Os preços do café sobem hoje à medida que a fraqueza do dólar impulsiona a recuperação do mercado

Os preços do café registaram ganhos significativos hoje, com ambas as principais variedades a subir à medida que um índice do dólar enfraquecido desencadeou uma cobertura curta generalizada nos mercados de commodities. Os contratos futuros de café arábica de março fecharam com uma subida de 0,92%, enquanto os contratos futuros de robusta de março dispararam 2,88%, atingindo máximos de 1,5 meses, sinalizando uma renovada força no complexo do café à medida que os traders se reposicionaram antes de relatórios-chave de oferta.

Arabica e Robusta Ambos Ganham Terreno

O duplo rally nos preços do café de hoje reflete um forte impulso que se está a construir tanto no segmento de arábica quanto no de robusta. Os contratos futuros de arábica, a variedade de maior qualidade preferida pelos torrefadores especializados, prolongaram os ganhos, enquanto a robusta, o café de grau commodity que domina a procura industrial, registou ganhos percentuais ainda mais impressionantes. A queda do dólar para um mínimo de 3,5 meses foi o principal catalisador, incentivando os investidores a re-cobrir posições curtas que tinham sido acumuladas durante a recente fraqueza.

Queda nas Exportações Brasileiras e Preocupações com o Clima Sustentam os Preços

As pressões do lado da oferta estão a apoiar os preços do café nas negociações de hoje, com os dados de exportação de dezembro do Brasil a revelar tendências preocupantes. O país reportou que as exportações totais de café verde caíram 18,4% em comparação com o ano anterior, com os embarques de arábica a diminuir 10% face ao ano anterior e os embarques de robusta a diminuir 61%. O Brasil, que domina a produção mundial de café arábica, também enfrenta uma precipitação abaixo da média nas suas principais regiões de cultivo. Minas Gerais, a maior área de cultivo de arábica do mundo, recebeu apenas 53% da precipitação média histórica durante janeiro, levantando preocupações sobre o desenvolvimento da colheita de 2025/26.

Separadamente, os inventários de café monitorizados pela ICE recuperaram-se das recentes mínimas, acrescentando complexidade ao quadro da oferta. Os stocks de arábica recuperaram para um máximo de 2,5 meses, enquanto os inventários de robusta também subiram a partir das mínimas de dezembro, sugerindo alguma melhoria nas disponibilidades físicas apesar dos obstáculos de exportação do Brasil.

Aumento da Produção no Vietname Compensa Algumas Ganhos

O Vietname, o maior produtor mundial de robusta, apresenta um contrapeso à escassez de oferta do Brasil. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, enquanto a produção está projetada para subir 6%, para 1,76 milhões de toneladas métricas — um máximo de quatro anos. Funcionários da indústria sugerem que condições climáticas favoráveis podem impulsionar a produção de 2025/26 até 10% acima do ano anterior, ameaçando injetar mais oferta de robusta nos mercados globais.

Perspetiva Global de Oferta: Sinais Mistas à Frente

O panorama global mais amplo mostra sinais conflitantes para os preços do café no futuro. Dados da Organização Internacional do Café indicaram que as exportações globais para o ano de comercialização atual permanecem relativamente estáveis em relação ao ano anterior, enquanto o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos em 2025/26. No entanto, a produção de arábica deverá diminuir 4,7%, apesar do total global recorde, devido ao aumento projetado de 10,9% na robusta.

Analisando as previsões regionais, a produção do Brasil em 2025/26 deverá cair 3,1%, enquanto a produção do Vietname continua a subir em direção a máximos de vários anos. Estas trajetórias divergentes sugerem que, embora as disponibilidades gerais de café estejam a apertar-se para o segmento premium de arábica, o mercado de robusta enfrenta pressões de oferta abundantes. As stocks finais estão projetadas para diminuir modestamente 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, indicando condições de aperto gradual, mas longe de uma crise.

Os preços do café de hoje refletem esta complexa interação de fatores de curto prazo — fraqueza do dólar, quedas nas exportações brasileiras e preocupações climáticas — equilibrados com o crescimento de oferta a longo prazo vindo do Vietname e aumentos previstos na produção global. Os traders que navegam pelos contratos futuros de café de hoje precisarão ponderar o cenário de alta, devido às perturbações atuais na oferta, contra o cenário de baixa, devido à expansão da capacidade de produção em regiões-chave.

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