A bolsa brasileira acordou de um jeito diferente nesta segunda-feira (5). Após um começo de ano tímido, o Ibovespa virou o jogo e fechou com ganho de 0,83%, tocando os 161.869,76 pontos. O que explica essa recuperação? Uma mistura de otimismo doméstico com xadrez geopolítico internacional que mexeu nos fluxos de capital.
O mercado monetário acerta o compasso
Quem segue de perto os números do Banco Central viu algo interessante no relatório Focus da semana: os economistas mantêm a inflação de 2026 praticamente travada em 4,06%, subindo apenas marginalmente em relação às projeções anteriores. Isso reforça a ideia de que os preços estão sob controle. No front dos juros, continua em pé a aposta de que a Selic encerre o ano em 12,25% – um ciclo de cortes bem expressivo se comparado aos 15% vigentes. Tudo isso, claro, depende do IPCA de dezembro, que sai esta sexta-feira (9).
Construtoras em festa: o boom da habitação popular
As ações de quem constrói casa roubaram a cena nesta sessão. MRV (MRVE3) disparou mais de 7%, enquanto Cyrela (CYRE3) e Direcional (DIRR3) avançaram além dos 5%. A razão? Esses nomes estão surfando uma onda bem favorável. O programa Minha Casa Minha Vida segue injetando dinheiro no mercado, as condições de financiamento permanecem amigáveis, e as construtoras com foco em habitação popular conseguem acelerar lançamentos e ganhar margem. Conforme destacam analistas, esse cenário cria uma janela de oportunidade clara para o setor expandir lucros e consolidar posições.
Vale em ritmo de demanda, Petrobras em contracorrente
A mineradora Vale (VALE3) fechou em alta, acompanhando o minério de ferro nos mercados internacionais – em Dalian, os contratos futuros avançaram quase 1%, sinalizando demanda persistente das siderúrgicas chinesas. Petrobras (PETR4), porém, tocou em trajetória inversa. Enquanto o petróleo disparava nos pregões de Londres e Nova York, os papéis da estatal caíram. O motivo? Especulações sobre o impacto da intervenção militar norte-americana na Venezuela e seus efeitos sobre a infraestrutura de produção de óleo cru. O mercado apostou em novos fluxos de oferta e uma possível reconstrução da capacidade produtiva venezuelana – movimento que esfriou temporariamente o entusiasmo com o setor petrolífero local.
Embraer capitaliza a tensão geopolítica
Enquanto construtoras e mineradoras garantiam o suporte do índice, a Embraer (EMBJ3) aproveitou a turbulência externa e subiu 4,85%, fechando a R$ 92,89. A lógica é conhecida: quando o mundo fica inquieto, ativos ligados à defesa e à vigilância ganham brilho. A deposição de Nicolás Maduro na Venezuela e a ação militar dos EUA provocaram uma reorganização nos fluxos globais. Investidores buscaram refúgio em empresas do setor aeroespacial, antecipando um aumento nos orçamentos militares e na demanda por modernização de frotas aéreas. É um movimento típico em momentos de instabilidade institucional – ativos defensivos viram portos seguros, beneficiando-se de expectativas de novos contratos governamentais.
Varejo sob pressão; C&A lidera os tombos
O segmento de varejo passou por um dia difícil. C&A (CEAB3) liderou as quedas com recuo de 16%, movimento que operadores classificaram como uma realização de lucros após as valorizações dos últimos períodos. Enquanto construtoras, mineradoras e defesa colhiam ganhos, o consumo enfrentava resistência.
Dólar recua para R$ 5,40 em primeiro pregão normal do ano
O dólar encerrou com queda de 0,34%, alcançando R$ 5,40. Segundo analistas, este foi o primeiro dia de movimentação real de 2026 – o pregão anterior não tinha volume suficiente para formar preços robustos. No cenário internacional, a divisa norte-americana também perdeu tração: o índice DXY, que mede sua força contra uma cesta de moedas de reserva, caiu 0,16%, situando-se em 98,26 pontos. A normalização dos fluxos institucionais após o feriado de Ano-Novo ajudou a aliviar a pressão sobre o real.
Recordes em Wall Street alimentam apetite por risco
Nos EUA, o cenário foi de festa. O Dow Jones renovou máximas históricas nominal com avanço de 1,23%, enquanto os índices de Nova York registravam ganhos acentuados. O otimismo foi alimentado especialmente pelo setor de energia, que reagiu positivamente aos desdobramentos na Venezuela. Em termos globais, o mercado entrou em modo de busca por ativos de risco, beneficiando empresas expostas a ciclos econômicos mais expansivos e setores sensíveis a mudanças geopolíticas.
A semana começou, portanto, marcada por uma recuperação clara do Ibovespa, com setores bem definidos capturando o fluxo de capital: construção civil, mineração e defesa como protagonistas; varejo e petróleo como figurantes em segundo plano. Um tabuleiro complexo que reflete tanto as oportunidades domésticas quanto as incertezas externas que seguem moldando as decisões de investimento.
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Ibovespa trở lại với nhịp thở tại 161 nghìn điểm: các công ty xây dựng bùng nổ trong khi đồng đô la giảm sức mạnh
A bolsa brasileira acordou de um jeito diferente nesta segunda-feira (5). Após um começo de ano tímido, o Ibovespa virou o jogo e fechou com ganho de 0,83%, tocando os 161.869,76 pontos. O que explica essa recuperação? Uma mistura de otimismo doméstico com xadrez geopolítico internacional que mexeu nos fluxos de capital.
O mercado monetário acerta o compasso
Quem segue de perto os números do Banco Central viu algo interessante no relatório Focus da semana: os economistas mantêm a inflação de 2026 praticamente travada em 4,06%, subindo apenas marginalmente em relação às projeções anteriores. Isso reforça a ideia de que os preços estão sob controle. No front dos juros, continua em pé a aposta de que a Selic encerre o ano em 12,25% – um ciclo de cortes bem expressivo se comparado aos 15% vigentes. Tudo isso, claro, depende do IPCA de dezembro, que sai esta sexta-feira (9).
Construtoras em festa: o boom da habitação popular
As ações de quem constrói casa roubaram a cena nesta sessão. MRV (MRVE3) disparou mais de 7%, enquanto Cyrela (CYRE3) e Direcional (DIRR3) avançaram além dos 5%. A razão? Esses nomes estão surfando uma onda bem favorável. O programa Minha Casa Minha Vida segue injetando dinheiro no mercado, as condições de financiamento permanecem amigáveis, e as construtoras com foco em habitação popular conseguem acelerar lançamentos e ganhar margem. Conforme destacam analistas, esse cenário cria uma janela de oportunidade clara para o setor expandir lucros e consolidar posições.
Vale em ritmo de demanda, Petrobras em contracorrente
A mineradora Vale (VALE3) fechou em alta, acompanhando o minério de ferro nos mercados internacionais – em Dalian, os contratos futuros avançaram quase 1%, sinalizando demanda persistente das siderúrgicas chinesas. Petrobras (PETR4), porém, tocou em trajetória inversa. Enquanto o petróleo disparava nos pregões de Londres e Nova York, os papéis da estatal caíram. O motivo? Especulações sobre o impacto da intervenção militar norte-americana na Venezuela e seus efeitos sobre a infraestrutura de produção de óleo cru. O mercado apostou em novos fluxos de oferta e uma possível reconstrução da capacidade produtiva venezuelana – movimento que esfriou temporariamente o entusiasmo com o setor petrolífero local.
Embraer capitaliza a tensão geopolítica
Enquanto construtoras e mineradoras garantiam o suporte do índice, a Embraer (EMBJ3) aproveitou a turbulência externa e subiu 4,85%, fechando a R$ 92,89. A lógica é conhecida: quando o mundo fica inquieto, ativos ligados à defesa e à vigilância ganham brilho. A deposição de Nicolás Maduro na Venezuela e a ação militar dos EUA provocaram uma reorganização nos fluxos globais. Investidores buscaram refúgio em empresas do setor aeroespacial, antecipando um aumento nos orçamentos militares e na demanda por modernização de frotas aéreas. É um movimento típico em momentos de instabilidade institucional – ativos defensivos viram portos seguros, beneficiando-se de expectativas de novos contratos governamentais.
Varejo sob pressão; C&A lidera os tombos
O segmento de varejo passou por um dia difícil. C&A (CEAB3) liderou as quedas com recuo de 16%, movimento que operadores classificaram como uma realização de lucros após as valorizações dos últimos períodos. Enquanto construtoras, mineradoras e defesa colhiam ganhos, o consumo enfrentava resistência.
Dólar recua para R$ 5,40 em primeiro pregão normal do ano
O dólar encerrou com queda de 0,34%, alcançando R$ 5,40. Segundo analistas, este foi o primeiro dia de movimentação real de 2026 – o pregão anterior não tinha volume suficiente para formar preços robustos. No cenário internacional, a divisa norte-americana também perdeu tração: o índice DXY, que mede sua força contra uma cesta de moedas de reserva, caiu 0,16%, situando-se em 98,26 pontos. A normalização dos fluxos institucionais após o feriado de Ano-Novo ajudou a aliviar a pressão sobre o real.
Recordes em Wall Street alimentam apetite por risco
Nos EUA, o cenário foi de festa. O Dow Jones renovou máximas históricas nominal com avanço de 1,23%, enquanto os índices de Nova York registravam ganhos acentuados. O otimismo foi alimentado especialmente pelo setor de energia, que reagiu positivamente aos desdobramentos na Venezuela. Em termos globais, o mercado entrou em modo de busca por ativos de risco, beneficiando empresas expostas a ciclos econômicos mais expansivos e setores sensíveis a mudanças geopolíticas.
A semana começou, portanto, marcada por uma recuperação clara do Ibovespa, com setores bem definidos capturando o fluxo de capital: construção civil, mineração e defesa como protagonistas; varejo e petróleo como figurantes em segundo plano. Um tabuleiro complexo que reflete tanto as oportunidades domésticas quanto as incertezas externas que seguem moldando as decisões de investimento.