Ano de grande ciclo! Conversa com Hu Xiao da Oriental Red Asset Management: Não apostar em pontos de virada, descobrir oportunidades de certeza

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Recentemente, o “super ciclo das commodities” tem provocado uma onda de investimento global, com o entusiasmo pelo investimento em ciclos também a aumentar rapidamente.

Como aproveitar os ciclos e fazer bons investimentos em ações cíclicas? Quais armadilhas evitar? Recentemente, o repórter da China Securities firmou uma entrevista com Hu Xiao, uma gestora de fundos da Dongfanghong Asset Management com mais de 16 anos de experiência em pesquisa de setores cíclicos e 2 anos de gestão de investimentos — conversando sobre investimentos em ações cíclicas e outras oportunidades de ciclo ainda pouco exploradas.

A carreira de pesquisa de Hu Xiao começou em 2009. Em 2010, ingressou na Dongfanghong Asset Management, dedicando-se por longo tempo ao estudo de setores como metais não ferrosos, utilidades públicas, transporte, aço e petróleo e petroquímica. Em fevereiro de 2024, foi promovida a gestora de fundos, iniciando oficialmente sua carreira de investimento.

“Investir em ações cíclicas não é o mesmo que investir em commodities”, afirmou Hu Xiao. Ela explica que o investimento em ações cíclicas exige uma análise sistemática da posição e relação entre quatro ciclos: o ciclo macroeconômico, o ciclo de capacidade do setor, o ciclo operacional das empresas e o ciclo de avaliação de mercado. “Esses ciclos se entrelaçam e, às vezes, ressoam em alta, o que é a melhor fase de investimento; mas na maior parte do tempo, nem todos os ciclos estão sincronizados.”

No que diz respeito à estrutura de investimento, Hu Xiao acredita que o valor intrínseco de uma empresa está enraizado na sua capacidade contínua de gerar fluxo de caixa livre. Para ela, o modelo de desconto do fluxo de caixa livre é um sistema de precificação comprovado ao longo do tempo. “O objetivo do investimento é encontrar empresas cujo valor intrínseco esteja em constante crescimento, comprando quando o preço estiver abaixo do valor e vendendo quando estiver acima.”

“Tenho refletido: na era do crescimento rápido de investimentos quantitativos e passivos, onde está o valor de longo prazo ou a capacidade de gerar retornos excessivos dos gestores ativos? A resposta está naquelas percepções corretas que divergem do consenso de mercado. A longo prazo, só se ganha dinheiro quando se identifica uma situação de precificação irracional. Essa também é uma das principais formas de gestores ativos criarem valor de longo prazo para os investidores e melhorarem a experiência de holding. Em direções já bem precificadas pelo mercado, os retornos tendem a acompanhar a volatilidade do mercado, e os investidores têm ferramentas de investimento mais eficientes à disposição”, afirmou Hu Xiao.

Cada pico de preço de commodities revela uma grande quantidade de demandas substitutas emergentes

Para o mercado de metais não ferrosos e outros recursos desde 2025, Hu Xiao acredita que essa tendência é impulsionada por uma mudança sistêmica, alimentada por maior liquidez global, aumento da incerteza e restrições de oferta de longo prazo.

“Na fase final do ciclo, o movimento é impulsionado principalmente pela liquidez do mercado”, explicou Hu Xiao. Ela acrescenta que o pano de fundo mais profundo é o aumento da incerteza global, levando a uma reavaliação de ativos físicos cotados em dólares. Além disso, a necessidade de reposição de estoques após a pandemia, devido à reconstrução das cadeias de suprimentos globais, elevou o centro de valor dos recursos. “Essa é uma grande tendência industrial que começou em 2020.”

Ela destaca que commodities como cobre e ouro, que têm preços globais, entraram em um ciclo de forte valorização, sustentado principalmente por restrições de oferta de longo prazo. “De 2010 a 2015, os preços caíram, levando a uma redução significativa nos investimentos de capital na indústria de recursos. Mesmo com a alta recente, é difícil estimular rapidamente uma oferta adicional eficaz”, afirmou Hu Xiao. Com a oferta contínua abaixo do esperado, liquidez abundante e demanda estratégica ainda presentes, é importante acompanhar a tendência de alta dos preços.

Quando essa tendência pode mudar? Hu Xiao acredita que é preciso observar dois sinais: primeiro, uma contração definitiva da liquidez global; segundo, preços elevados de commodities que geram substituição de demanda em grande escala. “Em cada pico de preço de commodities, podemos ver uma grande quantidade de demandas substitutas surgindo. Quando essas substituições começam a impactar os preços, o topo de mercado pode estar próximo.”

Ela enfatiza que o ciclo de capacidade de recursos pode durar de 5 a 10 anos, e fatores geopolíticos podem prolongar ainda mais esse ciclo. “Isso significa que restrições de oferta podem persistir por um longo período. Embora os preços oscilem com a liquidez e a demanda, o aumento sistêmico do centro de preços é sustentado pelo ciclo de capacidade de oferta. No entanto, na fase final do ciclo, a volatilidade dos preços tende a aumentar.”

Quanto à lógica de seleção de ações de empresas de recursos, Hu Xiao acredita que ela deve se basear na análise de dois aspectos: recursos e capacidade de expansão. Como os commodities têm alto grau de homogeneidade, as diferenças nos modelos de negócio são limitadas, e o valor de longo prazo das empresas depende principalmente de dois indicadores essenciais: custos mais baixos e crescimento sustentável de produção.

Por um lado, a vantagem de recursos se manifesta principalmente na vantagem de custos. Especialmente em setores como metais não ferrosos, a qualidade dos recursos determina diretamente os custos de mineração, sendo a base para sobrevivência e lucratividade da empresa. Por outro lado, o potencial de crescimento de produção e a capacidade de execução também são cruciais. A capacidade de uma empresa de explorar recursos economicamente viáveis e transformar reservas em produção real decide se ela poderá expandir sua participação de mercado e aumentar retornos durante ciclos de alta.

Não basear o investimento cíclico na busca por pontos de inflexão

Como identificar oportunidades estruturais em ciclos e aumentar a taxa de sucesso? Para Hu Xiao, esse é justamente o desafio e a chave do investimento em ações cíclicas.

“Estudos de ciclos geralmente focam na busca por ‘pontos de inflexão’, pois sua confirmação indica o início de um ciclo de alta. Mas, na prática, prever com precisão esses pontos é extremamente difícil”, admitiu Hu Xiao. Ela explica que determinar o ponto de inflexão de uma ação é mais complexo do que commodities, pois envolve não só oferta e demanda setorial, mas também ciclos macroeconômicos e flutuações de avaliação. “Ao revisar o passado, os pontos de inflexão de ações às vezes antecedem ou atrasam os de commodities. Portanto, não baseio minhas decisões de investimento na previsão exata de um único ponto de inflexão setorial.”

Em vez de tentar identificar o momento exato de mudança de ciclo, Hu Xiao enfatiza uma abordagem mais diversificada e de portfólio. Ela acredita que, com a contínua otimização da estrutura de oferta, uma estratégia de ampla diversificação em setores com baixa avaliação e liderança ainda não totalmente reconhecida pelo mercado oferece maior probabilidade de sucesso. “Essas empresas podem, em algum momento futuro, ser redescobertas e reavaliadas devido a oportunidades inesperadas.”

Dentro dos setores cíclicos, a estratégia de Hu Xiao concentra-se em duas áreas principais: primeiro, setores ligados ao ciclo econômico, como materiais de construção, siderurgia e alguns setores químicos; segundo, recursos upstream. Para esses últimos, ela acredita que metais preciosos ainda apresentam atratividade de avaliação, enquanto outros commodities já estão na fase final de alta, e, quando os preços começarem a transmitir sinais de demanda, ela adotará uma postura mais cautelosa.

Quanto aos ativos de dividendos, Hu Xiao atualmente mantém uma alocação baixa. Ela observa que, após a forte valorização de 2023 a 2024, esses setores já tiveram seu valor bastante explorado. Assim, ela prefere focar em ativos com potencial de estabilidade de lucros, capacidade de distribuição de dividendos e avaliações ainda baixas, como uma complementação à carteira.

Setores cíclicos voltados para o mercado interno apresentam maior certeza

No momento atual, Hu Xiao acredita que há maior certeza em setores de ciclo interno, como construção, alguns químicos e siderurgia, que sofreram ajustes significativos na fase de desaceleração dos últimos anos. “Esses setores já passaram por ajustes de preços, lucros e avaliações, e alguns já estão ou irão sair de excesso de capacidade, começando a surgir oportunidades de investimento.”

Ela divide sua atenção em duas cadeias principais:

Primeiro, a cadeia imobiliária, incluindo imóveis, materiais de construção, siderurgia, alguns químicos e processamento de metais não ferrosos. Sobre essa cadeia, ela mantém uma postura cautelosa, mas atenta. “Muitos setores relacionados ao mercado imobiliário já passaram por forte queda de preços, lucros e avaliações. Algumas empresas já estão ou irão sair de excesso de capacidade, e as oportunidades de investimento começam a aparecer.” Hu Xiao destaca, porém, que é necessário acompanhar de perto a implementação de políticas futuras e a evolução dos preços dos imóveis.

Segundo, a cadeia de consumo interno, que inclui papel, painéis, entregas rápidas e agricultura, entre outros setores tradicionais cíclicos. Ela aponta que a demanda nesses setores é mais estável, e o principal desafio atualmente está na oferta. “E a melhora na oferta, na minha visão, é mais certa — quando a relação oferta/demanda se reverter, a recuperação dos lucros das empresas será mais clara.”

Ela também acrescenta que, no setor de metais não ferrosos, além dos recursos globais bastante discutidos, segmentos de processamento com avaliações mais baixas também merecem atenção, pois fazem parte da lógica de ciclo.

Quanto à macroeconomia, Hu Xiao afirma que, a partir do segundo semestre de 2024, o mercado tende a focar na valorização de avaliações. Em 2026, a lógica do mercado deve passar de valorização baseada em avaliação para impulsionada por lucros. Essa previsão se apoia em dois pontos principais: primeiro, a recuperação econômica doméstica, com o setor imobiliário se estabilizando e possíveis políticas fiscais sendo implementadas; segundo, o ciclo de capex de oferta, que está chegando ao fim, com uma perspectiva de contínua melhora na estrutura de oferta. Ela acredita que, após dois ou três anos de pressão econômica, principalmente devido ao setor imobiliário, se essa influência diminuir, outros setores, como consumo de serviços e políticas de estímulo ao mercado interno, poderão mostrar resultados positivos.

Revisão: Liu Rongzhi

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