de protocolos de finanças descentralizadas(DeFi), envolvendo empréstimos e fornecimento de liquidez.
A ideia é simples: além de investir na moeda mais forte do mundo, o investidor pode obter ganhos adicionais apenas mantendo o capital na plataforma. Mas esse tipo de investimento realmente vale mais a pena do que a compra tradicional de dólares?
O que é “rendimento passivo em dólar digital”
No universo cripto, dólar digital geralmente se refere às stablecoins atreladas ao dólar, como a mais conhecida USDT (emitida pela Tether) e USDC (emitida pela Circle). Esses ativos visam manter paridade 1:1 com o dólar, apoiados por reservas que podem ser fundos depositados em bancos ou títulos do Tesouro dos EUA. Apesar de não haver uma “garantia” do governo americano, podem apresentar pequenas oscilações em períodos de pressão, mas, em geral, mantêm valor próximo de 1 dólar.
“O rendimento passivo” surge quando esse dólar digital deixa de ficar ocioso e passa a ser alocado em estratégias que geram retorno(yield), geralmente relacionadas a empréstimos e fornecimento de liquidez. Na prática, você é remunerado por usar USDT/USDC dentro de protocolos, e esses retornos podem variar.
Como funciona na prática
As plataformas podem usar diferentes aplicações de DeFi para oferecer retorno aos usuários. Por exemplo, em uma grande corretora, o cliente deposita stablecoins e recebe recompensas diárias por fornecer liquidez. Nesse caso, o rendimento pode chegar a até 10% ao ano, valor superior às taxas de juros nos EUA (abaixo de 4%).
É importante notar que esses retornos não são fixos nem garantidos. As recompensas podem oscilar diariamente, dependendo da dinâmica do mercado DeFi, mas, em avaliações de médio a longo prazo, tendem a se aproximar das estimativas divulgadas.
No caso da plataforma, o protocolo utilizado é o Aave, onde a taxa de juros é resultado direto da oferta e demanda do pool. Ou seja, se há muita liquidez disponível (oferta alta) e poucos tomadores, a taxa tende a cair para atrair demanda; se há alta demanda por empréstimos e pouca oferta, a taxa sobe para incentivar novos depósitos.
Esse mecanismo baseado na “utilização” do pool (quanto do capital depositado está efetivamente emprestado) é um dos pilares do modelo de taxas variáveis desses protocolos.
Retorno efetivo
Para ilustrar melhor, vejamos diferentes cenários, considerando um período de investimento de três meses.
No primeiro, o rendimento passivo em dólar digital anual é de 5%, o que equivale a aproximadamente 1,23% em três meses. Ou seja, 100 dólares gerariam cerca de 1,23 dólares, ao final, totalizando 101,23 dólares. Já 1.000 dólares renderiam cerca de 12,27 dólares, totalizando 1.012,27 dólares. Algumas plataformas pagam diariamente, então os valores podem variar, e você pode retirar os lucros a qualquer momento.
No segundo cenário, o retorno pode ser maior. Uma plataforma lançou uma promoção de “Dólar Digital Turbinado”, que dobra o rendimento de 5% para 10% ao ano, pagando trimestralmente. Assim, o retorno trimestral sobe para cerca de 2,41%. Na prática, 100 dólares nesse período renderiam aproximadamente 2,41 dólares, totalizando 102,41 dólares, enquanto 1.000 dólares renderiam cerca de 24,11 dólares, totalizando 1.024,11 dólares.
Para avaliar se vale a pena, é preciso comparar com a compra tradicional de dólares, cujo retorno costuma acompanhar as taxas de juros dos EUA.
No modo tradicional, o investidor paga uma taxa de IOF de 1,1% na compra de dólares. Essa taxa, por si só, consome boa parte do retorno em curto prazo: considerando uma taxa anual de aproximadamente 3,62% (como a de títulos do Tesouro de 3 meses), o retorno em três meses é de cerca de 0,89%, e o investidor já começa a perder 1,1% do valor principal.
Em valores numéricos: para 100 dólares, o IOF custa 1,10 dólares, aplicando 98,90 dólares, o retorno em três meses é de aproximadamente 0,88 dólares, totalizando 99,78 dólares (ainda abaixo do valor inicial). Para 1.000 dólares, o IOF é 11 dólares, aplicando 989 dólares, com retorno de cerca de 8,83 dólares, totalizando 997,83 dólares. Além disso, há outros custos, como a variação cambial e taxas de operação (bancos, corretoras, plataformas), que podem reduzir ainda mais o resultado líquido, especialmente para valores menores.
Outra alternativa comum é usar contas internacionais de fintechs globais. O problema é que essa opção costuma ser mais cara desde o início, com IOF de 3,5%. Além disso, é comum encontrar spreads de câmbio de até 2%, mesmo em plataformas que oferecem operações sem taxas.
Nesse caso, ao comprar 100 dólares, com IOF de 3,5%, você começa com 96,50 dólares. Em três meses, isso gera cerca de 0,86 dólares, chegando a um total de 97,36 dólares, sem considerar o spread cambial. Para 1.000 dólares, o IOF de 3,5% equivale a 35 dólares, e o valor efetivo convertido/transferido fica em 965 dólares, com retorno de aproximadamente 8,62 dólares, totalizando 973,62 dólares.
Resumo de opções de investimento com US$ 1.000:
Produto
Rentabilidade
IOF
Retorno em 3 meses
Resultado líquido
Dólar digital
5% ao ano
0,00%
12,27 dólares
1.012,27 dólares
Dólar digital turbo
10% ao ano
0,00%
24,11 dólares
1.024,11 dólares
Dólar tradicional
3,62% ao ano (títulos do Tesouro de 3 meses)
1,10%
8,83 dólares
997,83 dólares
Conta internacional de câmbio
3,62% ao ano (títulos do Tesouro de 3 meses)
3,50%
8,62 dólares
973,62 dólares
E os impostos?
Um dos argumentos usados pelas plataformas de stablecoins é que, por não se tratar de uma compra de moeda estrangeira “tradicional”, não há incidência de IOF na aquisição de dólar digital. Isso ajuda a explicar por que o “rendimento passivo em dólar digital” é tão atrativo: ao colocar o IOF na frente, o rendimento começa a “trabalhar” desde o primeiro dia, sem precisar pagar o imposto antes.
Por outro lado, no Brasil, os rendimentos obtidos por meio de stablecoins são considerados rendimentos no exterior e sujeitos à tributação, devendo ser declarados ao fisco e pagando-se 15% de imposto de renda sobre eles.
“Tradicional” dólar versus dólar digital
No final, fica claro por que o rendimento passivo em dólar digital atrai tantos investidores, e por que pode ser mais vantajoso do que comprar dólares e tentar gerar retorno com eles de forma tradicional.
A principal diferença está na fricção: no modo clássico, o investidor costuma sair em desvantagem por causa de impostos e custos operacionais, como o IOF na entrada, além de spreads e taxas que, no curto prazo, reduzem ou até anulam os ganhos.
No dólar digital, a proposta geralmente é eliminar parte dessas fricções, oferecendo acesso 100% digital e liquidação mais rápida, além de permitir que o saldo em stablecoins já esteja gerando rendimento.
Além disso, o investidor não busca apenas “juros”, mas também exposição ao dólar. Ao obter retorno em USDT ou USDC, ele mantém o ativo atrelado ao dólar, ao mesmo tempo em que recebe uma remuneração adicional. Como as stablecoins são atreladas ao dólar, esse produto costuma oferecer uma experiência menos volátil do que ativos cripto com maior oscilar.
Isso não significa que se deve tratar esse produto como uma renda fixa tradicional. Os retornos podem variar conforme a oferta e demanda dos protocolos, e há riscos que não existem em títulos tradicionais em dólares. Ainda assim, faz sentido: se o objetivo é dolarizar e obter algum rendimento sem pagar as taxas de câmbio tradicionais, o dólar digital é uma alternativa mais eficiente para alguns investidores.
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O que é a renda passiva em dólares digitais? Uma forma de investimento com rendimento anual de até 10%
Fonte: PortaldoBitcoin Título Original: O que é renda passiva em dólar digital? Investimento que paga até 10% ao ano Link Original: Com as taxas de juros dos EUA ainda elevadas, o dólar torna-se uma prioridade para proteger ativos dos investidores brasileiros, e uma nova “porta de entrada” vem ganhando atenção: as stablecoins (geralmente chamadas de dólar digital).
As stablecoins não só permitem exposição ao dólar com liquidação quase instantânea, como algumas plataformas também começaram a oferecer o chamado rendimento passivo em dólar digital, que é um retorno pago sobre o saldo em stablecoins, geralmente por meio de estratégias de protocolos de finanças descentralizadas(DeFi), envolvendo empréstimos e fornecimento de liquidez.
A ideia é simples: além de investir na moeda mais forte do mundo, o investidor pode obter ganhos adicionais apenas mantendo o capital na plataforma. Mas esse tipo de investimento realmente vale mais a pena do que a compra tradicional de dólares?
O que é “rendimento passivo em dólar digital”
No universo cripto, dólar digital geralmente se refere às stablecoins atreladas ao dólar, como a mais conhecida USDT (emitida pela Tether) e USDC (emitida pela Circle). Esses ativos visam manter paridade 1:1 com o dólar, apoiados por reservas que podem ser fundos depositados em bancos ou títulos do Tesouro dos EUA. Apesar de não haver uma “garantia” do governo americano, podem apresentar pequenas oscilações em períodos de pressão, mas, em geral, mantêm valor próximo de 1 dólar.
“O rendimento passivo” surge quando esse dólar digital deixa de ficar ocioso e passa a ser alocado em estratégias que geram retorno(yield), geralmente relacionadas a empréstimos e fornecimento de liquidez. Na prática, você é remunerado por usar USDT/USDC dentro de protocolos, e esses retornos podem variar.
Como funciona na prática
As plataformas podem usar diferentes aplicações de DeFi para oferecer retorno aos usuários. Por exemplo, em uma grande corretora, o cliente deposita stablecoins e recebe recompensas diárias por fornecer liquidez. Nesse caso, o rendimento pode chegar a até 10% ao ano, valor superior às taxas de juros nos EUA (abaixo de 4%).
É importante notar que esses retornos não são fixos nem garantidos. As recompensas podem oscilar diariamente, dependendo da dinâmica do mercado DeFi, mas, em avaliações de médio a longo prazo, tendem a se aproximar das estimativas divulgadas.
No caso da plataforma, o protocolo utilizado é o Aave, onde a taxa de juros é resultado direto da oferta e demanda do pool. Ou seja, se há muita liquidez disponível (oferta alta) e poucos tomadores, a taxa tende a cair para atrair demanda; se há alta demanda por empréstimos e pouca oferta, a taxa sobe para incentivar novos depósitos.
Esse mecanismo baseado na “utilização” do pool (quanto do capital depositado está efetivamente emprestado) é um dos pilares do modelo de taxas variáveis desses protocolos.
Retorno efetivo
Para ilustrar melhor, vejamos diferentes cenários, considerando um período de investimento de três meses.
No primeiro, o rendimento passivo em dólar digital anual é de 5%, o que equivale a aproximadamente 1,23% em três meses. Ou seja, 100 dólares gerariam cerca de 1,23 dólares, ao final, totalizando 101,23 dólares. Já 1.000 dólares renderiam cerca de 12,27 dólares, totalizando 1.012,27 dólares. Algumas plataformas pagam diariamente, então os valores podem variar, e você pode retirar os lucros a qualquer momento.
No segundo cenário, o retorno pode ser maior. Uma plataforma lançou uma promoção de “Dólar Digital Turbinado”, que dobra o rendimento de 5% para 10% ao ano, pagando trimestralmente. Assim, o retorno trimestral sobe para cerca de 2,41%. Na prática, 100 dólares nesse período renderiam aproximadamente 2,41 dólares, totalizando 102,41 dólares, enquanto 1.000 dólares renderiam cerca de 24,11 dólares, totalizando 1.024,11 dólares.
Para avaliar se vale a pena, é preciso comparar com a compra tradicional de dólares, cujo retorno costuma acompanhar as taxas de juros dos EUA.
No modo tradicional, o investidor paga uma taxa de IOF de 1,1% na compra de dólares. Essa taxa, por si só, consome boa parte do retorno em curto prazo: considerando uma taxa anual de aproximadamente 3,62% (como a de títulos do Tesouro de 3 meses), o retorno em três meses é de cerca de 0,89%, e o investidor já começa a perder 1,1% do valor principal.
Em valores numéricos: para 100 dólares, o IOF custa 1,10 dólares, aplicando 98,90 dólares, o retorno em três meses é de aproximadamente 0,88 dólares, totalizando 99,78 dólares (ainda abaixo do valor inicial). Para 1.000 dólares, o IOF é 11 dólares, aplicando 989 dólares, com retorno de cerca de 8,83 dólares, totalizando 997,83 dólares. Além disso, há outros custos, como a variação cambial e taxas de operação (bancos, corretoras, plataformas), que podem reduzir ainda mais o resultado líquido, especialmente para valores menores.
Outra alternativa comum é usar contas internacionais de fintechs globais. O problema é que essa opção costuma ser mais cara desde o início, com IOF de 3,5%. Além disso, é comum encontrar spreads de câmbio de até 2%, mesmo em plataformas que oferecem operações sem taxas.
Nesse caso, ao comprar 100 dólares, com IOF de 3,5%, você começa com 96,50 dólares. Em três meses, isso gera cerca de 0,86 dólares, chegando a um total de 97,36 dólares, sem considerar o spread cambial. Para 1.000 dólares, o IOF de 3,5% equivale a 35 dólares, e o valor efetivo convertido/transferido fica em 965 dólares, com retorno de aproximadamente 8,62 dólares, totalizando 973,62 dólares.
Resumo de opções de investimento com US$ 1.000:
E os impostos?
Um dos argumentos usados pelas plataformas de stablecoins é que, por não se tratar de uma compra de moeda estrangeira “tradicional”, não há incidência de IOF na aquisição de dólar digital. Isso ajuda a explicar por que o “rendimento passivo em dólar digital” é tão atrativo: ao colocar o IOF na frente, o rendimento começa a “trabalhar” desde o primeiro dia, sem precisar pagar o imposto antes.
Por outro lado, no Brasil, os rendimentos obtidos por meio de stablecoins são considerados rendimentos no exterior e sujeitos à tributação, devendo ser declarados ao fisco e pagando-se 15% de imposto de renda sobre eles.
“Tradicional” dólar versus dólar digital
No final, fica claro por que o rendimento passivo em dólar digital atrai tantos investidores, e por que pode ser mais vantajoso do que comprar dólares e tentar gerar retorno com eles de forma tradicional.
A principal diferença está na fricção: no modo clássico, o investidor costuma sair em desvantagem por causa de impostos e custos operacionais, como o IOF na entrada, além de spreads e taxas que, no curto prazo, reduzem ou até anulam os ganhos.
No dólar digital, a proposta geralmente é eliminar parte dessas fricções, oferecendo acesso 100% digital e liquidação mais rápida, além de permitir que o saldo em stablecoins já esteja gerando rendimento.
Além disso, o investidor não busca apenas “juros”, mas também exposição ao dólar. Ao obter retorno em USDT ou USDC, ele mantém o ativo atrelado ao dólar, ao mesmo tempo em que recebe uma remuneração adicional. Como as stablecoins são atreladas ao dólar, esse produto costuma oferecer uma experiência menos volátil do que ativos cripto com maior oscilar.
Isso não significa que se deve tratar esse produto como uma renda fixa tradicional. Os retornos podem variar conforme a oferta e demanda dos protocolos, e há riscos que não existem em títulos tradicionais em dólares. Ainda assim, faz sentido: se o objetivo é dolarizar e obter algum rendimento sem pagar as taxas de câmbio tradicionais, o dólar digital é uma alternativa mais eficiente para alguns investidores.