Nos Estados Unidos, há um dado: a taxa de insucesso de veteranos empreendedores é 30% menor do que a da população geral.


A maioria das pessoas pensa que empreender requer criatividade, paixão e coragem de apostar tudo. Mas os veteranos trazem um conjunto diferente de competências: processos, disciplina e tolerância à incerteza.
O núcleo do treino militar não é torná-lo mais inteligente, mas sim capacitar você a tomar decisões com informações incompletas. No campo de batalha, não há planos perfeitos, apenas momentos em que, com 70% de certeza, é preciso agir. Essa mentalidade, transferida para o cenário empreendedor, se manifesta em uma execução mais rápida e custos de decisão mais baixos.
Vamos comparar os dois perfis de empreendedores.
O empreendedor comum, ao obter financiamento, primeiro contrata pessoas, aluga escritórios e constrói a marca. O empreendedor veterano primeiro valida o menor produto viável, usando três pessoas para testar a reação do mercado, confirmando a demanda real antes de expandir. O primeiro é impulsionado por recursos, o segundo por validação.
Essa diferença é ainda mais evidente no setor Web3. Muitos projetos começam com narrativas grandiosas, mecanismos complexos e whitepapers de várias páginas. Mas o que o usuário realmente precisa pode ser apenas uma ponte entre cadeias que funcione de forma estável ou uma DEX com taxas de gás mais baixas. O pensamento de veterano divide o problema na menor unidade possível, resolve um ponto de dor primeiro e só depois fala de ecossistema.
Outra habilidade subestimada é a forma de lidar com o fracasso.
No exército, há um conceito chamado AAR(After Action Review), que consiste em revisar imediatamente após cada missão, sem buscar culpados, apenas analisando onde o processo falhou. Essa mecânica, aplicada ao empreendedorismo, é a capacidade de cortar perdas rapidamente e iterar. Um empreendedor comum, após fracassar, tende a se envolver emocionalmente, enquanto o veterano vê o fracasso como um dado, ajusta os parâmetros e continua testando.
Um exemplo clássico na indústria de criptomoedas: em 2021, um projeto DeFi sofreu um ataque de empréstimo relâmpago. A equipe conseguiu corrigir a vulnerabilidade, criar um plano de compensação para os usuários e lançar uma nova versão em 48 horas. O fundador, ex-membro do Corpo de Fuzileiros Navais, disse numa entrevista: "Já lidamos com situações piores no Afeganistão, pelo menos desta vez ninguém vai morrer."
Essa calma não é fingida, é uma memória muscular treinada.
Porém, há pontos cegos no empreendedorismo de veteranos.
O exército valoriza a execução e a hierarquia, o que é uma vantagem na gestão de equipes iniciais, mas pode se tornar uma limitação na fase de inovação e tentativa e erro. Alguns veteranos dependem excessivamente de processos, padronizando tudo e acabando por sufocar a flexibilidade da equipe.
Outro ponto é a compreensão de marketing. A cultura militar valoriza o trabalho duro, não a narrativa. Mas, no campo de atenção da economia Web3, a capacidade de contar histórias determina quanto recurso um projeto consegue captar. Muitos projetos tecnicamente sólidos fracassam na divulgação, porque os fundadores não querem ou não sabem fazer gestão de comunidade e produção de conteúdo.
O mais interessante são aqueles que conseguem combinar as duas mentalidades.
Eles mantêm a disciplina e a gestão de risco aprendidas no exército, ao mesmo tempo em que aprendem a manter uma postura aberta diante da incerteza. Nem todos os problemas podem ser resolvidos com SOPs; às vezes, é preciso usar intuição e improviso.
A lição do empreendedorismo de veteranos não é que todos devem se alistar, mas sim entender essa lógica: como priorizar recursos limitados, tomar decisões rápidas com informações incompletas e revisar sem emoções após fracassos.
Essas habilidades são aplicáveis em qualquer área de alta incerteza. Especialmente na indústria de criptomoedas, onde a velocidade de mudança é dez vezes maior do que na indústria tradicional, mas o espaço para erros é muito menor.
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