O preço do café hoje sobe mais alto à medida que a força da moeda brasileira reduz os estoques

Futuros de café registaram ganhos robustos hoje, com contratos de arábica de março a avançar 3,26% e futuros de robusta de março a subir 2,48%, marcando um momento de forte impulso no complexo de commodities. A recuperação reflete uma confluência de constrangimentos de oferta e dinâmicas cambiais que apertaram os inventários globais de café, ao mesmo tempo que limitaram os volumes de exportação do maior produtor de arábica do mundo.

Vento contrário cambial amortece exportações brasileiras de café

A força do real brasileiro face ao dólar norte-americano emergiu como um fator crítico que está a remodelar a dinâmica do mercado de café hoje. Com o real a valorizar-se até ao seu nível mais alto em 20 meses, os produtores brasileiros de café enfrentam incentivos reduzidos para vender internacionalmente, pois as suas receitas de exportação traduzem-se em menos reais quando denominadas em dólar a enfraquecer. Esta valorização cambial tem efeitos em cascata em toda a cadeia de abastecimento de café.

As exportações de café verde de dezembro no Brasil refletem o desincentivo à exportação criado pela força do real. Os embarques totais contraíram 18,4% em comparação com o ano anterior, totalizando 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuir 10% face ao ano anterior para 2,6 milhões de sacos e os embarques de robusta a cair 61% face ao ano anterior para 222.147 sacos, de acordo com dados da Cecafe, associação de exportadores de café do Brasil.

Desafios climáticos e de produção reforçam a força do mercado

Precipitação abaixo da média nas principais regiões produtoras de arábica no Brasil proporcionou suporte adicional aos preços do café hoje. Minas Gerais, que representa a maior área de cultivo de café arábica do país, recebeu apenas 33,9mm de chuva durante a semana que terminou a 16 de janeiro — representando apenas 53% da média histórica de longo prazo. Estes défices de humidade levantam preocupações sobre o desenvolvimento da colheita e possíveis impactos na produtividade.

Estas pressões climáticas ocorrem num contexto de uma base de produção substancial no Brasil. A agência de previsão de colheitas brasileira, Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos em dezembro, sugerindo fornecimentos abundantes apesar dos desafios climáticos de curto prazo. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção de café do Brasil em 2025/26 diminuirá 3,1% face ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, indicando que o mercado já está a precificar alguns obstáculos de produção.

Recuperação de inventários globais e perspetivas de oferta

Tendências recentes nos inventários monitorizados de café apresentam sinais mistos para os preços do café. Os stocks de café arábica na ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em novembro, antes de se recuperarem para 461.829 sacos em meados de janeiro — um máximo de 2,5 meses. De forma semelhante, os inventários de robusta caíram para um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes em dezembro, mas posteriormente recuperaram para 4.609 lotes, sugerindo uma acumulação de inventário de curto prazo em stocks certificados de armazém.

A trajetória de produção robusta do Vietname contrasta com os desafios do Brasil e pesa especificamente sobre os preços do robusta. As exportações de café do Vietname em 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, enquanto a produção de 2025/26 está projetada a subir 6% face ao ano anterior, para 1,76 milhões de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos) — um máximo de 4 anos de produção. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção de 2025/26 poderá exceder a colheita anterior em 10%, se as condições climáticas forem favoráveis.

A nível global, a Organização Internacional do Café reportou que as exportações mundiais de café para o ano de comercialização atual (outubro a setembro) diminuíram 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, apontando para constrangimentos modestos de exportação que compensam o forte crescimento da oferta vindo do Vietname e de várias outras origens.

Perspetivas de mercado e implicações nos preços

A avaliação de dezembro do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% face ao ano anterior, atingindo um máximo histórico de 178,848 milhões de sacos. No entanto, esta expansão global oculta mudanças importantes na composição: a produção de arábica deverá diminuir 4,7% face ao ano anterior, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta expandirá 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. O aumento projetado na oferta de robusta do Vietname reflete as dinâmicas divergentes de oferta entre os dois tipos de café.

Os stocks finais globais para 2025/26 deverão diminuir 5,4% em relação ao ano anterior, para 20,148 milhões de sacos, sugerindo que a procura permanece suficientemente robusta para absorver o crescimento de oferta previsto. Esta redução de inventário fornece suporte estrutural aos preços do café hoje e sugere que a escassez de oferta a nível global poderá persistir, apesar do aumento de produção do Vietname. A interação entre constrangimentos de oferta no Brasil, efeitos de valorização cambial e forte procura deve continuar a sustentar a dinâmica dos preços do café no curto prazo.

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