Plataforma de tokens de valores do NYSE que pode ser uma "espada de dois gumes": o seu verdadeiro significado e impacto no mercado

No início de 2025, a Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE) anunciou oficialmente o desenvolvimento de uma plataforma de negociação e liquidação de títulos tokenizados utilizando tecnologia blockchain. Esta decisão não representa apenas uma atualização tecnológica, mas uma reestruturação das próprias regras que o setor financeiro tradicional vem cultivando há mais de 200 anos. Com a fronteira entre ativos digitais e finanças tradicionais a desaparecer, a entrada da NYSE promete exercer uma influência de “double-edged sword” em toda a indústria.

O que realmente significa esta plataforma aparentemente inovadora? Ela não traz apenas oportunidades para os participantes do mercado, mas também pode representar uma crise de sobrevivência para as camadas de interesses estabelecidos, indicando uma transformação complexa e multilayer.

Negociação 24/7 e liquidação instantânea: a revolução na eficiência de capital com tecnologia híbrida

A arquitetura híbrida adotada pela NYSE combina o seu núcleo tecnológico “Pillar Matching Engine” com funcionalidades de liquidação blockchain. O Pillar é a tecnologia central da NYSE capaz de processar milhões de ordens por segundo, e ao integrar a liquidação on-chain, elimina completamente os atrasos dos ciclos tradicionais de liquidação T+1 ou T+2.

Como resultado, é possível realizar a liquidação atômica (troca instantânea de fundos e ativos) simultaneamente à negociação. Isso significa que o risco de crédito associado às negociações tradicionais desaparece, permitindo que o capital seja sempre utilizado de forma eficiente.

Outro recurso importante é a funcionalidade de “negociação de ações fracionadas”. Investidores de todo o mundo poderão adquirir ações caras, que normalmente custam milhares de dólares por ação, com pequenas quantias em dólares, democratizando o acesso a ativos de alto valor que antes eram domínio exclusivo de investidores institucionais. Isso representa uma democratização das oportunidades de investimento e também uma dispersão do poder de decisão de preços no mercado.

Na área de liquidação de fundos, a NYSE colaborou estreitamente com o Citibank e o Bank of New York Mellon para introduzir “depósitos tokenizados”. Enquanto a liquidação tradicional dependia do horário bancário, os depósitos tokenizados possibilitam transferências em tempo real mesmo durante fins de semana ou à noite. Essa inovação melhora significativamente a capacidade de atender às demandas de fundos em diferentes fusos horários e reduz drasticamente a necessidade de manter fundos ociosos.

Competição digital global entre bolsas: Nasdaq, Londres e Cingapura na disputa

A NYSE não está isolada. Diversas bolsas globais já estão avançando na entrada no mercado de títulos tokenizados. Essa competição é tão acirrada que pode ser considerada uma “corrida armamentista digital”, com cada bolsa adotando abordagens distintas para liderar o mercado.

A Nasdaq, por exemplo, apresentou em outono de 2025 uma solicitação à SEC para negociar ações tokenizadas, adotando um “modelo híbrido”. Nesse modelo, os investidores podem escolher entre métodos tradicionais de liquidação e liquidação via tokens na mesma plataforma de ordens. Trata-se de uma estratégia de “evolução gradual”, que busca equilibrar a inovação com a preservação dos interesses dos investidores tradicionais e a abertura para novos entrantes.

Por outro lado, a estratégia da NYSE é mais agressiva. A construção de uma plataforma independente de títulos tokenizados visa criar um padrão para o mercado financeiro de próxima geração. Enquanto a Nasdaq busca “ampliar as opções”, a NYSE pretende “estabelecer um novo padrão”.

Do outro lado do Atlântico, movimentos similares estão em andamento. A Bolsa de Londres, através do DisH (Digital Clearing House), busca realizar liquidações internacionais 24/7, eliminando fricções cambiais e riscos de crédito. A Deutsche Börse, com sua estratégia “Horizon 2026”, foca na plataforma de emissão de títulos digitais D7 e na plataforma de negociação de ativos digitais DBDX, já emitindo mais de 10 bilhões de euros em títulos digitais. A Bolsa de Cingapura, em parceria com a MAS (Monetary Authority of Singapore), realiza testes de liquidação de títulos do governo e notas por meio de projetos como o Project Guardian e a iniciativa BLOOM, utilizando CBDCs.

Reestruturação do setor: os efeitos de “double-edged sword” dos projetos de tokenização, exchanges de criptomoedas e provedores de liquidez

A expansão da plataforma da NYSE traz impactos complexos, atuando como uma “double-edged sword” para o mercado de ativos digitais. Para diferentes participantes, essa movimentação pode representar tanto oportunidades quanto ameaças, numa relação de ambiguidade.

Posição dos emissores de tokens: da emissão à distribuição

Para projetos de tokenização já existentes, como OndonFinance e Securitize, a entrada da NYSE tem um significado de “double-edged sword”.

Por um lado, a maior redução na incerteza regulatória é positiva. Esses projetos enfrentaram por anos investigações e pressões regulatórias da SEC, e a entrada de uma instituição financeira mainstream como a NYSE pode transformar a propriedade de títulos na blockchain de uma inovação periférica para um consenso mainstream. Além disso, as oportunidades de colaboração com investidores institucionais podem se ampliar significativamente.

Por outro lado, há desafios. A NYSE controla a fonte de liquidez, e a competição com projetos existentes atingirá níveis sem precedentes. Atualmente, esses projetos atuam como “emissores de ativos”, mas, se a NYSE passar a oferecer diretamente títulos tokenizados, eles podem ser forçados a mudar seu papel para “distribuidores de ativos” ou “provedores estratégicos”. Isso implica na perda do controle sobre a emissão de ativos, um risco potencial.

Exchanges de criptomoedas: absorção bidirecional de liquidez

A capacidade da NYSE de suportar negociações 24/7 representa uma ameaça de concorrência forte para o mercado de criptomoedas.

O grande volume de stablecoins retido na blockchain pode migrar para ativos de ações dos EUA, que oferecem rendimentos mais estáveis. Como títulos tokenizados de alta qualidade, com modelos de receita claros e proteção regulatória, esses ativos podem exercer uma forte “captação de capital” sobre altcoins, que muitas vezes dependem de narrativas e têm menor utilidade prática, podendo levar à escassez de liquidez desses últimos.

Além disso, há o risco de investidores individuais com pouco capital entrarem diretamente na plataforma tokenizada da NYSE. Até agora, esses investidores acessavam o mercado de ações dos EUA por meio de exchanges de criptomoedas, mas podem preferir plataformas mais seguras e reguladas, como a NYSE.

Provedores de liquidez: inovação abrangente em estratégias algorítmicas

A emergência de um mercado de ações 24/7 exige que market makers e provedores de liquidez desenvolvam funções de hedge em tempo real para toda a cadeia de mercado.

Os market makers tradicionais da NYSE precisarão compatibilizar suas operações com os AMMs (Automated Market Makers) do DeFi, enquanto os protocolos DeFi deverão integrar tecnologias de matching de alta frequência do estilo Pillar. Essa fusão tecnológica pode gerar um grupo de provedores de liquidez de elite, capazes de dominar ambos os sistemas.

Por outro lado, o modelo 24/7 traz o risco de fragmentação de liquidez, especialmente em horários noturnos e fins de semana, quando a liquidez local pode se tornar extremamente dispersa, aumentando spreads e a volatilidade.

“Adaptar-se ou ficar para trás”: a transformação irreversível da digitalização financeira

O desenvolvimento de plataformas de títulos tokenizados pela NYSE representa uma reestruturação “no nível do código” das lógicas do mercado financeiro tradicional. Isso não se limita à extensão do horário de negociação, mas promove avanços na eficiência de capital, redução de barreiras de entrada e uma redistribuição do poder de mercado.

Para o mercado de ativos digitais, essa mudança significa uma transição de “narrativa virtual” para “suporte físico”. Para o setor financeiro tradicional, representa uma “segunda revolução industrial” após a incorporação de alta produtividade do DeFi.

A decisão da NYSE evidencia que a digitalização do sistema financeiro é irreversível. A questão deixou de ser “participar ou não”, e passou a ser “como se adaptar”. Os players que conseguirem adaptar-se terão potencial para liderar o próximo mercado de capitais, enquanto os que não conseguirem podem ser marginalizados.

Os efeitos “double-edged sword” da tokenização de títulos, como o nome indica, terão significados completamente diferentes dependendo da posição e capacidade de cada participante do mercado.

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