Tenho visto muitas perguntas a surgir sobre se a negociação de futuros é halal recentemente, e honestamente é um tema mais complexo do que a maioria das pessoas percebe. Deixe-me explicar o que os estudiosos islâmicos realmente dizem sobre isso.



Então, primeiro, sobre o que estamos mesmo a falar? A negociação de futuros é basicamente quando concordas em comprar ou vender algo a um preço definido numa data futura—por exemplo, 100 barris de petróleo a $80 cada, daqui a três meses. O problema é que não estás realmente a planear possuir esse petróleo. Estás apenas a apostar se o preço vai subir ou descer. Se atingir $90, ganhas. Se cair para $70, perdes. Parece simples à primeira vista.

Mas aqui é que fica complicado do ponto de vista financeiro islâmico. A Islam tem princípios bastante específicos sobre o que é permissível em transações financeiras, e a negociação de futuros levanta problemas com quase todos eles.

Primeiro, há a questão da propriedade. Na jurisprudência islâmica, não podes vender algo que não possuis de fato. Com contratos de futuros, não tens qualquer propriedade do ativo subjacente quando assinas o contrato. Isso é uma bandeira vermelha logo aí.

Depois, há o gharar—incerteza excessiva. A negociação de futuros é basicamente especulação pura. Não tens intenção de receber a entrega de qualquer coisa. Estás apenas a apostar nas movimentações de preço. Essa ambiguidade e incerteza? Isso viola princípios islâmicos fundamentais.

Falando de jogo, muitos contratos de futuros parecem realmente maysir(jogo) quando os analisamos de perto. Especialmente negociações de curto prazo onde lucros ou perdas vêm unicamente das oscilações de preço, sem qualquer atividade económica envolvida. Não é muito diferente de apostar numa moeda ao ar.

E depois há o ângulo da negociação com margem. A maioria dos futuros envolve dinheiro emprestado com juros associados. Isso é riba—juros—que a Islam proíbe estritamente. Portanto, estás a cometer múltiplas violações ao mesmo tempo.

Aqui está o veredicto que a maioria dos estudiosos islâmicos contemporâneos e conselhos financeiros chegaram: a negociação de futuros é halal? Não. Não da forma como é normalmente praticada nos mercados modernos. O consenso é bastante firme nesta questão.

Mas antes que pense que investir de forma islâmica é limitado, há alternativas. Os contratos de salam funcionam de forma diferente—pagas antecipadamente por bens que serão entregues posteriormente, e são estruturados para cumprir os princípios da Shariah. Os contratos de istisna são semelhantes, usados principalmente na manufatura e construção. Estes são apoiados por ativos reais, transparentes e envolvem risco partilhado. Muito diferentes dos futuros convencionais.

Agora, alguns estudiosos defendem uma posição mais nuanceada. Dizem que se um contrato de futuros estiver realmente apoiado por ativos reais, sem juros envolvidos, e o negociador tiver a intenção genuína de receber a entrega, talvez possa funcionar sob certas condições. Mas esta é definitivamente a minoria. A maior parte da estrutura financeira islâmica não aceita essa ideia.

A conclusão? Se és muçulmano e queres investir de forma correta, a negociação de futuros, como é praticada atualmente, não é a resposta. Considera contratos de salam ou istisna, ou fundos mútuos islâmicos e investimentos apoiados em ativos que realmente evitem especulação e juros. E, seja qual for a tua decisão, consulta sempre um estudioso islâmico qualificado ou um conselheiro Shariah certificado antes de avançar. Isto não é algo que devas decidir por ti próprio.
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