Padrões Climáticos Divergentes Impulsionam Movimentos Mistos no Mercado de Café Arábica

Sinais mistos emergiram do mercado de café na quinta-feira, com os contratos futuros de café arábica recuando enquanto os contratos de robusta ganhavam terreno. A divergência destaca como as condições meteorológicas localizadas continuam a moldar a dinâmica das commodities, com previsões opostas nas duas principais nações produtoras de café do mundo criando pressões distintas no mercado. O café arábica de março (KCH26) caiu 5,50 pontos (-1,57%), enquanto o café robusta ICE de março (RMH26) avançou 34 pontos (+0,82%).

O desempenho contrastante reflete perspectivas meteorológicas fundamentalmente diferentes para as duas principais regiões produtoras. O café arábica enfrentou obstáculos devido às expectativas de chuvas sustentadas na próxima semana em Minas Gerais, principal zona de cultivo de café arábica do Brasil. Por outro lado, as Terras Altas Centrais do Vietname—lar da produção mundial de robusta—enfrentam precipitação limitada nos próximos 10 dias, apoiando os preços dessa variedade.

Previsões de Chuva no Brasil Pesam sobre os Preços do Café Arábica

O padrão úmido previsto em Minas Gerais pressionou os valores do café arábica à medida que os traders reavaliaram a disponibilidade de oferta. Segundo o relatório da Somar Meteorologia na última segunda-feira, a região recebeu 33,9 mm de chuva durante a semana que terminou em 16 de janeiro, equivalente a apenas 53% da média histórica. Essa precipitação abaixo da média inicialmente parecia apoiar os preços. No entanto, as previsões mais recentes sinalizam uma reversão, com chuvas constantes esperadas nos próximos sete dias—uma evolução que os traders de arábica viram negativamente.

A perspectiva de umidade na região contrasta com os padrões sazonais anteriores. Nas semanas recentes, condições mais secas sustentaram os níveis de preço ao aumentar as preocupações com a produção. A mudança para um clima mais úmido levou os investidores a reavaliar os fundamentos da demanda e a potencial recuperação da oferta, desencadeando a queda dos contratos futuros de café arábica na sessão.

Sinal de Recuperação de Inventário Indica Mudança de Mercado

Um fator complicador para o suporte de preços tem sido o descongelamento da escassez de estoques. Os estoques de arábica monitorados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em 20 de novembro, aparentemente favorável. No entanto, a recuperação para 461.829 sacos em 14 de janeiro (máximo de 2,5 meses) indicou uma disponibilidade em melhora e criou pressão de baixa.

As tendências de estoques de robusta contam uma história semelhante. Os mínimos de dezembro de 4.012 lotes (um nadir de 1 ano) recuperaram para 4.609 lotes na última sexta-feira—um pico de 1,75 meses. Os aumentos de estoque sugerem estoques globais suficientes para atender à demanda, reduzindo o prêmio impulsionado pela urgência que as condições de oferta restrita costumam exigir.

Perspectiva de Produção: Crescimento Concentrado em Robusta

O ano de produção 2025/26 apresenta um quadro complexo para as duas variedades de café. A agência Conab do Brasil aumentou sua previsão de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos em dezembro, sinalizando uma oferta doméstica robusta a partir do coração do cultivo de arábica. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projetou a produção do Brasil para 2025/26 em 63 milhões de sacos, embora isso represente uma queda de 3,1% em relação ao ano anterior.

Em contraste, a trajetória de produção do Vietname diverge acentuadamente. A produção de café do país para 2025/26 é projetada em 30,8 milhões de sacos—um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior e um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname afirmou em outubro que a produção poderia subir 10% acima da colheita anterior se o clima permanecesse favorável. Esse crescimento dominado por robusta sustenta os preços nesse mercado, enquanto cria pressões de oferta de longo prazo sobre os preços do arábica.

A previsão mais ampla do USDA sugere que a produção de arábica cairá 4,7%, para 95,515 milhões de sacos globalmente, enquanto a robusta sobe 10,9%, para 83,333 milhões de sacos—uma mudança estrutural que favorece uma variedade em detrimento da outra.

Dinâmica de Exportação Revela Forças de Mercado Contrárias

Os padrões de exportação ampliam a divergência de oferta. As exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos, com as remessas de arábica diminuindo 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos. As exportações de robusta do Brasil despencaram 61% em relação ao ano anterior, para apenas 222.147 sacos, refletindo restrições de oferta nessa categoria.

O aumento das exportações do Vietname contou a história oposta. O Escritório Nacional de Estatísticas informou em 5 de janeiro que as exportações de café do Vietname em 2025 saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas—crescimento robusto que pesa nos pisos de preço do robusta, mesmo com o robusta subindo devido ao otimismo com o clima.

Panorama Global de Oferta: O Que Está Por Vir

A Organização Internacional do Café relatou em novembro que as exportações globais de café para o ano comercial atual (outubro-setembro) caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos—uma ligeira queda que mascara mudanças regionais. O relatório bianual do USDA FAS projetou a produção mundial em 2025/26 em um recorde de 178,848 milhões de sacos, um aumento de 2,0% em relação ao ano anterior, sugerindo estoques abundantes à frente.

As reservas finais para 2025/26 estão previstas para diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior. Embora isso represente uma redução modesta, o nível absoluto indica uma reserva suficiente para moderar a volatilidade de preços tanto no segmento de arábica quanto no de robusta durante a próxima temporada.

A ação mista do mercado na quinta-feira reflete, em última análise, esse cenário complexo: fatores de suporte ao café arábica (fraqueza nas exportações do Brasil, espaço para crescimento na produção) entram em conflito com pressões (recuperação de estoques, previsões de chuva), enquanto o robusta navega por um crescimento robusto na produção contra um forte impulso de exportação e clima favorável de curto prazo.

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